Diminuir a fonteAumentar a fonte 03/08/2006
Cap 16 - Uma marca que marca
por Cezar Andrade Marques de Azevedo

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“Então disse Caim ao Senhor: É maior a minha punição do que a que eu possa suportar. Eis que hoje me lanças da face da terra; também da tua presença ficarei escondido; serei fugitivo e vagabundo na terra; e qualquer que me encontrar matar-me-á. O Senhor, porém, lhe disse: Portanto quem matar a Caim, sete vezes sobre ele cairá a vingança. E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que não o ferisse quem quer que o encontrasse. Então saiu Caim da presença do Senhor, e habitou na terra de Node, ao oriente do Éden.” (Gn 4:13-16)

Marca no corpo sempre impressiona o ser humano, sendo hoje comum a tatuagem e o pearcing. Para Caim, a marca que lhe foi aplicada foi uma salvaguarda para sobreviver ao mundo hostil de sua época, um ato de misericórdia da parte de Deus em resposta ao seu próprio pedido. Ele cometera um homicídio matando seu próprio irmão Abel e fora sentenciado por Deus a ser um fugitivo. Temeroso por sua sorte pediu uma proteção especial, recebendo uma marca que lhe servia de salvo-conduto por onde quer que andasse.

Caim se deixara marcar deliberadamente, firme no propósito de sair da presença do Senhor, trazendo a tona à questão da importância desta marca, visto que ela caracterizava sua disposição de rejeitar a soberania divina sobre sua vida. Uma pista está na resposta que Deus lhe deu: qualquer que o matasse seria vingado sete vezes mais. A sexta geração depois de Caim foi Lameque, que declarou ter cometido duplo homicídio (Gn 4:23), dizendo que, diferente de Caim, sua morte seria vingada setenta e sete vezes mais (Gn 4:24).

Qualquer que seja o modo como Caim foi marcado, o certo é que esta marca está associada ao homicídio e a vingança. Uma outra característica desta marca era sua visibilidade a qualquer ser humano. Se por um lado esta marca poderia ser aceitável para um indivíduo cujo objetivo era rejeitar a soberania divina, por outro, esta mesma soberania exige que o ser humano não coloque nenhuma marca que tenha visibilidade, como está escrito: “Não fareis lacerações na vossa carne pelos mortos; nem no vosso corpo imprimireis qualquer marca. Eu sou o Senhor” (Lv 19:28).

Assim, a marca de Caim lhe foi dada por seu deliberado pedido, estando associada ao homicídio e a vingança e representa a negação da soberania divina, portanto esta marca fez de Caim filho do Maligno, posto que o Senhor declarou ser o Diabo homicida desde o princípio e pai da mentira (Jo 8:44). Por este princípio Satanás irá se utilizar de uma marca visível na mão direita ou na fronte, selando para sempre todos o destino daqueles que se submetem a sua tirania em rebelião à soberania divina.

O selo de Deus tem característica diametralmente oposta. Primeiro não se trata de uma marca visível aos olhos humanos, mas distingue seu portador aos olhos de Deus, sendo este o sentido da palavra do apóstolo Paulo quando declarou não ter necessidade de trazer consigo carta alguma de apresentação, posto que as suas ovelhas fossem em si mesmo estas cartas, escritas no coração do apóstolo, mas conhecida e lida por todos os homens, graças ao exemplo de vida que davam (II Co 3:2). Isto porque o cristão foi selado pelo Espírito Santo da promessa, tal como uma carta que recebe seu selo como garantia que chegará ao seu destino, neste caso, a redenção da possessão de Deus, para o louvor da Sua glória (Ef 1:13,14).

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