Diminuir a fonteAumentar a fonte 01/06/2014
Tempo de eleição I
por Cezar Andrade Marques de Azevedo

www.cezarazevedo.com.br

Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. (Rm 13.1)

Dentro de poucos dias dar-se-á inicio as convenções partidárias para definir os candidatos aos cargos eletivos do país na esfera federal e estadual. É um bom tempo para refletir sobre o papel da igreja nestas eleições, pois muita coisa é dita a este respeito, a maior parte delas, senão sua totalidade, não passa de bravatas. Por bravata entende-se ameaça arrogante de falso valentão.

Antes de entendermos o posicionamento da igreja nestas eleições, busquemos compreender o que seja igreja. O dicionário online apresenta três significados: a igreja se constitui no edifício onde se celebram ritos religiosos ou é a representação das autoridades eclesiásticas que lhe dá voz ou então o conjunto de fiéis que professam a mesma fé. Nesta ultima acepção, dados de 2010 do IBGE constatam que 86% dos brasileiros de declaram cristãos, destes 64% são católicos e 22% evangélicos. Podemos simplificar dizendo que, de cada 10 eleitores, 8 são católicos e 2 evangélicos. Neste artigo vamos refletir sobre o posicionamento dos evangélicos no contexto das eleições de 2014.

Os líderes evangélicos estão conclamando suas igrejas a se posicionarem nestas eleições, mostrando sua força. Na pretensão deles, os 22% se constituem em um grupo tão significativo que sua voz pode influir na decisão final. Para entender este argumento, vamos simplificar ainda mais, restringindo a escolha tão somente ao cargo de presidente da República. Neste processo vamos nos concentrar em apenas três candidatos, já traçando seu perfil. Digamos que um seja mal, o outro, alguém do bem e o terceiro um cristão. Qual destes três deve ser o presidente da República?

Os líderes evangélicos entendem que o primeiro critério para a escolha de um cristão seja a escolha de um cristão, se isso não for possível, então que se vote em alguém do bem, mas deve ser feito de tudo para evitar o presidente que seja mal. Como o voto é secreto, façamos o seguinte exercício: temos três candidatos e seis eleitores, sendo 4 deles, cristãos. Cada candidato vota em si mesmo e cada cristão vota em um dos candidatos, como resultado temos um empate. Para que os cristãos possam influir, eles precisam votar concordes entre si, neste caso, cada candidato vota em si, os três cristãos vota no cristão. Em sendo ele eleito, para assegurar que seu governo seja justo, ele precisa formar uma equipe de cristão. 

Mudemos o resultado das eleições, os três candidatos votam em si mesmo e os três outros eleitores crentes votam um no cristão e os outros dois no homem do bem. Neste caso este homem do bem poderiam ampliar o leque de sua escolha, não estaria restrito tão somente aos cristãos para ocupar os cargos comissionados, poderiam incluir entre eles homens do bem. Como estamos falando de, no mínimo, 20.000 cargos comissionados, este pretenso presidente cristão teria que conseguir escolher ou cristãos ou homens do bem para ocupar estes cargos, o que seria uma proeza impressionante. Nem o FBI e a CIA juntos conseguiriam analisar o perfil de um banco de dado de, digamos, 100.000 pessoas, para escolher dentre elas 20.000 para ocupar estes cargos comissionados. Como ele não é instruído diretamente por Deus, o risco de suas escolhas aumentam consideravelmente.

O que estamos demonstrando, em um primeiro raciocínio é que não há nenhuma garantia que um universo formado majoritariamente por cristãos garantam a qualidade do governo resultante desta eleição. Por outro lado o que vemos entre os eleitores é uma realidade numérica desproporcional, de cada dez eleitores só dois são evangélicos e os líderes religiosos deste grupo estão com a pretensão de influir na eleição com o intuito de determinar a escolha de um presidente que esteja alinhado com suas teses.

Ademais, nesta lógica da igreja influindo diretamente no resultado das eleições no universo em que de cada dez cidadãos, somente dois são evangélicos, o que se pretende alcançar é a ditadura da minoria sobre a maioria. Isto porque se possível fosse impor aos demais cidadãos os valores cristãos, ou seria pela força ou pela influência. Como os líderes evangélicos são minoria no contexto, não tem como impor força, logo o fazem por influência, trabalhando diuturnamente para que a população cristã evangélica seja maioria neste país. De qualquer forma, na relação 20%, os valores cristãos estariam necessariamente sendo impostos por força da influência sobre o restante da sociedade, o que não deixa de ser uma ditadura da minoria.

Neste ponto do artigo muitos dos que o leem já traçam críticas ferozes contra ele, porquanto poderiam estar alegando duas coisas: a primeira, a igreja não precisa ser maioria para influir na cultura de uma nação, ela é o sal da terra e luz do mundo, portanto se a humanidade não cristã adotam valores extraídos da Bíblia, isso se deve ao poder desta influência. A segunda crítica é que entende ser da vontade de Deus a imposição dos valores judaico-cristã sobre a humanidade, portanto não importa o número de eleitores cristãos evangélicos, eles têm poder de influir na eleição.

O resultado deste raciocínio é este: fazendo calar este articulista, os líderes evangélicos estão absolutamente certos em conclamar publicamente os cristãos a votarem em determinados candidatos, convocando-os, inclusive, para irem as ruas, nas chamadas “marcha para Jesus”, para demonstrar a força do movimento evangélico neste país. Eles entendem que demonstrando força e unidade, influem diretamente nas eleições, por certo aprenderam isso de outros movimentos sociais que agiram com a mesma estratégia, obtendo excelentes resultados. Ademais, o próprio Senhor Jesus disse: “...porque os filhos do mundo são mais hábeis na sua própria geração do que os filhos da luz” (Lc 16.8).

Consideremos neste artigo o segundo dos argumentos: ser da vontade de Deus a imposição dos valores judaico-cristã sobre a humanidade. O problema desta proposta está na palavra “imposição”. Há uma presunção que Deus entregou Sua lei moral a Moisés, os dez mandamentos, para servir de balizador para a conduta das pessoas. Assim deveria ser se o pecado não fosse um entrave para o cumprimento da vontade divina. Paulo ensinou que o propósito da lei é exatamente oposto a esta pretensão: a lei não induz o homem à vida moral elevada, antes, pelo contrário, a lei de Deus faz com que o pecado engane a pessoa, fazendo sua força interior se mostrar excessiva e sobremaneira maligno (Rm 7.13). Com isso se pode afirmar que quanto mais os líderes evangélicos imporem sobre seus discípulos e, pior, sobre a sociedade não evangélica, seu padrão moral, tanto pior vai ficar a sociedade sobre a influência deste mesmo padrão. Isto porque está escrito: “... ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rm 3.20)     .

O que estamos a demonstrar é que, quanto mais os líderes evangélicos tentam impor sobre todos os valores judaicos cristãos, mais influem para piorar a situação geral deste mundo. Tentando fazer o bem, eles complicam ainda mais a vida das pessoas neste planeta, porquanto estão adotando uma estratégica que não é aquela proposta por Deus para transformar a vida das pessoas. O resultado alcançado por esta estratégia é o oposto àquele pretendido por ela, quem assim o faz demonstra não conhecer a força do pecado, muito menos o modo como Deus optou por agir para trazer as pessoas a Cristo.

Há de se observar que todo governo constituído procede de Deus, quer seja bom ou mau. A história de Israel é farta de exemplos desta verdade. Habacuque, por exemplo, orou a Deus porque viu Israel, o povo de Deus do Antigo Testamento, afundado na corrupção. Recebeu como resposta divina que a Babilônia haveria de invadir Israel e fazer do povo de Deus escravos. Habacuque ficou impressionado com a resposta divina e chegou a argumentar dizendo:

Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar; por que, pois, toleras os que procedem perfidamente e te calas quando o perverso devora aquele que é mais justo do que ele? Por que fazes os homens como os peixes do mar, como os répteis, que não têm quem os governe? (Ha 1.13-14)

Os líderes evangélicos não declaram a verdade quando convocam o povo para as eleições dizendo que a igreja tem poder de influir nas eleições para o bem. Isto porque Deus pode ter decidido que o presidente do mal atende mais aos desígnios do reino de Deus que alguém do bem. No próximo artigo vamos aprofundar no erro desta falácia de que a igreja é uma categoria com voz política para proclamar o desígnio de Deus para uma humanidade em trevas.


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