Diminuir a fonteAumentar a fonte 02/06/2014
Tempo de eleição II
por Cezar Andrade Marques de Azevedo
www.cezarazevedo.com.br

Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. (Rm 13.1)

Temos demonstrado que, em tempo de eleição, cabe reflexão sobre o posicionamento da igreja evangélica neste contexto. Via de regra os pastores, por ter ascendência sobre seus membros, se sentem no direito de posicionar-se, bem como induzir a igreja ao seu posicionamento, visando dar rumos a eleição em conformidade com sua ótica. Ao fazer isso o pastor assume a posição de consciência da sociedade. Ele entende que, por conhecer a lei e a vontade de Deus, deve determinar como deve conduzir toda a sociedade pelo modo como crê no evangelho. O pastor considera a moral judaico-cristã como um legado que ele tem de defender com todo o vigor diante de uma sociedade em trevas. Por outro lado temos demonstrado que, ao impor a lei moral, o pastor alcança o contrário de sua pretensão, porquanto “... pela lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rm 3.20).

O grande problema desta atitude é que o pastor se arvora na posição de ser a voz profética de Deus nesta sociedade, querendo fazer crer que, em não sendo ouvida, a sociedade imerge ainda mais nas trevas. Este embate acirra os ânimos de ambos os lados, pois grupos ou segmentos sociais que se sentem ofendidos questionam o direito de escolher o estilo de vida que melhor lhe apraz. O embate se move para o campo das leis, o que fortalece a convocação do pastor em ter instrumentalidade política para impor sua vontade. Neste caso exortam cristãos a assumir cargos eletivos ou comissionados para que, no âmbito de sua influência, possam impedir o avanço das trevas. Logo estes líderes evangélicos percebem que precisa elaborar estratégias ainda mais elaboradas para neutralizar o poder dos seus adversários. A luta, que antes era contra principados e potestades, se torna agora contra sangue e carne, identificados como segmentos sociais que materializam a quebra dos mandamentos que tentam impedir. Se o acirramento se perpetuar, se possível fosse, haveria de se concluir que no céu não haveria nenhum converso daquele segmento que os líderes evangélicos estigmatizaram como inimigos diretos do evangelho, ainda que, nas escrituras, a maior parte destes inimigos esteja dentro da própria igreja. Estes são os mercenários fazendo-se passar por líder evangelho como escreveu Paulo: “Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho” (At 20.29).

No que diz respeito ao evangelho genuíno, Jesus mesmo declarou o seguinte: “Se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, eu não o julgo; porque eu não vim para julgar o mundo, e sim para salvá-lo” (Jo 12.47). Se a igreja tem a pretensão em dar continuidade a missão do Senhor, seu papel não é o de se tornar na consciência da sociedade, mas de levar a ela as boas novas do evangelho. Muitos dizem fazer parte da pregação do evangelho clamar contra o pecado. Digamos que isso seja verdade. Nesta condição um pastor ou cristão qualquer, em uma reunião de comissão qualquer do senado e da câmara, na votação de um projeto notadamente anticristã, deveria expor seus argumentos contrários ao projeto e, ao fim, fazer um veemente apelo pela conversão a Cristo de todos os membros daquela comissão.

Por certo este cristão haveria de dizer: aquele não é lugar para pregar o evangelho. Se não é, porque apresentou a primeira parte, exortando aquela comissão à obediência a lei divina? O fato da igreja não realizar sua missão completa naquele ambiente demonstra que ela está mal posicionada naquela questão em particular. Ademais, está escrito: “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (I Co 2.14). Assim, se os homens naturais sentados naquela comissão não conseguem compreender a mensagem dos cristãos, então temos um impasse por excelência, que só pode ser resolvido nos termos do evangelho. E, se o evangelho não pode ser pregado naquele ambiente, então também não cabe impor a ele a lei de Deus.

Neste mesmo ambiente um homem de Deus poderia expor seus argumentos sem tornar aquela questão uma afirmação religiosa. Quando tentaram exigir do Senhor Jesus um posicionamento religioso no contexto do ambiente político, Ele respondeu: “... Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22.21). O que o Senhor Jesus estava declarando é que naquele instante os que lhe perguntavam alguma coisa estavam sendo beneficiados pela paz romana, pelo sistema econômico implantado por aquele governo ou mesmo pelo direito concedido para reuniões públicas como daquela hora. Ou seja, não há como viver em um governo, mesmo sendo ele uma ditadura, sem extrair dele dalgum benefício, mesmo que alguém seja contrário a quase totalidade das ações impostas por aquele governo. Ademais, mesmo quando o governo romano e líderes religiosos judeus, juntamente com o povo, se levantaram para crucificar o Senhor Jesus, não impediram o cumprimento cabal dos propósitos divinos, pelo contrario, foram instrumentos dele.

Alguém pode se perguntar: porque no primeiro artigo foi dito ser bravata a tentativa dos líderes evangélicos tentarem cooptar os membros da igreja no sentido de votar neste ou naquele candidato? Quando um líder evangélico fala, se deduz que ele conheça o seu Deus e o representa. Se ele está movendo seus liderados a favor de uma dada plataforma política, qual sua intenção? Trazer bem estar ao povo ou perpetuá-lo. E qual foi a instrução dada por Deus para que este bem estar seja possível? Vamos ler:

“Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.” (I Tm 2.1-4)

Deus é o governador de todo o universo. Ele já declarou que toda autoridade é constituída segundo o Seu desígnio (Rm 13.1). Neste texto Deus pergunta a Seu povo se deseja uma vida tranquila e mansa. Se a resposta for positiva, dá o caminho: orem, intercedam, façam súplicas, clamem a Deus, sejam de todo agradecido por tudo quanto Deus tem concedido. Então faça cada um a seguinte pergunta: qual foi o líder cristão que convocou a igreja à intercessão no tempo de eleição? Esta convocação simplesmente não existe, seria considerada piegas demais, fora de contexto. Pastores sabem o quão difícil é levar seu povo a orar. É mais fácil colocar 100% de sua igreja em uma praça pública como um grito de indignação social que levar para dentro do templo e gastar horas orando e clamando a Deus por misericórdia para com sua igreja e seu país.

E porque é bravata a convocação da igreja para estar em praça pública, na chamada “marcha de Jesus”, com o propósito de demonstrar força política? Leiamos as instruções do Senhor Jesus acerca da oração:

“E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mt 6.5,6)

Observe que o Senhor considera inútil a oração em praça pública, visto que seu maior propósito não é buscar a Deus, mas fazer-se visto pelos homens. Quando os líderes evangélicos colocam milhares na praça pública, eles estão dizendo ao mundo: somos numerosos. O descrente, como é esperto, faz a conta, se a população brasileira ultrapassa a marca dos duzentos milhões e os evangélicos representam 20%, logo estes são minorias, devem crescer mais para aparecer. Deus, de Sua parte, cruza os braços, porque a tática utilizada pelos líderes já alcançou seu objetivo, demonstrou seu poder visual de fogo, não levou em conta o poder espiritual que fora outorgado a igreja e não utilizado. Por outro lado, se os líderes evangélicos querem o envolvimento direto da parte de Deus em sua causa, precisam fazer o movimento oposto ao que estão propondo, isto é, voltar-se ao anonimato, em clamor pela nação.

Voltemos ao número de cargos comissionados que um presidente precisa nomear: mais de 20.000. Digamos que haja intensa oração por parte da igreja, por certo o Senhor Deus atuará nos bastidores da história para que estes 20.000 estejam alinhados com a oração da igreja. Neste caso a guerra será travada pelo próprio Deus em resposta a oração do Seu povo: o resultado será vida tranquila e mansa. Agora, se um líder evangélico fizer esta proposição, talvez a história nem saiba de sua atuação nos bastidores da história. Isso não engradeceria seu nome, isso não lhe daria poder para fazer arranjos políticos, isso não lhe daria condição de usufruir das benesses do poder. Entre o anonimato no poder de Deus e a publicidade nos braços do povo, os líderes evangélicos preferem a atuação política nos mesmos termos que faziam os fariseus nos dias de Jesus.

Uma coisa é certa, basta fazer o cálculo para se perceber que, quanto mais a igreja se envolve diretamente na política, mais notícias de escândalos envolvendo a própria liderança evangélica se tem notícia. Isto porque a igreja entrou na mesma categoria dos partidos políticos, abstendo Deus de envolver-se diretamente para um lado ou outro, visto que Seu juízo já foi emitido: “Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa” (Mt 6.5)

Clique e comente este texto

“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

Clique para o Plano de salvação por pergunta

Clique para o Estudo para novo convertido - 01/10

Clique para o Estudo para batismo 01/10

Clique para o texto Ministração para libertação interior e perdão

Clique e de seu testemunho de aceitar a Cristo como Senhor e Salvador pessoal