Diminuir a fonteAumentar a fonte 05/11/2012
32 Ninguém vive para si, mas para o Senhor
por Cezar Andrade Marques de Azevedo

www.cezarazevedo.com.br

Mas enviei estes irmãos, para que a nossa glória, acerca de vós, não seja vã nessa parte; para que (como já disse) possais estar prontos, a fim de, se acaso os macedônios vierem comigo e vos acharem desapercebidos, não nos envergonharmos nós (para não dizermos, vós) deste firme fundamento de glória. (II Co 9.3,4)

Geralmente quando procuramos firmar o entendimento do texto em uma única palavra, precisamos de outras traduções e, principalmente, do termo no original. Paulo escreve aos coríntios que ele não gostaria de ficar envergonhado deles em chegando e não encontrar a oferta devida para Jerusalém. Então, para os motivar, os faz lembrar o quão importante é para o apóstolo ser correspondido na firme confiança que tem para com os coríntios. Ele usa o termo “firme fundamento de glória” para expressar esta confiança. O termo grego que Paulo utilizou para se exprimir foi “hupostasis”, que significa fundamento de alguma coisa, aquilo que tem um fundamento, aquilo que confere com a realidade, forte confiança, segurança (Strong). Na versão da linguagem de hoje, o verso é traduzindo nos seguintes termos: “Porém, se alguns irmãos da Macedônia forem comigo e não os encontrarem preparados, isso vai ser uma vergonha para nós, que tivemos tanta confiança em vocês. E sem falar na vergonha que vocês mesmos vão sentir”.

A que confiança Paulo se refere? Usemos de Tiago para exprimir a intenção de Paulo. Escreveu Tiago: “E, se o irmão ou a irmã estiverem nus e tiverem falta de mantimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos e fartai-vos; e lhes não derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma” (Tg 2.15-17). Na época que vivemos temos certa dificuldade de compreender a confiança de Paulo em relação aos coríntios, porquanto, principalmente no Brasil, se instituiu a famigerada lei do Gerson, que traduz a necessidade de se levantar vantagem em tudo quanto faz. Houve uma reunião entre secretários municipais quando o secretario municipal de obras falava envaidecido de como provera a cidade de nova modalidade de canteiro central, salientando, inclusive, que o primeiro que fora construído fora diante do edifício onde morava o prefeito. Esta atitude de buscar sempre o seu próprio interesse é notadamente uma característica dos fins dos tempos, porquanto está escrito que as pessoas seriam amantes de si mesma (II Tm 3.2).

Diferente fora o ensino do próprio apóstolo Paulo sobre como os cristãos deveria agir em relação ao seu próximo. Em certo lugar ele escreveu: “Porque nenhum de nós vive para si e nenhum morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor.” (Rm 14.7,8). Paulo está a ensinar que a essência do pecado reside em criarmos altares para o nosso ego, buscando nosso próprio conforto, realidade está já denunciada pelo profeta: “Povo de Judá, será que fica bem vocês viverem em casas luxuosas enquanto o meu Templo continua destruído?” (Ag 1.4). Sabemos que hoje o templo do Senhor não se confunde com paredes levantadas, mas é retratado pelo próprio corpo de Cristo. A aplicação para nós seria algo do tipo: seria tempo de juntarmos riquezas quando almas precisam ser ganhas, santos precisam ser amparados? Sabemos que Satanás ofereceu ao Senhor todas as riquezas deste mundo se tão somente Jesus se curvasse a ele, ao que o Senhor respondeu: “Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele servirás” (Mt 4.10). Paulo nutria pelos coríntios a mesma confiança, que eles não se deixariam prender por suas riquezas, mas que as ofereciam em contribuição para suprir as necessidade dos santos de Jerusalém, dando prova da sinceridade do amor deles (II Co 8.8).

Paulo destacou que a fé dos coríntios estava alicerçada em um firme fundamento de glória. Este fundamento de modo algum estava estabelecido na ênfase deles serem merecedores de bênçãos financeiras inegáveis. Paulo não apresentou o exemplo dos pobres crentes da Macedônia para demonstrar o quão se pode alcançar riquezas materiais e financeiras no reino de Deus, antes sua ênfase fora no coração generoso daqueles irmãos (II Co 8.2), que não mediram esforços para socorrer os crentes de Jerusalém. Se este é a essência do ensino de Paulo porque temos tanta necessidade de destacar àqueles que vão contribuir o quanto eles podem prosperar em sua atitude? Porque precisamos enfatizar as benesses da riqueza como parâmetro de espiritualidade? Porque temos de tornar uma vida calma e sossegada, vivenciada por aqueles que tem convicção de sua profissão, como algo desagradável aos olhos de Deus? Para que serviria o ensino de Paulo aos Efésios, ao escrever:

Vós, servos, obedecei a vosso senhor segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade de vosso coração, como a Cristo, não servindo à vista, como para agradar aos homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus; servindo de boa vontade como ao Senhor e não como aos homens, sabendo que cada um receberá do Senhor todo o bem que fizer, seja servo, seja livre. E vós, senhores, fazei o mesmo para com eles, deixando as ameaças, sabendo também que o Senhor deles e vosso está no céu e que para com ele não há acepção de pessoas. (Ef 6.5-9)

Em nenhum momento do texto vemos Paulo exigindo mudança de condição social. Ele não pede para os servos se tornarem empregadores, nem que os empregadores sejam ainda mais ricos. O que ele ressalta para cada um deles é que, não importa sua condição social, mas como se interage com ela diante de Deus, se realmente o cristão está disposto a servir ao Senhor. O empregado deve trabalhar como para agradar a Deus e o senhor deve exercer sua autoridade estando consciente que ele tem de prestar contas a Deus. É simples descontextualizar um texto para fazermos provas do que queremos estabelecer como vontade absoluta para todos, mesmo porque esta é uma época da qual Paulo escreveu: “Porque virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências” (II Tm 4.3). O problema não está no ensino que propõe alguém alcançar seu potencial máximo em sua fé, mas o de querer nivelar todos no mesmo padrão. Paulo nutria a confiança que seus convertidos haveriam de ser tão generosos quanto os macedônicos, esta era sua meta principal, mostrar que não vivemos para si, mas para o Senhor, estendendo as mãos para os que dela precisam.

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