Diminuir a fonteAumentar a fonte 30/03/2008
Precavendo-se contra o proselitismo religioso
por Cezar Andrade Marques de Azevedo

www.cezar.azevedo.nom.br

A CONSULTA

Cezar
        
Estou com um problema. Eu não ia para a escola dominical da minha igreja por pura preguiça e terminei recebendo em casa alguns testemunhas de Jeová que ensinavam a minha irmã.

Estou ficando confuso com alguns textos da Bíblia, pois pelo pouco que sei algumas coisas de que eles ensinam não batem com a doutrina da minha igreja (Assembléia de Deus – Ministério Madureira). Por exemplo: eles dizem que nos seres humanos não podemos doar e nem receber sangue com base no texto bíblico de At 21:25:

“todavia, quanto aos gentios que tem crido, já escrevemos, dando o parecer que se abtenham do que é sacrificado aos ídolos, do sangue, do que é sufocado e da prostituição.”

Também dizem que não existe inferno, os mortos não estão conscientes de nada e a terra vai ser transformada e se tornara um paraíso como Adão tinha antes de pecar. O pior é que eles mostram isso na palavra de Deus (Bíblia).

Como saber se é verdade ou mentira? Se é seita ou não é?

Peço ao você alguma explicação, se puder é claro!

Nós podemos ou não doar sangue?

L. C. D.

A RESPOSTA

“Estou admirado de que tão depressa estejais desertando daquele que vos chamou na graça de Cristo, para outro evangelho, o qual não é outro; senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo.” (Gl 1:6,7)

L. C. D.

Você não é o primeiro, nem será o último a ser perturbado por doutrinadores de outras igrejas. Paulo, ao escrever a carta aos cristãos das igrejas na Galácia, já ficara admirado como eles tão facilmente se deixavam doutrinar por pretensos mestres que não tinham outro objetivo senão o de perverter o evangelho de Cristo (Gl 1:7).

Em certo sentido não é um mal em si mesmo o sermos questionados acerca da razão de nossa fé. Isto porque o apóstolo Pedro nos dá o seguinte conselho:

“antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (I Pd 3:15)

Já no início de sua fala você fez questão de ressaltar a origem de sua fragilidade, o de se afastar da escola bíblica, lugar onde temos a oportunidade de nos aprofundar no conhecimento da palavra de Deus, qualidade esta que você mesmo fez questão de ressaltar no final de sua escrita. Aliás, você se diz impressionado com o fato deles estarem utilizando da própria palavra de Deus para provar a você a razão deles. Você não deveria se impressionar com isso, quem usou com muita propriedade esta forma de proselitismo foi o próprio Satanás com Jesus Cristo. Note como o Diabo tenta referendar suas verdades usando da palavra de Deus para convencer o Filho de Deus a agir em conformidade com a vontade do Diabo:

“e disse-lhe:

Se tu és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito:

Aos seus anjos dará ordens a teu respeito; e: eles te susterão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra.

Replicou-lhe Jesus:

Também está escrito:

Não tentarás o Senhor teu Deus.” (Mt 4:6,7)

O Diabo tentou levar Jesus a saltar do pináculo do templo apresentando como evidência de livramento o Salmo 91:11, ao que o Senhor respondeu com base em Deuteronômio 6:16. Usualmente dizemos que o Diabo usou um texto para pretexto, descontextualizou a verdadeira mensagem das escrituras para induzir o Senhor Jesus ao erro. Como o Senhor conhecia a palavra com propriedade não se deixou enganar, antes com a própria palavra de Deus demonstrou o quanto o Diabo fora ardiloso. O que o Diabo de fato pretendia era forçar o Senhor Jesus tentar a Deus.

É óbvio que estes proselitistas irão lhe apresentar uma doutrina contrária àquela ensinada por sua igreja. Se fosse igual eles não pertenceriam aos Testemunhas de Jeová, mas seriam membros de sua igreja ou outra que tivesse doutrina equiparada. Também neste aspecto nada a admirar.

Observe como estes proselitistas argumentam com você: Primeiro eles lêem o texto citado para você:

“Todavia, quanto aos gentios que têm crido já escrevemos, dando o parecer que se abstenham do que é sacrificado a os ídolos, do sangue, do sufocado e da prostituição.” (At 21:25)

Paulo fazia referencia a uma decisão conciliar ocorrida em Jerusalém e registrada nos seguintes termos:

“Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da prostituição; e destas coisas fareis bem de vos guardar...” (At 15:29)

Esta decisão conciliar percorreu todas as igrejas cristãs e fora a sábia decisão tida pelos apóstolos, incluso Pedro e Paulo, acerca da desavença que ganhava corpo dentro da igreja cristã. Alguns cristãos estavam ensinado que a salvação só seria confirmada se o rito de Moisés, isto é, a circuncisão fosse aplicada aos gentios. Imagine o apelo destes proselitistas: “aceite Jesus Cristo e seja salvo circuncidando-se, a faca está logo ali atrás dos bastidores” – Nos termos bíblicos:

“Então alguns que tinham descido da Judéia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes, segundo o rito de Moisés, não podeis ser salvos.” (At 15:1)

Para dirimir as dúvidas e demonstrar que a salvação é em Cristo Jesus, Pedro argumentou nos seguintes termos:

“Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar?” (At 15:10)

Note que o apóstolo Pedro percebeu na tentativa de induzir os cristãos a circuncidar-se o mesmo elemento que o Diabo usara com Jesus Cristo – a circuncisão era um modo sutil de tentar a Deus, apenas exigida em outros termos. Leia como Pedro concluiu sua argumentação:

“Mas cremos que somos salvos pela graça do Senhor Jesus, do mesmo modo que eles também.” (At 15:11)

Resolutamente Pedro asseverou que a salvação é em Cristo Jesus, não tendo valor algum a circuncisão senão o de se tornar um peso para os cristãos. Por que então eles acharam por bem exortar aos cristãos para abster-se “do que é sacrificado a os ídolos, do sangue, do sufocado e da prostituição”? Vamos responder a esta pergunta com os argumentos extraídos do apóstolo Paulo, isto é, da palavra de Deus:

“Não é, porém, a comida que nos há de recomendar a Deus; pois não somos piores se não comermos, nem melhores se comermos. Mas, vede que essa liberdade vossa não venha a ser motivo de tropeço para os fracos. Porque, se alguém te vir a ti, que tens ciência, reclinado à mesa em templo de ídolos, não será induzido, sendo a sua consciência fraca, a comer das coisas sacrificadas aos ídolos? Pela tua ciência, pois, perece aquele que é fraco, o teu irmão por quem Cristo morreu. Ora, pecando assim contra os irmãos, e ferindo-lhes a consciência quando fraca, pecais contra Cristo. Pelo que, se a comida fizer tropeçar a meu irmão, nunca mais comerei carne, para não servir de tropeço a meu irmão.” (I Co 8:8-13)

O que Paulo dizia acerca de comer ou não carne sacrificada aos ídolos servia também aos gentios em relação aos judeus. Os judeus tinham sua consciência enfraquecida pelos anos de doutrinamento antes de serem cristãos. Para eles comer do que é sacrificado a os ídolos, da carne que contenha sangue e carne cujo animal foi morto por sufocamento é uma afronta a Deus. Portanto, neste caso era melhor não comer deste tipo de carne para não ofender a consciência destes judeus. A decisão conciliar de modo algum quis doutrinar os crentes sobre o que deve ou não servir de alimento, antes apenas permitir que a convivência dos gentios com os judeus fosse feita sem trauma. Ademais, sobre os alimentos nenhuma ordenança poderia ser no sentido de restringir certos tipos de alimentos porque o próprio Senhor já tornara puro todos os alimentos. Leia:

“Respondeu-lhes ele:

Assim também vós estais sem entender? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar, porque não lhe entra no coração, mas no ventre, e é lançado fora?

Assim declarou puros todos os alimentos.” (Mc 7:18,19)

Cabe a você decidir agora que palavra deve permanecer: a do Senhor ou a dos seus doutrinadores. Uma coisa interessante é que eles fizeram muita questão de falar acerca de alimentos, chegaram ao absurdo de confundir comer alimento com sangue com impedir alguém de doar sangue, acrescentando a palavra de Deus algo que decididamente ela não se manifesta a respeito, incorrendo no que está escrito:

“Eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro:

Se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus lhe acrescentará as pragas que estão escritas neste livro;

e se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus lhe tirará a sua parte da árvore da vida, e da cidade santa, que estão descritas neste livro.” (Ap 22:18,19)

O que ia dizer é ser interessante o fato de falarem tanto sobre alimento e nenhuma palavra sobre o não prostituir-se que estava contido nos mesmos textos que formavam a base bíblica deles. Se a palavra de Deus tivesse para eles o mesmo peso, por certo esta igreja seria a palatina contra a prostituição. Ninguém defenderia mais a exigência de não se prostituir que eles, mas não parece ser o caso.

No mais, um abraço fraternal, na paz do Senhor.

Cezar

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