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Pérolas preciosas
Conduzindo meus filhos no caminho do Senhor
por Cezar Andrade Marques de Azevedo

“Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele.” (Pv 22:6)

“Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te. Também as atarás por sinal na tua mão e te serão por frontais entre os teus olhos; e as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas.” (Dt 6:5-9)

“E disse o Senhor: Ocultarei eu a Abraão o que faço, visto que Abraão certamente virá a ser uma grande e poderosa nação, e por meio dele serão benditas todas as nações da terra? Porque eu o tenho escolhido, a fim de que ele ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para praticarem retidão e justiça; a fim de que o Senhor faça vir sobre Abraão o que a respeito dele tem falado.” (Gn 18:17-19)

Dentre todas as responsabilidades dadas aos pais, nenhuma suplanta a de cuidar de seus filhos, alimentando-os, sustentando-os, guardando-os, educando-os e conduzindo-os pelos caminhos da vida, contribuindo para a formação do caráter deles. Todavia esta prioridade tem sido profundamente afetada pelo enfoque tecnicista desta geração, que considera a aquisição do conhecimento, o desenvolvimento da ciência e da tecnologia como uns dos principais valores a serem perpetuados. Isto se observa tendo em vista a crescente preocupação dos pais de matricularem seus filhos em escolas que desenvolvam seus currículos regulares, mas também oferecem uma série de atividades extracurriculares que envolvam, entre outras, oficinas, dança, artes, esportes, computação. Estas escolas tiveram ampliada sua faixa etária, indo desde a fase de amamentação até a fase adulta, reduzindo consideravelmente o convívio dos pais com seus filhos.

Existe uma série de razões que justificam a matrícula dos filhos, ainda que na fase de amamentação, mas a principal delas diz respeito a renda familiar, obrigando o casal a se integrarem no mercado de trabalho para fazer frente ao custo de vida, bem como a distância que geralmente se encontra a residência do local de trabalho.

Antes de qualquer coisa, quero dizer que não existe um modelo único para educar os filhos, para conviver com eles. Eu mesmo, fazendo uma avaliação de meu relacionamento com eles, sinto grandes deficiências, ainda mais quando leio acerca dos procedimentos de alguns pais para com seus filhos. Temos pais que cultivam momentos de interação, tais como passeios, pescarias, acampamentos, tendo estes momentos como fundamentais para fortalecer os laços familiares. Outros pais consideram de fundamental importância gastar horas brincando com seus filhos, ouvindo-os, construindo uma profunda amizade pautada pela confiança e empatia. Estes exemplos são dignos de consideração e imitação, pois nós devemos ser pessoas abertas, prontas para o aprendizado e aperfeiçoamento em todos os aspectos de nossa existência.

Muitos pais se sentem culpados por não desenvolverem aspectos como estes, por não cultivarem laços mais intensos com seus filhos, sentindo-se melindrados e temerosos quanto a corrigi-los, a dar-lhes limites, a exigir respeito para com eles mesmo e com outros. Esta preocupação tem afetado profundamente os pais ao ponto de praticamente se absterem da educação de seus filhos para não incorrer risco deles próprios serem péssima influência na formação destes. A grande verdade é que toda criança é influenciável e, se seus pais se abstiverem de produzir esta influência, algum outro o fará, nem sempre trazendo aos pequenos os melhores resultados.

É preciso muito discernimento para que os pais, neste cenário marcantemente estressante, repleto de toda sorte de influências que afetam a formação do caráter de seus filhos, possam adequar suas responsabilidades enquanto pais e provedores do lar. Neste sentido, vou procurar dar meu testemunho pessoal de como conduzi a educação de meus filhos, procurando contribuir com os pais na revisão de seus próprios valores e na elaboração de uma estratégia que possa contemplar, ao mesmo tempo, sua função de pais e de provedores do lar.

O primeiro entendimento que devemos ter é que “... os filhos são herança da parte do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão” (Sl 127:3). Não é necessário entrar no mérito de como estes filhos chegaram a nós, seja por uma gravidez indesejada, seja por planejamento familiar, o fato é que os filhos, quando chegam, são preciosos, como um presente da parte de Deus para nós. Entre eu e minha esposa havia uma divergência sobre a hora certa de tê-los. Como eu tinha 26 anos e ela 18, no meu entendimento deviam vir o mais rápido possível, no dela após sua conclusão do curso superior. Prevaleceu minha vontade, ainda que não planejado por nenhum de nós e tivemos dois filhos, com um ano e sete meses um do outro. Uma coisa ambos tínhamos em comum, desejávamos que a diferença de idade entre um e outro fosse a menor possível para que eles tivessem um relacionamento de amizade, por terem interesses bem próximos um do outro. Também entendíamos que tendo os dois filhos próximos, eles teriam um ao outro para brincar, diminuindo a exigência sobre nós, visto a necessidade, na época, de minha esposa terminar o curso superior e eu de trabalhar. Não pudemos ter mais filhos por razões médicas que não vem ao caso, após análise da médica que acompanhou ambos os partos.

Um outro aspecto relevante diz respeito ao papel da mulher no lar. As mulheres conquistaram seu espaço de trabalho na sociedade por méritos, fazendo com que grande parte das famílias tenham na mulher uma fonte de renda, variando desde sua totalidade até uma parcela significativa. Se lermos as escrituras vemos que este papel da mulher já era preconizado pelos servos do Senhor, pois lemos em provérbios:

“Mulher virtuosa, quem a pode achar? Pois o seu valor muito excede ao de jóias preciosas. Considera um campo, e compra-o; planta uma vinha com o fruto de suas mãos.” (Pv 31:10,16)

Com este entendimento, já casei sabendo que minha esposa teria sua própria carreira e todo apoio lhe deveria ser dado visando que ela alcançasse seus objetivos. Mas também entendia que a vinda dos filhos jamais poderia ser um impeditivo para a concretização destes propósitos. Nascido o primeiro filho, por conta de complicações médicas, minha mulher teve de trancar sua matrícula. Todavia sabíamos que tão logo o filho nascesse e ela estivesse apta, voltaria a estudar, como de fato aconteceu.

Na época, nossa renda não nos permitia que eu a levasse a faculdade e voltasse  no término das aulas. Também não queria prescindir de sua companhia por um período tão longo. Assim, optei por levá-la a faculdade e permanecer na biblioteca, aproveitando este tempo para leitura e estudos. Nascido nosso primeiro filho, levávamos conosco e eu ficava cuidando dele nos corredores da faculdade ou na biblioteca. Hoje vejo que esta atitude que adotei serviu para fortalecer nossos laços familiares, mostrando a nosso filho que ele nos era precioso e nunca seria um impedimento as nossas realizações.

Houve um período que minha esposa me incentivou a fazer outro curso superior. Na época já tínhamos dois filhos. Neste caso, um fazia companhia ao outro, com a babá, enquanto íamos os dois para a faculdade. Sabíamos que era um tempo curto que, diminuído pelos sábados, domingos, feriados e férias, poderíamos utilizarmos destes momentos para compensar nossa ausência. Ademais, o primeiro momento que eu ficara com meu filho na faculdade, enquanto aguardava minha mulher terminar suas aulas, fez ele entender que nesta nova fase de sua vida, ele não estava só, pois tinha a companhia de seu outro irmão.

Isso me faz lembrar de uma estratégia que adotei para que meu filho mais velho, o Adan não se sentisse jamais rejeitado. Sendo ele plenamente consciente de tudo que se passava em casa, quando do nascimento do meu segundo filho, o André, nunca entrei em casa sem primeiro saúda-lo e, só depois disso, perguntar a ele se tinha notícias do André. Era quando ele me tomava pelas mãos e me fazia aproximar-me do André. Deste modo eu o valorizava e sabia que o André, em tenra idade, não se incomodaria de eu abraçar ele após ter feito isso com o Adan. Muitos pais, por causa do filho mais novo, esquecem completamente do mais velho, demonstrando claramente sua predileção.

Eu aprendera que o filho mais velho tinha que ter sempre assegurado seu direito de posse, quando o mais novo chegasse. Assim, nunca Karin e eu tiramos alguma coisa que pertencia ao mais velho para dar ao mais novo sem antes negociar com ele, seja roupas, berço, carrinho. Por agirmos assim, ele próprio sentia grande expectativa pela vinda do seu irmãozinho, a ponto de inúmeras vezes chegar a Karin e dizer, direcionado a barriga dela: “maninho, sai logo daí de dentro para a gente brincar”.

Ciente que a criança precisa aprender seus limites, baseado na palavra do salmista que dizia:  “As sortes me caíram em lugares deliciosos; sim, coube-me uma formosa herança.” (Sl 16:6), procuramos sempre transmitir aos nossos filhos que temos limites que precisam ser observados, mas que, principalmente, dentro de nossos limites temos ampla liberdade. Nesta palavra do salmista, Davi faz menção ao tamanho de sua herança. Se ele fosse considerar esta dimensão com as demais posses, poderia sentir-se prejudicado, mas entendendo ser a sua posse a expressão da vontade de Deus para sua vida, se alegrava com o que tinha.

Assim, em todo lugar que eu ia, sempre traçava uma linha imaginária para meus filhos e demonstrava o quão amplo era aquele espaço para eles brincarem. Mesmo morando em uma residência sem muros, nunca tive problemas com eles de saírem para além dos termos do terreno. Em casa, mostrávamos o que nos pertencia e o que pertencia a eles. Por conta disso, se eles deixassem seus brinquedos espalhados pela casa, respeitávamos, mas, por outro lado, se eles mexessem no que nos pertencia, repreendíamos. Como temos muitos livros em casa, jamais tivemos de tirar estes do alcance de nossos filhos e não me lembro de alguma vez eles terem danificado uma página que fosse destes livros.

Esta tese de que havia ampla liberdade no lugar que nos pertencia foi reforçada por um fato inusitado. Um dia o Adan brigou com sua mãe e disse que ia sair de casa, apenas esperando que eu chegasse do serviço para ele se despedir. Assim, fez sua pequena mochila e ficou a me aguardar. Eu, nada sabendo, cheguei, cumprimentei a Karin e disse a ela que iria contar uma história ao Adan, como era meu hábito. Naquele dia, em particular, contei acerca da parábola do filho pródigo. Quando eu falei que este tinha de comer alimento de porcos por ter perdido tudo, meu filho passou a chorar desesperadamente. Eu, nada sabendo, procurei terminar logo a história, trazendo o filho pródigo no lar, para então acalmá-lo. Depois fiquei sabendo do que se passara naquela manhã. Vejo nisso uma notável provisão da parte de Deus, honrando o entendimento que procurávamos passar aos nossos filhos acerca da benção de nos restringirmos aos nossos limites.

Com dois anos, como o Adan ainda não tinha a companhia do André para brincar por ser este nene ainda e, por conta de não ter amigos na vizinhança, entendemos que a melhor solução para desenvolver sociabilidade era matriculá-lo numa escola infantil. Então eu fiquei a me perguntar como seria a influência destes novos amigos na formação de seu caráter. Na minha avaliação, o primeiro aprendizado que ele teria seria o de palavrões. Visando impedir que este mal viesse a ser algo natural para ele, fiz o seguinte: sai com ele a pé, segurando em sua mão. Num dado momento do percurso eu disse a ele:

- Filho, você sabia que existem palavras bonitas e palavras feias?

Ele me respondeu:

- Não sabia.

Eu me calei e continuamos conversando sobre outras coisas. Num dado momento eu pronunciei uma palavra cuja pronuncia era feia, ainda que não a palavra. Então ele me disse:

- Pai, esta palavra é feia.

Eu repeti a pronuncia e conclui com ele que realmente era feia, avaliei que eu poderia extirpar esta palavra de meu vocabulário sem problema e disse a ele:

- Filho, não vou mais usar esta palavra.

Ele então foi para a escola. No dia seguinte voltou com o primeiro palavrão. Quando eu ouvi, pedi para ele repetir. Ele o fez. Então, em tom solene, disse a ele que achava ser esta também uma palavra feia. Ele fez sua avaliação, concordou comigo e nunca mais o pronunciou. No ano seguinte, ele ensinou a mesma lição ao meu filho mais novo, de sorte que tivemos pouquíssimos problemas com palavrões em casa.

Agora, a principal ocupação dos pais é conduzir a criança no caminho do Senhor, como bem observou o sábio Salomão:

“Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele.” (Pv 22:6)

Hoje os pais têm desenvolvido a mentalidade que não devem impor sua religião aos seus filhos. Oras, se sua religião é algo que não possui valores que devam ser transmitidos aos seus filhos, então estes pais devem rever os valores que possuem. Mesmo porque o traficante de droga entende que ele deve transmitir aos nossos filhos os seus próprios e abjetos valores. Se não influenciarmos nossos filhos, alguém o fará. Ademais, a questão não é impor algo, mas transmitir o que se vive. Muitos pais têm esta dificuldade exatamente porque sua prática de vida não condiz com o que pensam. Deste modo, têm sérias dificuldades para ensinar algo. É comum o pai levar seu filho na igreja, deixá-lo na porta e sair para buscar quando o culto ou a escola bíblica terminar, permanecendo ocioso em casa; dizer para não fumar enquanto fumam, para não beber o que contem álcool, quando eles próprios bebem, a tratar bem as pessoas, quando eles são péssimos exemplos de conduta moral.

Os pais cristãos devem pautar por uma vida que condiz com a fé que abraçam. Por isso, instruir a criança no caminho, diz respeito a transmitir nossa própria experiência com Deus. Assim os pais devem ser gente de oração, meditação na palavra de Deus, envolvidos com sua comunidade, exemplos de conduta onde quer que estejam.

Eu, particularmente, adotei uma estratégia para transmitir esta experiência com Deus. Elaborei e apliquei um plano de evangelização de meus filhos com quatro anos de duração. Este plano partiu das premissas ditadas pelo Senhor aos judeus:

“Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te. Também as atarás por sinal na tua mão e te serão por frontais entre os teus olhos; e as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas.” (Dt 6:5-9)

O ensino da palavra de Deus não deve ser uma atividade marcada pelo formalismo, circunscrita a um dado momento agendado, antes deve ser parte integrante do relacionamento entre pais e filhos. Assim, ao conceber este plano, apliquei-o enquanto andava com meus filhos, no dia a dia, sem uma agenda previa, antes aproveitando as circunstâncias que me eram propícias. Eu apenas procurei ser fiel aos fundamentos básicos que me estabeleci para transmitir o evangelho aos meus filhos.

Meu entendimento é que todos pecaram, portanto foram destituídos da glória de Deus, de modo que meu filho, para ser filho adotivo de Deus, teria que ter ele próprio sua experiência com Deus, entregando seu coração como um ato volitivo de sua parte. Entendo que todos nascemos pecadores. Esta decisão deveria ser tomada tão logo chegasse a idade da razão. Esta idade tem diminuído ano a ano, visto que a televisão tem influenciado as crianças de tal modo que hoje elas têm uma percepção do mundo com muito mais propriedade que as crianças de algumas décadas atrás. Para conduzir meus filhos a esta tomada de decisão elaborei a seguinte estratégia, baseado na capacidade que meus filhos tinham em absorver o entendimento do evangelho:

• Aos dois anos: ensinar que há um Deus no céu e que este é nosso Pai celestial.

• Aos três anos: ensinar que o Pai celestial enviou seu Filho na terra.

• Aos quatro anos: ensinar que o Seu Filho na terra veio a morrer, mas ressuscitou no terceiro dia.

• Aos cinco anos: tão logo eu conseguisse perceber que meu filho tinha o conceito de responsabilidade pela conseqüência de seus atos, ensinar que precisamos aceitar o sacrifício do Senhor Jesus na cruz do calvário, pois ele morrera para perdoar nossos pecados e ressuscitara para nos reconciliar com Deus.

Na faixa etária de um a dois anos eu me concentrei em mostrar aos meus filhos que Deus estava no céu, morava no céu e era nosso Pai celestial. Eu cansei de perguntar a ele:

- Filho, onde está o Papai do céu?

Ele olhava para o céu e me apontava dizendo:

- Papai do céu está no céu.

Com três anos, eu enfatizei que o Papai do Céu tinha um filho e que ele viera a terra muitos anos atrás. Contava as histórias acerca de Jesus Cristo sempre que oportunidade eu tinha. Enfatizando seu poder, seus milagres, seu caráter. Evitava falar da morte e ressurreição, mesmo porque eles não tinham este conceito fortemente marcado dentro deles.

Meus filhos, nesta faixa etária passaram pela trágica experiência de perderem o bisavô. Isto os marcou muito, em razão da tristeza que tomou conta da família. Após esta experiência, comecei a enfatizar que Jesus, o Filho de Deus, também morreu. Mas agora dando ênfase na ressurreição, assim, na faixa de quatro anos enfatizei que Jesus estava sentado a destra de Deus no céu. Nesta época eu perguntava:

- Filho, onde está Jesus?

Ele olhava para o céu e me apontava dizendo:

- Sentado a direita do Papai do céu.

Eu sabia que agora meus filhos, cada um na sua faixa etária, precisavam de apenas uma coisa a mais para entender o plano de salvação, entender que o pecado morava no coração e da necessidade de entregar suas vidas ao Senhor. Meus filhos precisavam entender o conceito da responsabilidade por seus atos. Até esta faixa etária, sempre que eles faziam algo errado, eu os corrigia. Findo a correção, um ou dois dias depois eu perguntava a eles:

- Filho, alguma vez você fez algo errado?

Eles sempre me davam a mesma resposta:

- Jamais papai.

Com cinco anos eu comecei a apertá-los neste tipo de pergunta, procurando fazer uma relação entre o erro praticado e a resposta. Um dia um deles quebrou um copo. Quando tomei conhecimento do fato fiz novamente a pergunta, como tantas outras oportunidades eu fizera:

- Filho, alguma vez você fez algo errado?
- Jamais papai.
- Você tem certeza, meu filho. Pense bem, ontem você não fez nada de errado?
- Não fiz.
- E hoje?
- Não fiz.
- E na hora do almoço?
- Não fiz.
- E na hora de beber água?

Neste momento ele olhou triste e disse:

- Papai, quebrei o copo.

Fiquei radiante neste dia, pois pela primeira vez ele assumira a responsabilidade de seu erro. Desde então comecei a ensinar que o pecado mora no coração e somente Jesus pode tirar ele de lá. Demonstrei que para Jesus tirar o pecado do coração nós devíamos pedir isso claramente a ele, entregando nossa vida ao Senhor Jesus, tendo Ele como nosso Senhor e Salvador. Isso aconteceu com ambos em fatos específicos.

Para que esta decisão de meus filhos fosse bem ponderada, como uma experiência pessoal da parte deles, disse-lhes que o momento desta tomada de decisão deveria ocorrer na igreja, após o apelo do pastor. Meu objetivo era dificultar ao máximo a decisão deles para que lhes fosse exigido decisão pessoal. Há de se lembrar que eles estavam com cinco anos, cada um na sua faixa etária.

Primeiro aconteceu com o Adan. Com cinco anos, ele participava de um evento numa concha acústica em Guairá, PR. O pastor pregava e, neste tempo, ele andava por um lado e outro. Findo a mensagem o pastor fez o apelo, foi quando o Adan se aproximou de mim, ficando postado em minhas costas. Então ele perguntou:

- Pai, o que o pastor está fazendo?
- Ele está fazendo apelo para os que querem entregar suas vidas a Jesus Cristo.
- Eu quero entregar minha vida a Ele.
- É problema seu, se quiser, vai lá na frente.
- Me leva?
- Eu não, pois já aceitei a Cristo. Se for, eles vão pensar que sou eu que quero tomar a decisão.
- Então eu vou.
- Vai.

Ele se retirou em direção ao pastor. Quando estava no último degrau, voltou-se e gritou:

- Pai, o pastor está fazendo mesmo o apelo?
- Está.
- Me leva?
- Não.
- Então eu vou.
- Vai.

Assim ele prosseguiu. O pastor, como estava num lugar alto e muitos vieram a frente, levantou o braço e orou por todos. O Adan voltou e disse:

- Pai, Jesus me aceitou?
- Sim, aceitou. Você não viu o pastor orando por todos?
- Sim, vi.

Desde então aconteceu uma mudança notável nas atitudes dele, fazendo com que seu relacionamento com Deus aumentasse de intensidade.

No ano seguinte, eu estava na Igreja Batista, em Dourados.MS, quando o pastor iniciou o apelo. Do meu lado, com cinco anos, o André. Então ele perguntou:

- Pai, o que o pastor está fazendo?
- Apelo para os que querem entregar suas vidas a Cristo.
- Eu quero.
- Vá até lá.
- Me leva?
- Eu não, é problema seu.

Então ele foi a frente. Quando chegou na primeira fileira de bancos, voltou e gritou:

- Pai, me leva.
- Eu não, é uma decisão sua.
- Então vou.
- Vai.

E assim o André também entregou sua vida a Cristo. Pudemos observar mudanças no seu comportamento, como no ano anterior aconteceu com o Adan.

Dei-me por satisfeito e louvei a Deus por tudo que se passou. Anos depois o Adan e o André sentiram necessidade de renovarem seus compromissos com Deus. Eles mesmos pouco se lembram do fato acontecido aos cinco anos de idade, contudo, baseados na palavra de Deus, que todo aquele que se aproxima do Senhor, Este não o lança fora, creio firmemente que operou em suas vidas o novo nascimento, decorrente desta experiência com Deus. Com isso quero motivar os pais a se aplicarem na evangelização de seus filhos e de os conduzirem no Caminho do Senhor, seguindo o exemplo de Abraão.

“E disse o Senhor: Ocultarei eu a Abraão o que faço, visto que Abraão certamente virá a ser uma grande e poderosa nação, e por meio dele serão benditas todas as nações da terra? Porque eu o tenho escolhido, a fim de que ele ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para praticarem retidão e justiça; a fim de que o Senhor faça vir sobre Abraão o que a respeito dele tem falado.” (Gn 18:17-19)