Diminuir a fonteAumentar a fonte 12/08/2010
Contendas como obra da carne
por Cezar Andrade Marques de Azevedo

www.ccezar.azevedo.nom.br

“Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Mas não useis da liberdade para dar ocasião à carne, antes pelo amor servi-vos uns aos outros.” (Gl 5:13)

Se a obra da carne de prostituição é um pecado contra o corpo, agravando-se por tornar a mente impura e coração lascivo, se a obra da carne da idolatria é um pecado contra Deus, agravando-se pela feitiçaria, a obra da carne de inimizade é um pecado contra o corpo de Cristo. Como devemos amar a Deus e o próximo como a nós mesmo, estas obras de carne fazem o caminho inverso, deixamos de amar a nós mesmos, nos voltamos contra Deus e tudo vai se refletir em nosso relacionamento contra o nosso semelhante. Nestes termos “eris”, no grego, que se traduz por contendas, porfias, rixas, brigas, lutas, dissensão, debates, se apresenta, segundo Barclay, autor do livro “As Obras da Carne e o Fruto do Espírito”, como resultado de quem vive em inimizade contra seu semelhante.

Barclay afirma que no pensamento de Paulo eris é um termo usado em associação a vida comunitária cristã. Em I Co 1:11 Paulo menciona eris como aquilo que divide a comunhão ente os irmãos no corpo de Cristo, é a igreja dividida em facções e partidos, em inimizades onde devia haver amor. Eris estaria presente na pregação daqueles que têm por foco desmoralizar o outro (Fl 1:15). Neste contexto eris está associado à atitude de exaltar mais as igrejas ou os líderes ou as questões pessoais que a Jesus Cristo. Assim, quando um homem exalta mais a si que a Jesus Cristo, ministra com eris no coração. Examinemos, pois, a afirmação do apóstolo Paulo:

“Verdade é que alguns pregam a Cristo até por inveja e contenda, mas outros o fazem de boa mente” (Fl 1:15)

Pregar a Cristo por inveja ou contenda significa ter por foco exaltar sua mensagem em detrimento a outros ministros do evangelho. O indivíduo chega a conclusão que sua razão e percepção da revelação é superior a de todos os outros. Seu foco é exaltar o seu movimento, a sua igreja, o seu modo muito peculiar de perceber a vida cristã em oposição aos demais ministérios. Esta é uma atitude muito comum nos ministérios personalisticos destes últimos dias. Líderes querem se destacar dentre todos os demais baseado na convicção que são os únicos que estão pregando o verdadeiro evangelho.

Em sua primeira carta para a igreja de Coríntios Paulo faz veemente protesto contra a atitude carnal dos cristãos por darem lugar a inveja e contenda, advogando cada um para si o pertencer a dado ministério, um sendo de Paulo, outro de Apolo e assim por diante. A exaltação do líder não guardava nenhuma sintonia com o fundamento do evangelho porquanto o único que morreu por todos foi Jesus Cristo. Esta atitude divisionista perde de vista que acima de tudo é Deus quem traz o crescimento do corpo de Cristo. Promover um único ministério em detrimento de outro é não só uma atitude que milita contra a glória de Deus, como também responsável por fazer emergir do coração a amargura e o rancor uns para com os outros.

A atitude de exclusividade está intimamente associada ao sustento, porquanto o apóstolo Paulo atestou a integridade de Timóteo ao dizer que ele buscava sinceramente o bem estar da igreja, enquanto que outros “buscam o que é seu, e não o que é de Cristo Jesus” (Fl 2:21). Paulo também deu testemunho de Epafrodita, que “pela obra de Cristo chegou até as portas da morte, arriscando a sua vida” (Fl 2:30) para atender às necessidades do apóstolo Paulo.

Se nós considerarmos a maioria dos ministérios personalista, não só eles se arvoram como donos da verdade como também preservam a sua marca ministerial exigindo exclusividade para aquisição de seus produtos e modo de vida. Nem seria necessário numerá-los porque quem não os identificar pelas características mencionadas não encontraria diferença alguma em estar ligada a eles.

O problema maior é que estamos tão propensos a aceitar o eris, isto é, a contenda, como uma forma de salientar o vigor do evangelho que nem percebemos mais que quando exaltamos um líder em detrimento do outro, deixamos de receber a graça do Senhor como fonte única de nos fortalecermos no Senhor. Qual era a atitude do apóstolo Paulo ao observar os interesses espúrios na pregação do evangelho? Seria o de se levantar contra estes na pretensão de obstruir-lhes a sua atividade ministerial? Parece que não, pois assim ele manifestou sua percepção:

“Verdade é que alguns pregam a Cristo até por inveja e contenda, mas outros o fazem de boa mente; estes por amor, sabendo que fui posto para defesa do evangelho; mas aqueles por contenda anunciam a Cristo, não sinceramente, julgando suscitar aflição às minhas prisões. Mas que importa? contanto que, de toda maneira, ou por pretexto ou de verdade, Cristo seja anunciado, nisto me regozijo, sim, e me regozijarei; porque sei que isto me resultará em salvação, pela vossa súplica e pelo socorro do Espírito de Jesus Cristo” (Fl 2:15-19).

Note que Paulo não fazia caso das intenções deles, antes achava até que havia alguma utilidade porquanto de uma maneira ou outra estavam pregando a Cristo e neste ponto em particular Paulo se regozijava, porquanto como ministravam a palavra de Deus, em que pese a intenção deles, ainda assim haveria salvação por ação soberana do Espírito Santo. Quanto aos pregadores, o Senhor mesmo haveria de tratar com eles naquele dia, quando a eles lhe seria dito: “nunca vos conheci” (Mt 7:23). Alias, quando os discípulos do Senhor se viram diante de evangelistas que não seguiam a sua cartilha, pensaram logo em detê-los, ao que o Senhor lhes declarou de modo enfático que ele próprio trataria do assunto. Leiamos:

“Disse-lhe João:

Mestre, vimos um homem que em teu nome expulsava demônios, e nós lho proibimos, porque não nos seguia.

Jesus, porém, respondeu:

Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e possa logo depois falar mal de mim; pois quem não é contra nós, é por nós. Porquanto qualquer que vos der a beber um copo de água em meu nome, porque sois de Cristo, em verdade vos digo que de modo algum perderá a sua recompensa. Mas qualquer que fizer tropeçar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e que fosse lançado no mar.” (Mc 9:38-42)

O que o Senhor ensina aos discípulos é o mesmo que Ele explicara sobre o joio e o trigo, quando questionado se era necessário separá-lo:

“Ele, porém, disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis com ele também o trigo. Deixai crescer ambos juntos até a ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Ajuntai primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; o trigo, porém, recolhei-o no meu celeiro.”

Nós podemos observar com discernimento que muitos estão pregando o evangelho por eris, nossa obrigação reside tão somente no discernimento, não temos com isso necessidade de nos levantar contra este ministério imaginando que estaríamos libertando pessoas daqueles que buscam o seu próprio proveito em detrimento a glória de Cristo. Antes podemos ter a convicção que o próprio Deus está cuidando de Sua glória, ministrando a palavra mesmo em meio a inveja e contendas, tratando diretamente com cada um, ainda que, na aparência, o grupo todo esteja sendo moldado na imagem e semelhança daquele evangelista. Tentar fazer do contrário é se colocar na condição de agir com base no eris.

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