Diminuir a fonteAumentar a fonte 27/11/2007
Salmo 119:009-016
por Cezar Andrade Marques de Azevedo

www.cezar.azevedo.nom.br

A FONTE DA BEM-AVENTURANÇA: A PALAVRA DE DEUS

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Acróstico: (ב): B – Beth (sign. casa)

Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o de acordo com a tua palavra.
  
De todo o meu coração tenho te buscado; não me deixes desviar dos teus mandamentos. Escondi a tua palavra no meu coração, para não pecar contra ti.

Bendito és tu, ó Senhor; ensina-me os teus estatutos.

Com os meus lábios declaro todas as ordenanças da tua boca. Regozijo-me no caminho dos teus testemunhos, tanto como em todas as riquezas.

Em teus preceitos medito, e observo os teus caminhos. Deleitar-me-ei nos teus estatutos; não me esquecerei da tua palavra.

“Os preceitos do Senhor são retos, e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro, e alumia os olhos.” (Sl 19:8)“Santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade.” (Jo 17:17)

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Todos os caminhos de nossa existência devem ser conferidos atentamente à luz da palavra de Deus para fazer conforme nela prescrito. Precisamos passar em revista nosso relacionamento com Deus, nosso matrimônio, nossa família, nosso trabalho, bem como dispomos nosso tempo ao lazer. Sobretudo deve ser nossa prioridade cumprir o “ide”do Senhor, levando a palavra de Deus ao perdido , não nos esquecendo “de fazer o bem e de repartir com outros, porque com tais sacrifícios Deus se agrada” (Hb 13:16).

Para que possamos “andar de maneira digna do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus” (Cl 1:10) precisamos meditar na palavra de dia e de noite (Sl 1:2). Esta reflexão deve ser feita em profundidade, tendo por pano de fundo todos os aspectos de nosso viver, comparando coisas espirituais com coisas espirituais (I Co 2:13), “derribando raciocínios e todo baluarte que se ergue contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência a Cristo” (II Co 10:5).

A verdadeira reflexão não é tão somente o fruto da leitura da palavra de Deus, como também de sua memorização, quando guardamo-na no coração (Dt 6:6). O processo de memorização deve ser uma prática metódica, sistemática e constante porque assim a palavra de Cristo habitará em nós ricamente, em toda a sabedoria; ensinando-nos e admoestando-nos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, louvando a Deus com gratidão em nossos corações (Cl 3:16, paráfrase).

MEDITANDO NA PALAVRA DE DEUS

“Em teus preceitos medito, e observo os teus caminhos.” (Sl 119:15)

O reverendo Martin Lloyd-Jones considerou como tarefa primordial da igreja o de retornar as escrituras sagradas por ser a Bíblia à fonte de autoridade mediadora de nosso relacionamento com Deus. Para Lloyd-Jones o enfraquecimento do testemunho cristão se deve principalmente porque o povo de Deus deixou de esquadrinhar o livro sagrado, a Bíblia, para firmar sua experiência em suas próprias concepções. Segundo o reverendo, a Bíblia deixou de ser a viva palavra de Deus para ser uma coletânea de escritos humanos. Ao deixarem de crer na Bíblia, continua Dr. Martin, deixaram de crer na lei, na justiça e na retidão.

Meditar na palavra de Deus é a condição para conhecer a Deus e a Seu Filho por Ele enviado, fundamento da vida eterna (Jo 17:3). Conhecer o Senhor implica em conhecer as doutrinas inerentes ao plano de Deus: justificação, santificação e glorificação. A meditação é o ato por meio do qual nós apreendemos a palavra de Deus com suas doutrinas e ajustamos nossa vida com ela. É como um transporte de melões, à medida que o caminhão vai trepidando, a carga vai se ajustando dentro dele.

O Dr. Lloyd-Jones ensinou que o processo de meditação é o mecanismo por meio do qual nós procuramos o sentido da verdade como está no texto bíblico, isto é, buscamos descobrir o significado do texto e o seu ensino. Veja como o encontro com a palavra de Deus pode impactar alguém no exemplo de vida do profeta Jeremias:

“Acharam-se as tuas palavras, e eu as comi; e as tuas palavras eram para mim o gozo e alegria do meu coração; pois levo o teu nome, ó Senhor Deus dos exércitos. Não me assentei na roda dos que se alegram, nem me regozijei. Sentei-me a sós sob a tua mão, pois me encheste de indignação.” (Jr 15:16,17).

MEMORIZANDO A PALAVRA DE DEUS

“Escondi a tua palavra no meu coração, para não pecar contra ti.” (Sl 119:11)

A meditação na palavra de Deus se segue à sua memorização. Isto porque os grandes embates na vida não nos colhem quando estamos com a Bíblia aberta, meditando, mas no percurso de nossa peregrinação, quando somos assaltados pelas mais diferentes tentações e opressões. O povo de Israel era ensinado desde cedo a memorizar o Antigo Testamento, sendo muitos textos escritos no Hebraico por meio de acróstico e rimas para facilitar este processo. Assim Moisés instruiu o povo:

“E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te. Também as atarás por sinal na tua mão e te serão por frontais entre os teus olhos; e as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas.” (Dt 6:6-9)

É falsa a idéia que os discípulos foram homens iletrados. O foram no sentido de não terem cursado as escolas da época, de não terem aprendido aos pés dos fariseus e saduceus, contudo desde pequeno sabiam de memória grandes porções da palavra de Deus. Pedro, ao pregar seu primeiro sermão depois da descida do pentecoste citou textos do Antigo Testamento, como era hábito de todos os demais.

A revista National Geographic (novembro, 2007) apresentou matéria acerca da memória fazendo menção ao hábito cultivado pela sociedade moderna de criar uma “vasta superestrutura de muletas tecnológicas” para apoiar nossas lembranças, tais como a fotografia, as agendas de compromissos, os post-it para rabiscar lembretes e assim por diante. Todos estes artifícios enfraquecem nossa memória, tornando o processo de recuperação de informações mentais muito mais difícil

Nesta matéria foi mencionado a fantástica memória de Simônides, quando num desastre ocorrido a quatro séculos atrás, fora capaz de reconhecer os corpos pelo local que eles se encontravam nos escombros do teto de um salão de banquete na Tessália. Tomás de Aquino, por exemplo, compôs sua Suma Teológica totalmente de memória, ditando-a depois de completá-la. Segundo esta matéria, o grande valor dado a memória se devia ao fato dos antigos considerarem como a maior virtude do homem o de ser capaz de internalizar por meio da memória o universo de conhecimento externos que tinham contato.

Memorizar a palavra de Deus é condição fundamental para a atuação do Espírito Santo, porque a palavra de Deus é Seu material de trabalho, razão porque o Senhor declarou:

“Mas o Ajudador, o Espírito Santo a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto eu vos tenho dito.” (Jo 14:26)

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