Diminuir a fonteAumentar a fonte 12/05/2008
Optando por uma tradução da Bíblia
por Cezar Andrade Marques de Azevedo

www.cezar.azevedo.nom.br

A CONSULTA:

Ola! Acabei de ler um artigo do Irmão Alex – "Uma herança amarga - parte 3" e confesso não ter ficado sanado em minha duvida. Ele critica ferrenhamente a tradução NVI da Bíblia, mas não deixa claro qual tradução seja melhor ou mais fiel do que ela.

Ainda estou engatinhando na fé, sai da igreja romana faz 2 anos e preciso de uma nova versão da Bíblia sem os textos "apócrifos". Tenho uma versão da TEB produzida pela Edições Loyola em acordo com edições Paulinas, é uma versão traduzida da edição francesa Les Editions du Cerf e a Societe Biblique Française, considerada (por ela própria!) traduzidos do texto original hebraico e grego.

Estou bem satisfeito com a obra, não fossem os livros escritos muito depois da morte de Jesus. Gostaria de alguma elucidação, tendo em vista que não gostaria de adquirir de maneira alguma uma Bíblia que fosse de publicação ou voltada para uma igreja pentecostal, mas sim que fosse a tradução mais fiel dos textos hebraico, aramaico e grego.

Se puder ajudar agradeceria imensamente.

Graça e paz.

Sérgio

A RESPOSTA

“Visto que muitos têm empreendido fazer uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, segundo no-los transmitiram os que desde o princípio foram testemunhas oculares e ministros da palavra, também a mim, depois de haver investigado tudo cuidadosamente desde o começo, pareceu-me bem, ó excelentíssimo Teófilo, escrever-te uma narração em ordem para que conheças plenamente a verdade das coisas em que foste instruído.” (Lc 1:1-4)

Amado irmão Sérgio.

Suas preocupações quanto à tradução das escrituras são justas. A Bíblia foi originalmente escrita em hebraico, aramaico e grego. Os pergaminhos originais se perderam ao longo do tempo. O que temos são uma coletânea de textos com fragmentos que, somados, compõe toda a Bíblia como a conhecemos. Estudiosos dizem que a soma de tudo quanto foi encontrado acerca das escrituras permitem praticamente recompor os textos originais. Isto porque textos de diferentes épocas de textos semelhantes contêm o mesmo conteúdo. Quanto ao Antigo Testamento a exatidão é assegurada pelo fato que os massoretas tinham o cuidado de copiar o texto, depois contar para saber se o número de letras estava correto em relação ao texto copiado.

A tradução traz um problema de outra natureza, que é procurar traduzir para a língua do leitor os termos que mais se aproximam da idéia da língua original. Neste sentido temos a tradução de João Ferreira de Almeida. Este tradutor fez seu trabalho a partir dos textos originais em grego e hebraico para o português. Parece-me que a tradução utilizada pelos católicos foi mediada pelo latim, ou seja, houve uma tradução do hebraico e do grego para o latim, depois do latim para o português. Obviamente há perca de conteúdo neste processo.

A tradução de João Ferreira de Almeida veio direto do hebraico e grego para o português. Das versões temos a corrigida e a atualizada. A corrigida teve por preocupação traduzir palavra por palavra. Se observar uma versão qualquer notará algumas palavras em itálico. Estas não constam no original, contudo ali estão para poder completar o sentido da frase. Por optar por este sistema de tradução é muito mais técnica no uso das palavras, contudo mais truncada na leitura.

A versão atualizada fez um caminho diferente, optou por traduzir o sentido da frase, portanto por ela é possível notar a ênfase do verbo em uma condição que não é possível na corrigida. Uma versão posterior, conhecida como “melhores textos gregos e hebraicos” segue o mesmo princípio da atualizada, contudo em textos mais recentes, contudo colocando em colchete parte do texto encontrado na versão atualizada.

Como estas edições tem copyright, todas as traduções diferentes destas são obrigadas a não usar um conjunto de palavras, razão porque a tendência é que fiquem bem mais distante do conteúdo original do texto bíblico em hebraico e grego.

O que posso lhe dizer é ser mais seguro a versão corrigida e atualizada de João Ferreira de Almeida. A opção fica por saber se prefere uma versão mais pontuada em termos de palavra por palavra (corrigida) ou se opta por uma versão mais próxima da força do sentido da frase (atualizada). Estas duas devem aferir todas as demais traduções.

Uma coisa é certa. Quanto maior o número de opções em traduções maior a necessidade de conhecer as línguas originais grego e hebraico para sanar possíveis dúvidas.

Um abraço fraternal.

Cezar

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