Diminuir a fonteAumentar a fonte 07/12/2007
Salmo 119:049-056
por Cezar Andrade Marques de Azevedo

www.cezar.azevedo.nom.br

O PEREGRINO É DESPREZADO PELO NATIVO

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Acróstico (ז): z – Zayin (sign. ama – numeral 7)

Lembra-te da palavra dada ao teu servo, na qual me fizeste esperar. Isto é a minha consolação na minha angústia, que a tua promessa me vivifica
.
Os soberbos zombaram grandemente de mim; contudo não me desviei da tua lei. Lembro-me dos teus juízos antigos, ó Senhor, e assim me consolo.

Grande indignação apoderou-se de mim, por causa dos ímpios que abandonam a tua lei. Os teus estatutos têm sido os meus cânticos na casa da minha peregrinação.

De noite me lembrei do teu nome, ó Senhor, e observei a tua lei. Isto me sucedeu, porque tenho guardado os teus preceitos.

“Os reis da terra se levantam, e os príncipes juntos conspiram contra o Senhor e contra o seu ungido, dizendo: Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas.” (Sl 2:2,3)“Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim.” (Jo 15:18)

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OS ÍMPIOS E OS PECADORES

“Os soberbos zombaram grandemente de mim; contudo não me desviei da tua lei.” (Sl 119:51)

Deus habita no céu em luz inacessível (I Tm 6:16) e nos constituiu “concidadãos dos santos e membros da família de Deus” (Ef 2:19). Por conseqüência não pertencemos a este mundo (Jo 17:16), logo somos estrangeiros e peregrinos (Hb 11:13). Distintamente todo aquele que nasceu do sangue, da vontade da carne ou da vontade do varão (Jo 1:13 – paráfrase) veio para este mundo “sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos aos pactos da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo” (Ef 2:12). Há uma completa incompatibilidade entre os crentes em Cristo Jesus e os incrédulos, entre os justos e os ímpios, entre os santos e os pecadores, por isso o mundo nos odeia (I Jo 3:13).

Por outro lado, aparentemente o mundo tem uma vantagem sobre o cristão. Tudo quanto está nesta esfera de existência lhe pertence por direito porque o seu senhor é conhecido como “o deus deste século” (II Co 4:4), que o cegou completamente para a “luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus” (II Co 4:4). Como deus deste século, Satanás tem a iníqua condição de dar a quem bem entender toda a glória dos reinos deste mundo (Mt 4:8). Assim, aqueles que estão sob sua esfera de influência são prósperos (Sl 73:3). Aparentemente

“eles não sofrem dores; são e robusto é o seu corpo. Não se acham em tribulações como outra gente, nem são afligidos como os demais homens. Pelo que a soberba lhes cinge o pescoço como um colar; a violência os cobre como um vestido” (Sl 73:4-6)

Juntam-se aos ímpios os pecadores, aqueles formados por uma mentalidade religiosa, que dizendo conhecedores da lei de Deus, condenam a si mesmo naquilo em que julga a outro; pois julgando, pratica o mesmo (Rm 2:1). Estes julgam conhecer a vontade de Deus e dizem aprovar as coisas excelentes, sendo instruídos na lei (Rm 2:18), contudo são guia dos cegos, luz dos que estão em trevas (Rm 2:19). Isto porque ensinam a outrem, mas não ensinam a si mesmo; pregam que não se deve furtar e furtam; dizem que não se deve cometer adultério e adulteram; dizem que se devem abominar os ídolos e roubam os templos; dizem que se deve gloriar na lei, mas desonram a Deus pela transgressão da lei (Rm 2:20-23 – paráfrase). De tais pecadores, bem como dos ímpios, está escrito que, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus, o Senhor vem para:

“tomar vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus; os quais sofrerão, como castigo, a perdição eterna, banidos da face do senhor e da glória do seu poder” (II Ts 1:8,9)

OS JUÍZOS DE DEUS

“Lembro-me dos teus juízos antigos, ó Senhor, e assim me consolo.” (Sl 119:52)

O banimento eterno foi referendado por juízos de advertências no passado. O mais impressionante e primeiro deles foi o dilúvio. Por aquele tempo “viu o Senhor que era grande a maldade do homem na terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente” (Gn 6:5). Então, depois de avisar o povo por meio de Nóe, pois:

“Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, sendo temente a Deus, preparou uma arca para o salvamento da sua família; e por esta fé condenou o mundo, e tornou-se herdeiro da justiça que é segundo a fé” (Hb 11:7).

Um segundo juízo se seguiu logo após este, quando Deus confundiu as línguas dos povos porque se recuavam a espalhar-se por toda a terra, como era propósito de Deus (Gn 11:6,7). Juízos como estes demonstram a antecipação de um fim inevitável: a morte, bem como a imprudência de delinear a vida fora dos propósitos divinos. Da morte porque esta é o salário do pecado (Rm 6:23), evidência que todos pecaram (Rm 5:12). Enquanto a morte não chega, o homem natural anda em inimizade contra Deus (Rm 8:7), sem levar em conta que os juízos divinos o admoesta que é preciso arrepender-se, pois é chegado o reino de Deus (Mt 3:2).

Todavia o homem de Deus se consola com os juízos divinos porque por meio deles se compreende o fim daqueles que não servem ao Senhor. Só é possível compreender esta verdade quando se entra dentro do santuário do Senhor (Sl 73:17) porque se coloca diante da revelação da parte de Deus (Ex 27:21), como Moisés costumava fazer:

“Ora, Moisés costumava tomar a tenda e armá-la fora do arraial, bem longe do arraial; e chamou-lhe a tenda da revelação. E todo aquele que buscava ao Senhor saía à tenda da revelação, que estava fora do arraial.” (Ex 33:7)

O CONSOLO DE DEUS

“Isto é a minha consolação na minha angústia, que a tua promessa me vivifica.” (Sl 119:50)

A mesma palavra que traz juízo ao mundo, serve de bálsamo ao cristão. João Batista, quando pregava, exortava dizendo: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” (Mt 3:7,8). Ao mesmo tempo acrescentava: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mt 3:2). A mesma fonte que alerta para o juízo, conclama para que a alma se volte para o Senhor, se tornando participante do reino dos céus.

Ademais, o chamado ao arrependimento é também acompanhado pelo poder para viver de modo a agradar a Deus, posto que “o seu divino poder nos tem dado tudo o que diz respeito à vida e à piedade, pelo pleno conhecimento daquele que nos chamou por sua própria glória e virtude” (II Pd 1:3). Assim, bendito “seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo” (Ef 1:3). Não somente isso, mas também, como está escrito:

“E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo Jesus há de vivificar também os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita.” (Rm 8:11)

O CÂNTICO A DEUS

“Os teus estatutos têm sido os meus cânticos na casa da minha peregrinação.” (Sl 119:54)

Da gratidão brota o louvor e nada expressa melhor que os cânticos ao Senhor, quando nossa alma se entrega em profunda devoção. Em todos os períodos da história que houve grandes avivamentos, a música cristã foi um campo fértil de inspiradas canções, fortemente embasada na teologia bíblica.

VIGILÂNCIA E ORAÇÃO

“De noite me lembrei do teu nome, ó Senhor, e observei a tua lei.” (Sl 119:55)

A alegria da salvação não prescinde da contínua vigilância. Não podemos perder de vista que permanecemos neste mundo, apesar de não sermos dele. Temos um inimigo implacável, um adversário, “o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar” (I Pd 5:8). Portanto devemos vigiar e orar (Mt 26:41).

Ademais os ímpios “não dormem, se não fizerem o mal, e foge deles o sono se não fizerem tropeçar alguém” (Pv 4:16). Portanto durante à noite devemos redobrar os esforços em estar na presença de Deus, vigiando em oração e meditando na palavra do Senhor. Sobretudo devemos agir como a sulamita fazia: “Eu dormia, mas o meu coração velava” (Ct 5:2), pois foi assim que as cinco virgens prudentes fizeram, cochilando com o azeite em suas vasilhas, juntamente com as lâmpadas (Mt 25:4). Quando o Senhor as chamou, estavam preparadas para as bodas (Mt 25:10).

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