Diminuir a fonteAumentar a fonte 03/12/2007
Salmo 119:033-040
por Cezar Andrade Marques de Azevedo

www.cezar.azevedo.nom.br

A PALAVRA DE DEUS: O MAPA DO PEREGRINO

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Acróstico (ה): h – He (sign. casa – numeral 5)

Ensina-me, ó Senhor, o caminho dos teus estatutos, e eu o guardarei até o fim. Dá-me entendimento, para que eu guarde a tua lei, e a observe de todo o meu coração.

Faze-me andar na vereda dos teus mandamentos, porque nela me comprazo.

Inclina o meu coração para os teus testemunhos, e não para a cobiça. Desvia os meus olhos de contemplarem a vaidade, e vivifica-me no teu caminho.

Confirma a tua promessa ao teu servo, que se inclina ao teu temor. Desvia de mim o opróbrio que temo, pois as tuas ordenanças são boas.

Eis que tenho anelado os teus preceitos; vivifica-me por tua justiça.

“assim será a palavra que sair da minha boca: ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei.” (Is 55:11)“O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida.” (Jo 6:63)

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A PROMESSA DE DEUS

“Confirma a tua promessa ao teu servo, que se inclina ao teu temor.” (Sl 119:38)

A palavra de Deus é riquíssima em promessas. Alias, o apóstolo Pedro ensina que estas promessas foram nos dadas para que por meio delas fossemos participantes da natureza divina (II Pd 1:4). Nos tornamos participantes desta natureza por meio da regeneração, quando nascemos de novo (Jo 3:3) e nos foi implantado um novo coração (Ez 36:26), vindo a nos tornar uma nova criatura (II Co 5:17).

Esta nova natureza nos fez inclinar para as coisas do Espírito, que é vida e paz (Rm 8:6). Alcançamos a vida e a paz dela decorrente quando deixamos fluir de nós água viva (Jo 7:38), fruto da obra do Espírito em nós (Gl 5:16), sendo este o processo de santificação (I Ts 4:3). Este processo nada mais é que a realização da obra em harmonia com a fé em Cristo Jesus (Tg 2:18) quando nossa experiência existencial nos faz refletir a imagem conforme a semelhança de Deus (Gn 1:26). Por meio deste processo “somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” (II Co 3:18).

É por esta razão que o salmista destacou dentre todas as promessas do Senhor, uma em especial, conhecida também como promessa de Abraão:

“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro; para que aos gentios viesse a bênção de Abraão em Jesus Cristo, a fim de que nós recebêssemos pela fé a promessa do Espírito.” (Gl 3:13,14)

A promessa feita por Deus a Abraão e extensiva a cada um de nós é a maior expressão do íntimo desejo da parte de Deus em se relacionar conosco. Esta é a promessa do Espírito Santo, o Ajudador (Jo 14:16), que viria para habitar conosco (Jo 14:17), nos fazer conhecer a Cristo por meio das Escrituras (Jo 15:26), nos dirigir em conformidade com a vontade de Deus (Rm 8:14), bem como nos ajudar em nossas fraquezas (Rm 8:26).

Esta foi a promessa recebida por Abraão logo após ele ter vencido a guerra Quedorlaomer, rei de Elão, Tidal, rei de Goiim, Anrafel, rei de Sinar, e Arioque, rei de Elasar (Gn 14:9) com o intuito de libertar Ló (Gn 14:16), por conseqüência, livrou também os reis de Sodoma, de Gomorra, de Admá, de Zeboim e de Belá (esta é Zoar) (Gn 14:8).

Neste ínterim Abraão comeu pão e bebeu vinho com Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, figura do Sumo Sacerdote Jesus Cristo (Hb 5:6). O pão e o vinho representam o corpo e o sangue de Cristo, a ceia do Senhor. Se Alimentar destes elementos faz o cristão demonstrar sua disposição de viver por Cristo (Jo 6:57), portanto revela a intenção do cristão consagrar-se ao Senhor rejeitando as ofertas deste mundo (Dn 1:8, Tg 4:4). Este foi o testemunho de Abraão ao rejeitar a proposta do rei de Sodoma em usufruir dos despojos da guerra (Gn 15:23), tal como Moisés também fizera:

“Pela fé Moisés, sendo já homem, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus do que ter por algum tempo o gozo do pecado, tendo por maiores riquezas o opróbrio de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa.” (Hb 11:24-26)

Foi neste contexto que Deus fez a promessa do Espírito a Abraão nos seguintes termos:

“Depois destas coisas veio a palavra do Senhor a Abrão numa visão, dizendo:

Não temas, Abrão; eu sou o teu escudo, o teu galardão será grandíssimo.” (Gn 15:1)

O ENTENDIMENTO DAS ESCRITURAS

“Ensina-me, ó Senhor, o caminho dos teus estatutos, e eu o guardarei até o fim.” (Sl 119:33)

Nenhuma outra promessa nas escrituras supera em importância a promessa do Espírito, pois representa a presença do próprio Deus habitando em nosso coração. O estudo da Bíblia tem por núcleo conhecer as implicações desta promessa:

“a saber, que os gentios são co-herdeiros e membros do mesmo corpo e co-participantes da promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho” (Ef 3:6)

Nós, enquanto crentes em Jesus Cristo, fomos selados pelo Espírito Santo da promessa (Ef 1:13). Para compreendermos a dimensão do que Deus fez por nós precisamos aprender acerca de nossa eleição em Cristo, de nossa vocação celestial, de nossa conversão ao evangelho, de nossa justificação no sangue do Cordeiro, de nossa regeneração pela semente incorruptível, que é a palavra de Deus, de nossa identificação como filhos amados de Deus por adoção em Cristo Jesus, de nossa glorificação, quando receberemos corpos incorruptíveis.

A DIREÇÃO DE DEUS

“Faze-me andar na vereda dos teus mandamentos, porque nela me comprazo.” (Sl 119:35)

A presença do Espírito Santo em nós nos move para buscar e pensar nas coisas que são de cima, não nas que são da terra (Cl 3:1,2). Desde então nosso desejo é apresentar-nos diante de Deus para que possamos experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus para nós por meio do processo de transformação de nosso ser (Rm 12:1,2) até que “todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4:13).

O DESEJO DO CORAÇÃO

“Inclina o meu coração para os teus testemunhos, e não para a cobiça.” (Sl 119:36)

A direção de Deus para conosco procede do íntimo desejo que temos de vermos a Deus (Mt 5:8). Esta é a razão porque nos deixamos moldar pelo processo de santificação (Hb 12:14). Todos quanto buscam expressar por meio de sua conduta o agir de Deus em sua vida se defrontam com a guerra entre seus intensos desejos carnais e a disposição de obedecer a lei divina (Gl 5:17).

É impossível vencer esta batalha senão pelo Espírito de Deus (Gl 5:16), posto que somente Ele vivifica nossos corpos mortais para cumprir a vontade de Deus (Rm 8:11). A santificação, portanto, tem duas vertentes, por um lado mortificamos nossas inclinações carnais (Cl 3:5) e nos despojamos de nossas emoções distorcidas (Cl 3:8), por outro lado nos revestimos do novo homem “se renova para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl 3:10). Assim ensinou o salmista:

“Confia no Senhor e faze o bem; assim habitarás na terra, e te alimentarás em segurança. Deleita-te também no Senhor, e ele te concederá o que deseja o teu coração. Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará.” (Sl 37:3-5)

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