Diminuir a fonteAumentar a fonte 14/06/2014
Aquele que começou há de terminar
por Cezar Andrade Marques de Azevedo
www.cezarazevedo.com.br

“Jesus, tomando o cego pela mão, levou-o para fora da aldeia e, aplicando-lhe saliva aos olhos e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês alguma coisa? Este, recobrando a vista, respondeu: Vejo os homens, porque como árvores os vejo, andando. Então, novamente lhe pôs as mãos nos olhos, e ele, passando a ver claramente, ficou restabelecido; e tudo distinguia de modo perfeito.” (Mc 8.23-25)

Nós temos nesta cena uma das curas mais estranhas realizadas pelo Senhor Jesus em Seu ministério terreno. Diferente de todas as outras, esta cura se deu em duas fases: Na primeira o homem saiu da condição de absolutamente cego para a condição de enxergar alguma coisa difusa. Na segunda etapa, após avaliação da interação médico-paciente, ele teve sua visão plenamente restabelecida. Se nós considerarmos que todas as demais curas foram instantâneas, contudo hoje não é uma regra, temos de assumir que esta cura, que se constituiu em uma exceção no ministério de Jesus, é a regra dos dias atuais. Na verdade foi necessário que o Senhor Jesus realizasse uma cura em duas fases para entendermos um princípio importante do reino de Deus: o agir de Deus é instantâneo, contudo a consequência deste agir é processual.

Para compreendermos esta relação instantânea e processual, precisamos primeiro distinguir quem é Deus, quem somos nós. Deus é o criador dos céus e da terra (Gn 1.1). Desta declaração se infere mais coisas do que a frase aparenta. Observe que o universo criado está na dimensão do tempo e do espaço. A palavra “princípio” impõe a percepção que o universo teve um começo que se estende no tempo adiante. Esta é a razão de podemos declarar que o universo criado tem 15 bilhões de anos. Os elementos “céus” e “terra” faz-nos observar que o universo é um sistema formado por uma infinidade de subsistemas, cada um deles ocupando espaço no ambiente. Como toda esta realidade criada foi realizada por Deus, Ele próprio está absolutamente fora deste escopo, razão porque quando é declarado a natureza de Deus, nos é dito que Deus é Espírito (Jo 4.24), portanto está fora e transcende a toda coisa criada. Se o universo se encontra na dimensão do tempo e do espaço, em Deus estando fora desta dimensão, o Senhor está no permanente eterno, não teve princípio, nunca terá fim, não só isso, mas o passado, presente e futuro é, diante de Deus, um único instante.

Quando nós olhamos para o agir de Deus, como somos atores inseridos no contexto do tempo, só conseguimos compreender este agir a luz do calendário: ou Deus fez no passado, ou faz no presente, ou fará no futuro. Para Deus pouco importa, quando Ele age, já o fez nas três dimensões do tempo: passado, presente e futuro. Explicando melhor, o evento da crucificação de Jesus Cristo se deu no ano 29 ou 33 da era cristã. Para nós este evento ocorreu no passado, para Abraão, era uma expectativa futura. Para Deus o evento ocorreu desde a fundação do mundo (Ap 13.8), isto é, no instante zero, quando Deus fez criar a primeira das primeiras matérias, naquele exato instante Ele executou a sentença da cruz em Jesus Cristo. Para que a criatura entendesse o agir de Deus, o evento já executado na esfera da eternidade levou 15 bilhões de anos para se manifestar na terra. Alguém pode contra argumentar: por que Deus executou a Sua sentença se nenhuma obra fora realizada, nenhum pecado cometido? No plano do cronológico, Adão pecou algum tempo depois que nasceu, mas aos olhos de Deus, toda obra humana já estavam concluídas aos olhos de Deus desde a fundação do mundo (Hb 4.3), isto é, desde o instante  zero, como também o resultado final da decisão salvítica de todo ser humano também já estava definida desde a fundação do mundo, razão porque fora nesta época que o reino de Deus nos fora preparado (Mt 25:34). 

Muitos não entendem a doutrina da eleição e predestinação porque tenta enxergá-la no plano da cronologia, contudo Paulo, ao argumentar a predestinação, fez-nos saber em que tempo ela ocorreu. Lemos: 

“nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Ef 1.4,5)

Observe que Paulo faz menção a uma decisão ocorrida na eternidade passada com impacto na cronologia humana. Observe ainda que ele não utiliza o termo “desde a fundação do mundo”, mas “antes da fundação do mundo”. Alguém poderia dizer que se o “desde” trata do momento zero e o “antes” algo menos que zero, portanto no tempo que configuramos como eternidade passada, não faria diferença alguma o antes e o desde, visto que todos os dois eventos são anteriores a criação. No máximo o tempo zero – “desde” poderia ser considerado concomitante ao primeiro dos primeiros elementos criados. Atentemos para o complemento. O que aconteceu antes da fundação do mundo foi a escolha da santidade e irrepreensibilidade, que, comparado a quem Deus é, podemos dizer que está em consonância com Sua natureza, caráter e personalidade. Como Deus é Espírito, estas qualidades é fundamentalmente uma qualidade do Espírito, razão porque nos é atestado que fomos feitos a imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26). Agora a redenção depende do pecado e este só tem significância se a criação tiver ocorrida. Como Deus determinou criar todas as coisas e a colocou em execução à partir do instante zero com plena convicção de todos os eventos daquele primeiro instante até adentrar na eternidade futura, a decisão e implicações da redenção já estava configurada na necessária escolha. Entenda, se Deus escolheu alguém para ser santo e se este necessariamente haveria de fazer parte do conjunto daqueles que vivenciaram a queda, então necessário se faz determinar que ele está predestinado, ou seja, que haverá um tempo futuro que a decisão deste individuo está em consonância com sua escolha, ou seja, ele necessariamente será salvo, pois fora predestinado. Com isso declaramos que ninguém pode ser predestinado sem antes ter sido escolhido para ser santo e irrepreensível, visto esta escolha ter antecedido a todas as demais.

Para entendermos esta lógica, digamos que a entidade “número” não exista. Digamos que Deus tenha escolhido que se um dia “número” existir, ele só poderá existir em uma única condição, que seja “par”. E por que Ele faria esta escolha: Porque o homem foi criado a imagem e semelhança de Deus e em Deus se contam dois – “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30), que se torna um. Par é todo número dividido por dois com resultado inteiro. Eis que Deus cria Adão, o primeiro homem, portanto, número impar. Ele seria escolhido? Não, só o número par é escolhido. Eis que surge um segundo Adão, alguém que compartilha a mesma característica dele, isto é, que tenha sido criado perfeito, este é Jesus Cristo, nascido sem pecado (Hb 4.15). Ele então é escolhido, como está escrito: “Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante”  (I Co 15.45). Se a escolha divina fosse tão somente baseada neste critério (para efeitos de raciocínio), então para que o resultado final pudesse ser alcançado, teríamos que formar uma linha numérica de Adão até Jesus, sendo Adão o primeiro, o filho dele o segundo, o neto o terceiro e assim sucessivamente, chegando em Jesus como sendo numerado pela descendência de número cem (por esta conta, 4.000 anos de história, geração de 40 anos, temos 100 gerações). Se Jesus fosse exatamente o número 100, Ele seria escolhido, como de fato foi. Por conclusão todo número impar teria rejeitado a salvação, todo número par recebido. De algum modo Deus teria de fazer com que a decisão de livre arbítrio de cada indivíduo nestas 100 gerações se ajustasse aos desígnios estabelecidos por Ele na eternidade passada. Como isso poderia ser feito só Deus sabe, por isso Ele é Deus, não nós.

Nosso problema nasce quando tentamos compatibilizar nosso entendimento no cronológico com a certeza de Deus no plano eterno, que corresponde para Ele a um único instante. Todas as nossas cogitações se tornam insanas, visto não conhecermos todas as variáveis levadas em contas para Deus determinar Sua própria escolha e para predestinar nos Seus próprios termos. Muitos, que não tem a devida humildade para aceitar sua limitação, prefere, ou negar as doutrinas da escolha e predestinação, ou ajustá-la a sua capacidade de entendimento. Basicamente sua lógica é a seguinte: - se eu não consigo compreendê-la, ninguém é capaz, portanto reduzo a doutrina à minha capacidade de compreensão.

Agora voltemos a cura realizada por Jesus Cristo. Primeiro Ele levou o cego para um lugar ermo. Com isso o Senhor está a demonstrar que quer falar conosco na qualidade de indivíduos. Paulo, que ao receber a revelação divina ficou cego, depois de ter seus olhos abertos, fazendo-o discernir que a conversão é um processo que nos tira das trevas para a luz, escreveu: “Quando, porém, ao que me separou antes de eu nascer e me chamou pela sua graça, aprouve revelar seu Filho em mim, para que eu o pregasse entre os gentios, sem detença, não consultei carne e sangue” (Gl 1.15,16). Quantos estão deixando de receber algo de Deus porque se recusam sair do seu meio social e se apresentar na solidão de sua própria consciência, disposto a ouvir Deus? Para estes se o que Deus lhe fala não é validado por seus parentes, conhecidos e amigos, então não pode ser Deus falando. Esquece que ele, como todo nascido de mulher, estão mortos em seus delitos e pecados (Ef 2.1) e, portanto, para sair deste estado de morte, necessariamente o conhecimento de Deus vai criar um abismo de compreensão entre quem por Deus é despertado e os demais que permanecem mortos nos seus pecados. Se Ele quer entender o que se passa com ele, precisa continuar na presença de Deus e conversando com o próprio Deus, como aconteceu com o cego diante de Jesus, o Filho de Deus. Como tudo quanto Deus diz está escrito na Bíblia, significa que este que fora desperto por Deus, precisa ler a Bíblia até entender Deus, caso contrario incorre no erro de deixar-se levar por uma multidão morta nos seus delitos e pecados, os ímpares que nada comunica a Deus.

Por fim, se o cego foi separado por Jesus Cristo para ser curado por Jesus Cristo e, na sua avaliação, a cura está incompleta, precisa permanecer diante do mesmo Jesus Cristo para que o processo complete. Isso implica em uma atitude de fé. O ex cego poderia ficar satisfeito com a cura pela metade e indo a um oculista, se houvesse, buscando uma lente corretiva. Ele não fez isso, antes permaneceu diante de Jesus Cristo para que o processo finalizasse em conformidade com o padrão divino. Com isso aprendemos que Deus age de forma instantânea, alias, já agiu na eternidade passada, nós é que dependemos da cronologia para podermos compreender o que Deus está fazendo conosco, por isso tenhamos fé e esperança, a obra de Deus vai ser concluída como está escrito: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus” (Fl 1.6).


Clique e comente este texto

“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

Clique para o Plano de salvação por pergunta

Clique para o Estudo para novo convertido - 01/10

Clique para o Estudo para batismo 01/10

Clique para o texto Ministração para libertação interior e perdão

Clique e de seu testemunho de aceitar a Cristo como Senhor e Salvador pessoal