Diminuir a fonteAumentar a fonte 14/10/2010
A linguagem do amor
por Cezar Andrade Marques de Azevedo

www.cezar.azevedo.nom.br

“Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo.” (Pv 25:11)

A palavra foi pronunciada por Deus e o mundo foi criado, a Palavra se fez carne e o homem pode ser salvo de seus pecados. Contudo, a palavra nos lábios do homem caído pode levá-lo a bendizer a Deus ou amaldiçoar o homem, assim, da “mesma boca procede bênção e maldição” (Tg 3:10).

Há uma situação nas escrituras que retratam o valor da palavra bem aplicada. José foi vendido por seus irmãos como escravo, vindo a se encontrar na casa do Potifar, oficial de Faraó, capitão da guarda (Gn 37:36). Mesmo tendo caído na graça de seu dono, foi acusado pela insana mulher de seu senhor, vindo a ser preso pela suposta tentativa de adultério. Todavia Deus fez José prosperar mesmo em situação tão adversa, vindo a ser o primeiro ministro de Faraó.

Os anos se passaram. Uma grande fome atingiu toda a região, inclusive Canaã, obrigando os irmãos de José se socorrerem do Egito para ter alimento. Nesta oportunidade os irmãos se encontraram com José que, mesmo tendo sido vendido como escravo, nutriu seu coração de perdão, estendendo a eles não só o suprimento necessário, como ainda persuadindo ao Faraó em dar a seus irmãos a terra mais apropriada para suas ovelhas.

O pai de José viera junto e muito se alegrara sabendo que José ainda vivia. Alguns anos depois Jacó veio a falecer, o que muito preocupou os irmãos de José, visto que temiam que, com a ausência do pai, José poderia querer vingar-se deles. Quando José compreendeu a situação fez a seguinte declaração:

“Não temais; acaso estou eu em lugar de Deus? Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; Deus, porém, o intentou para o bem, para fazer o que se vê neste dia, isto é, conservar muita gente com vida. Agora, pois, não temais; eu vos sustentarei, a vós e a vossos filhinhos.” (Gn 50:19-21)

Um comentário é feito logo em seguida pelo autor do livro. Ele comenta que José falara ao coração de seus irmãos (Gn 50:21). Em outra tradução é colocado que José falara segundo o coração de seus irmãos. Basicamente o texto salienta que José escolhera cuidadosamente quais seriam as palavras que deveria dirigir aos seus irmãos para que elas pudessem servir-lhes de bálsamos, de conforto e de segurança. Antes de dirigir-lhes estas palavras é dito que José chorou muito quando entendeu o medo de seus irmãos, pois não lhes desejava mal de forma alguma (Gn 50:17).

A atitude de escolher palavras para se dirigir a uma pessoa é de grande valor e pode trazer, entre outros sentimentos, encorajamento, incentivo, motivação. Esta prática está caindo rapidamente em desuso. Pouquíssimas pessoas realmente se importam em escolher palavras para dirigir-se a alguém. Antes está sendo cada vez mais comum falar um com o outro o que bem entende, sem preocupação alguma com o peso que as palavras possam trazer. Tal atitude é justificada como sendo fruto de sinceridade, antítese da hipocrisia.

Se realmente fosse verdade que a sinceridade prescinde do tato para com as palavras, por certo não precisaria haver nenhum conselho sobre como devemos nos exprimir. Qualquer um poderia dizer a outro qualquer coisa porquanto nenhuma palavra teria o poder de magoar, entristecer ou ferir. O fato é que as palavras podem ferir, como também tem o poder de demonstrar carinho, amor, afago. Elas podem amaldiçoar ou abençoar, está no poder de cada um escolher quais delas fará uso.

Recentemente tive acesso aos estudos de Humberto R Maturana.  Ele expressa que a função da linguagem é o de ser um operador de coordenações consensuais de ação. No entendimento de Maturana, não é a razão o fator determinante da linguagem, mas as emoções. Para Maturana o emocionar-se se constitui na própria condição da aprendizagem humana, assim, toda expressão racional tem um fundamento emocional.

Maturana observa que é no curso da linguagem que nós damos sentidos a nossa existência, portanto o diálogo é condição essencial para acontecer a aprendizagem mútua. Como nossa história é construída de desejos e vontades, negar o papel da emoção no diálogo é reduzir a fala e a escuta a uma conversa de surdos. Maturana afirma que toda rede de inter-relações criada entre os indivíduos se dá no espaço do diálogo, portanto o processo de linguagem é um exercício de amorosidade, ou seja, o fundamento do diálogo é o amor. Assim, para Maturana o amor se constitui numa dinâmica da aceitação de um organismo vivo por outro de forma espontânea, viabilizando a coexistência entre os mesmos.

O amor, diz Maturana, faz um indivíduo acolher o outro. Nos termos propostos por Jesus a lei se resume em amar a Deus sobre todas as coisas, ao próximo como a si mesmo. Maturana traduz esta lei reafirmando que onde acontece o amor existe a socialização, porquanto os indivíduos se aceitam mutuamente. Ou seja, a aprendizagem acontece em meio a solidariedade, cooperação e acolhimento desde que este processo seja permeado pela linguagem de amorosidade.

Resumindo Maturana: quem ama se comunica, quem se comunica amando, se comunica com sabedoria, construindo relações por meio de suas palavras. Necessariamente, portanto, quem dialoga com entendimento, visando moldar suas palavras com o amor, escolhe o que vai dizer porquanto quer transformar sua fala em bálsamo, em maças de ouro em salvas de prata, em um bem preciosismo. Assim, amar é também escolher palavras, porquanto quem as pronuncia está cônscio não do ouvido, mas do coração de quem as escuta. Quem ama fala para consolar, para edificar, para motivar, para incentivar, para animar, para encorajar. Aplicando o amor às palavras nos fazer perceber quão pouco amamos. O que nos resta é lembrar-nos que, quando crianças, antes de falar, balbuciávamos. Quem sabe retornando a este tempo, podemos reaprender a linguagem do amor e descobrir quão bom é ter estas palavras em nossos lábios.

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