Diminuir a fonteAumentar a fonte 19/10/2010
Achando nosso lugar debaixo do sol
por Cezar Andrade Marques de Azevedo

www.cezar.azevedo.nom.br

“Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas; para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus imaculados no meio de uma geração corrupta e perversa, entre a qual resplandeceis como luminares no mundo, retendo a palavra da vida; para que no dia de Cristo eu tenha motivo de gloriar-me de que não foi em vão que corri nem em vão que trabalhei.” (Fl 2:14-16)

Vamos colocar alguns pontos nos “is”. O trabalho não é fruto do pecado, antes foi estabelecido por Deus ainda no jardim do Éden com o objetivo de trazer ao homem sua auto-realização para a glória de Deus. Isto porque a ordem inicial dada ao homem foi que este devia dominar sobre toda criatura na face da terra, inclusive a própria terra para o seu próprio bem (Gn 1:26-29). Em vindo Jesus, o Senhor mesmo ratificou a importância do trabalho ao afirmar: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” (Jo 5:17). O apóstolo Paulo, a exemplo do mestre, integrou o trabalho ao seu próprio ministério, dando-nos o exemplo, porquanto não queria ser pesado para ninguém, antes buscando seu próprio sustento, ainda assim encontrava tempo para pregar a palavra de Deus (At 20:33-35). Não foi sem razão que Paulo exortou aos cristãos: “se alguém não quer trabalhar, também não coma” (II Ts 3:10). Portanto trabalhar faz parte do plano de Deus para a vida do homem.

Todo aquele que se aplica ao trabalho tem dois caminhos a seguir: ou vai usar toda a sua remuneração visando seu bem estar social ou vai reservar uma parte do ganho para a formar uma poupança como proteção aos dias difíceis.  No século XVI a XVIII, na Europa, a opção dos cristãos era o de usar o dinheiro com parcimônia e poupança. Influenciados principalmente pelos movimentos protestantes calvinistas, pietistas, metodistas e batistas os cristãos entendiam que eram vocacionados por Deus para trabalhar, todavia o trabalho era entendido como uma manifestação de amor ao próximo e para a glória de Deus. Assim, a busca do lucro e o gasto supérfluo eram condenados, o primeiro por ser uma demonstração de avareza e o segundo considerado um benefício a carne, sendo antes necessário mortificá-la.

Neste cenário, com o advento da industrialização e produção em massa, o trabalho começou a gerar a mais valia, um montante de recursos transformado em poupança que era convertido em capital, reinvestido nas indústrias, alavancando o capitalismo. O trabalho era visto, portanto, como uma manifestação da vocação divina do homem servir ao seu próximo. A vida de modo aceitável a Deus se expressava mediante o cumprimento de tarefas do século imposta ao indivíduo pela sua posição no mundo. Assim, qualquer vocação lícita tem o mesmo valor perante os olhos de Deus. Os mais hábeis em poupar e produzir riquezas amealharam para si capital, vindo a ser conhecido como capitalistas. Os demais trabalhadores buscavam encontrar o seu lugar no mercado, tendo em vista a infindável divisão a que as tarefas foram submetidas.

Segundo Max Weber, em sua obra a “’A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, no princípio do capitalismo a vocação era uma escolha essencialmente individual, indiferente ao tipo de atividade secular, focada sob a perspectiva escatológica, sendo considerado falta de graça divina ser impulsionado para o lucro material acima da provisão das necessidades pessoais. O lucro era convertido em poupança que gerava capital alavancando ainda mais o capitalismo. Com o crescente entrelaçamento dos negócios do mundo o trabalho é gradualmente valorizado em seu significado profissional, sendo a profissão concreta interpretada cada vez mais como um dom especial de Deus, e a posição que o indivíduo preenche na sociedade fruto da vontade divina.

Este chamado espírito protestante do capitalismo foi se perdendo para o atual espírito consumista. Max Weber observou, já naquele tempo, que a vocação deixou de estar ligado a valores culturais e religiosos, a busca da riqueza foi despida de sua roupagem ético-religiosa, tendendo cada vez mais a associar-se com paixões puramente mundanas, que freqüentemente lhe dão o caráter do esporte. Os homens se tornaram, segundo frisou Max Weber especialistas sem espírito, sensualistas sem coração, nulidades que imaginam ter atingido um nível de civilização nunca antes alcançado

Quais valores cristãos precisam ser resgatados nos dias atuais? Se o trabalho é uma vocação, uma manifestação do dom divino para o indivíduo, então diante das oportunidades conferidas pelo mercado de trabalho, bem como diante das oportunidades de negócios, o cristão deve procurar que posição melhor atende seus dons e recursos. Seja o nível profissional que ele alcançar, seja o mercado que ele empreender, as oportunidades são amplas e as possibilidades de sucesso muitas, porquanto há toda sorte de apoio para que ele seja bem sucedido. Hoje não é diferente de quando o capitalismo surgiu: se a remuneração é maior que a necessidade atendida, a diferença se torna em capital que alavanca novos negócios, portanto a rota da prosperidade está sedimentada.

Agora a prosperidade não tem o mesmo significado e padrão de vida para todos. Na escala hierárquica do trabalho, desde o chão de fábrica até a mais alta direção, sempre haverá aquele que se contenta com a posição que ocupa, porquanto consegue perceber nesta posição o lugar que Deus preparou para ele. Ascender na carreira não é uma demonstração de cobiça, todavia permanecer na profissão que escolheu pode ser um traço de maturidade. O problema se apresenta quando o desafio da prosperidade é lançado indistintamente a todos, como se a posição que alguém ocupa no mercado de trabalho ou o porte de sua empresa fosse prova de maldição. Neste caso prosperidade se torna sinônimo de querer sempre mais, num circulo viciado pela presunção que o indivíduo é medido pela riqueza que possui. É neste ponto que o apóstolo Paulo faz a seguinte advertência: “o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (I Tm 6:10).

Cada um de nós deve examinar se a posição que alcançamos no mercado de trabalho, bem como se o porte de empresa que temos não nos confere a medida de fé dada por Deus a cada um de nós. Neste caso devemos considerar se nossa insatisfação decorre não do fato de não termos o que precisamos, mas da busca incessante do dinheiro sem fundamento na vocação dada por Deus. Se eu sou enfermeiro, sendo este meu dom, desejando vida de médico, se eu sou técnico e não um profissional liberal, se eu sou um empregado e não um empregador, se eu sou um diretor de uma pequena empresa e não de uma grande corporação, e não satisfeito com aquilo que sou, então por certo vou ter problema, então meu coração será assaltado por murmurações e contendas.

Neste caso, se estamos insatisfeitos com a posição que ocupamos sendo ser este de fato o dom dado por Deus para nós, precisamos relembrar algumas lições acerca das riquezas das pelo apóstolo Paulo:

“Porque nada trouxe para este mundo, e nada podemos daqui levar; tendo, porém, alimento e vestuário, estaremos com isso contentes. Mas os que querem tornar-se ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, as quais submergem os homens na ruína e na perdição.” (I Tm 6:7-9)

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“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

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