Diminuir a fonteAumentar a fonte 09/12/2007
Salmo 119:057-064
por Cezar Andrade Marques de Azevedo

www.cezar.azevedo.nom.br

O PEREGRINO VIVE DA FÉ

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Acróstico (ח): j – Heth (sign. cerca – numeral 8)

O Senhor é o meu quinhão; prometo observar as tuas palavras. De todo o meu coração imploro o teu favor; tem piedade de mim, segundo a tua palavra.

Quando considero os meus caminhos, volto os meus pés para os teus testemunhos. Apresso-me sem detença a observar os teus mandamentos.

Enleiam-me os laços dos ímpios; mas eu não me esqueço da tua lei.Á meia-noite me levanto para dar-te graças, por causa dos teus retos juízos.

Companheiro sou de todos os que te temem, e dos que guardam os teus preceitos.

A terra, ó Senhor, está cheia da tua benignidade; ensina-me os teus estatutos.

“Tu, Senhor, és a porção da minha herança e do meu cálice; tu és o sustentáculo do meu quinhão. As sortes me caíram em lugares deliciosos; sim, coube-me uma formosa herança. Bendigo ao Senhor que me aconselha; até os meus rins me ensinam de noite. Tenho posto o Senhor continuamente diante de mim; porquanto ele está à minha mão direita, não serei abalado.” (Sl 16:5-8)

 “De sorte que, meus amados, do modo como sempre obedecestes, não como na minha presença somente, mas muito mais agora na minha ausência, efetuai a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.” (Fl 2:12,13)

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DEUS É A FONTE DE TODA PROVISÃO

“O Senhor é o meu quinhão; prometo observar as tuas palavras.” (Sl 119:57)

A perspectiva do peregrino é completamente distinta do mundo principalmente por causa do senso de prioridade. Enquanto o foco do nativo é quanto ao que comer, beber ou vestir-se, ou seja, em relação às suas necessidades básicas, a do peregrino é o de buscar o reino de Deus em primeiro lugar, bem como a justiça que procede de Deus (Mt 6:33).

A mudança de perspectiva se deve ao fato que o peregrino confia plenamente em Deus, sabendo que nenhuma circunstância existencial surge sem que o Senhor tenha nela santo e justo propósito. Assim como Israel acampava e se movia baseado no movimento da nuvem durante o dia e na coluna de fogo à noite (Ex 13:21), o peregrino se deixa levar pelas condicionantes do tempo e da natureza. Se o pasto deixa de propiciar alimento para seus animais, prossegue, se encontra um lugar apropriado para repousar, ali permanece, sem perder de vista que nada tem neste mundo senão ao Senhor. O peregrino percebe a vida como o apóstolo Paulo quando disse:

“Mas tenho tudo; tenho-o até em abundância; cheio estou, depois que recebi de Epafrodito o que da vossa parte me foi enviado, como cheiro suave, como sacrifício aceitável e aprazível a Deus. Meu Deus suprirá todas as vossas necessidades segundo as suas riquezas na glória em Cristo Jesus. Ora, a nosso Deus e Pai seja dada glória pelos séculos dos séculos. Amém.” (Fl 4:18-20)

DEUS É O CENTRO DE TODA MOTIVAÇÃO

“Quando considero os meus caminhos, volto os meus pés para os teus testemunhos.” (Sl 119:59)

Se a prioridade do peregrino não é para com seu sustento, ele é absolutamente consciente que deve guardar, sobretudo, seu coração, pois este foi o conselho do sábio Salomão: “Guarda com toda a diligência o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Pv 4:23). Isto porque somente os limpos de coração verão a Deus (Mt 5:8).

Assim, nossa motivação se torna muito mais importante que nossos atos em si, pois elas vão determinar o sentido de nossa vida. Mesmo porque “não há coisa encoberta que não haja de manifestar-se, nem coisa secreta que não haja de saber-se e vir à luz” (Lc 8:17). Ademais está escrito:

“Portanto nada julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, o qual não só trará à luz as coisas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o seu louvor.” (I Co 4:5)

Portanto o peregrino está consciente que seu coração está sendo escrutinado por Deus (Jr 17:10) e que suas experiências existenciais servem de molde para talhar seu coração, moldar seu caráter e fazê-lo participante da natureza divina (II Pd 1:4). Assim como Abraão, ele foi chamado para uma jornada de fé, saindo de onde está e caminhando para a cidade celestial, sendo forjado pelo Espírito de Deus para crescer até atingir “ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4:13).

DEUS É O MEDIADOR DE TODOS OS RELACIONAMENTOS

“Companheiro sou de todos os que te temem, e dos que guardam os teus preceitos.” (Sl 119:63)

Como não deveria deixar de ser, todos seus relacionamentos se tornam mediados pelo seu amor a Deus. O peregrino agora é concidadão dos santos e da família de Deus (Ef 2:19), portanto, diante de Deus não é um peregrino nem estrangeiro, antes cidadão do céu. Deste mundo nada tem, nada leva, nada lhe diz respeito, senão sua missão de levar ao homem perdido a mensagem do evangelho. Todas suas atividades estão vinculadas a este propósito porque “também nós éramos outrora insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias paixões e deleites, vivendo em malícia e inveja odiosos e odiando-nos uns aos outros.” (Tt 3:3). Assim, não nos esquecendo de onde saímos, mas convicto de nossa redenção, ministramos a palavra de Deus aos que cruzam por nós.

Os discípulos de Jesus, quando entraram numa aldeia de samaritanos, indo em direção a Jerusalém, exatamente por serem peregrinos com este propósito, não foram recebidos. João, indignado, quis mandar descer fogo do céu e consumir toda a cidade (Lc 9:54), ao que o Senhor lhe repreendeu:

“[Vós não sabeis de que espírito sois.] [Pois o Filho do Homem não veio para destruir as vidas dos homens, mas para salvá-las.]” (Lc 9:55,56)

Ainda que peregrinando em terra hostil, não temos por missão lançar juízos e imprecações sobre os nativos, antes nossa missão é de alcançá-los com o amor de Deus, pois o Senhor amou o mundo de tal modo que deu Seu próprio Filho para salvá-los (Jo 3:16)

DEUS É MISERICORDIOSO PARA COM TODOS NA TERRA

“A terra, ó Senhor, está cheia da tua benignidade; ensina-me os teus estatutos.” (Sl 119:64)

Se é certo que o mundo se tornou terreno hostil por causa do pecado, sendo gerido pelo deus deste século (II Co 4:4), cujo objetivo é matar, roubar e destruir (Jo 10:10), é certo também que a terra pertence ao Senhor, bem como tudo quanto nela há (Sl 24:1). A soberania de Deus se faz presente em todos os negócios humanos, nada acontecendo que não seja de Sua bendita permissão. O Senhor “faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos” (Mt 5:45), prova evidente que Deus não faz distinção de pessoas, conforme está escrito:

“Porquanto não há distinção entre judeu e grego; porque o mesmo Senhor o é de todos, rico para com todos os que o invocam.” (Rm 10:12)

O salmista já dissera: “o Senhor é bom para todos, e as suas misericórdias estão sobre todas as suas obras” (Sl 145:9), pois “Senhor sustém a todos os que estão a cair, e levanta a todos os que estão abatidos” (Sl 145:14).  No exercício de Sua misericórdia Deus abre a mão e satisfaz a todos os viventes (Sl 145:16 – paráfrase) porque “Todos esperam de ti que lhes dês o sustento a seu tempo” (Sl 104:27), razão porque em adoração diz o salmista:

“Ó Senhor, quão multiformes são as tuas obras! Todas elas as fizeste com sabedoria; a terra está cheia das tuas riquezas” (Sl 104:24)

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