Diminuir a fonteAumentar a fonte 15/06/2014
Fé move mente e coração
por Cezar Andrade Marques de Azevedo
www.cezarazevedo.com.br

Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem. (Hb 11.1)

Certeza e convicção, dois elementos inseparáveis da fé. Este texto me chamava a atenção por dar a definição do que seja fé, contudo ao me atentar melhor nas duas palavras chaves, pude inferir que estes termos estão associados ao coração e à mente, respectivamente. Se compreendermos esta associação à luz do ensino bíblico acerca de um e de outro, poderemos desenvolver nossa fé com maior propriedade. Antes uma palavra acerca desta ordem – coração e mente. Em um sentido a ordem tinha de ser inversa, se houver relação entre mente e coração, por questão de temporalidade, antes de qualquer coisa mudar no coração, a mente precisa ser renovada. Sabemos disso porque Paulo nos ensina que para sermos transformados, primeiro precisamos ter a mente renovada (Rm 12.2). Por outro lado como a transformação é uma ação divina e soberana no interior do ser, uma vez realizada, a ordem se inverte, pois a fé, para se evidenciar precisa dos dois elementos devidamente alinhados, assim a fé só se realiza depois que o coração foi transformado em decorrência da mente ter sido renovada.

Façamos agora o caminho conceitual que nos leva a associar certeza e convicção ao coração e à mente. Por certeza, segundo o dicionário on line, entende-se o conhecimento certo, total e absoluto, sendo transliterada no grego por hupostasis. Esta palavra no grego significa confiança, segurança, pessoa ou substância e se encontram na Bíblia nas seguintes passagens: 2 Coríntios 9:4, 2 Coríntios 11:17, Hebreus 1:3, Hebreus 3:14 e Hebreus 11:1. Chamo atenção ao significado de “pessoa ou substância” encontrada em Hb 1.3: Jesus é o “resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser [de Deus]...”. Se fizermos a correlação conosco, o que se define como sendo nossa substância é o que Paulo chama de “homem interior” (II Co 4,16 e Ef 3.16) que se constituí em nosso espírito, lugar da habitação do próprio Espírito de Deus conforme lemos: “... aquele que se une ao Senhor é um espírito com ele” (I Co 6.17). Para entendermos como o espírito humano se relaciona com o coração, temos ainda um longo caminho conceitual a percorrer.

O coração é, por natureza, extremamente enganoso (Jr 17:9). Poderíamos declarar que este engano é resultante de nossa natureza caída. Ainda que esta seja, em grande medida, a explicação da razão porque o coração se engana tão facilmente, existe outra razão de natureza menos teológica. O coração é o centro da individualidade humana. Ele é o receptor e emissor de todas as condicionantes do ser, após seu devido processamento. Explicando melhor. O corpo humano tem cinco sentidos: visão, audição, tato, paladar e olfato. Todas as informações recebidas simultaneamente por estes órgãos são encaminhadas ao coração. A alma é formada pela mente (órgão pensante), emoções e vontade (órgão decisório). Tudo que é processado nestas instâncias simultaneamente seguem para o coração. O espírito é formado por habitação ou comunhão, intuição e consciência. A habitação ou comunhão é o íntimo do íntimo do espírito e local da habitação do Espírito Santo (I Co 6.17). A intuição é o local para onde o Espírito Santo reporta o conhecimento transmitido ao crente e geralmente é recebido no âmbito da alma em forma de insights. Por fim a consciência é o órgão do espírito que o crente tem governabilidade, isto é, ele pode exercer a sua consciência por sua própria deliberação, única parte do espírito que ele consegue acessar por sua própria vontade. Todas estas três instâncias enviam também informações ao coração. Basta considerar que o coração está recebendo e processando informações contínuas de todas estas instâncias: corpo, alma e espírito, para compreender a dificuldade de entender o que se passa no coração. Só Deus na causa, como está escrito: “Eu, o SENHOR, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isto para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto das suas ações” (Jr 17.10).

No mesmo dicionário on line convicção se define como sendo a opinião obstinada acerca de alguma coisa ou crença baseada em provas. A palavra convicção, no grego transliterado por elegchos, é encontrada em dois textos bíblicos: II Tm 3.16 e Hb 11.1. Em II Tm 3.16 é traduzida por repreensão, mas ela também tem o significado de prova. No quesito convicção o termo relacional mais importante é “crença”. As crenças se formam no inconsciente e são geralmente estruturadas na primeira infância, ainda que possam ser modificadas posteriormente. A linguagem do inconsciente é binária, isto é, um sistema de codificação que se baseia em dois signos. Aplicado a computação de dados, ela se fundamenta no zero e no um, que se alternam, formando milhões de blocos lógicos complexos. Só para ter uma ideia da dimensão destas informações processadas na mente, segundo o Dr. Bruce H. Lipton, biólogo, a mente inconsciente processa cerca de 20 milhões de estímulos ambientais por segundo, enquanto que a mente consciente só consegue processar 40 estímulos no mesmo segundo. Não é possível dizer que a mente opera com estes dois números - zero e um, contudo temos uma pista de como se faz a gravação do inconsciente por uma palavra dada pelo Senhor Jesus, no qual disse: “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno”  (Mt 5.37). Aqui temos a expressão binária que grava a convicção – ou é sim, ou é não. O duplo sim ou duplo não apontam a lógica binária. Para compreendermos a relação da mente com este sistema binário do inconsciente, leiamos outro texto bíblico:

“Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração.” (Hb 4.12)

Observe o final deste texto: a correlação entre pensamentos e propósitos do coração. Sabemos que os pensamentos ocorrem no nível da mente. Habitualmente pensamos muito, este é um ato que não cessa. Dormimos pensando, acordamos pensando, passamos o dia todo pensando e, ao que parece, só paramos um pouco de pensar quando falamos, ainda assim muitos conseguem fazer os dois simultaneamente, os mais disciplinados pensam o que falam. Propósito ou intenção corresponde a uma decisão do que se pretende fazer. No nível da mente, esta convicção se dá em meio aos pensamentos e, se não atentarmos, passa quase despercebido. Um exemplo, pensamos algo do tipo: - gosto disso, não gosto disso, gosto disso, não gosto disso. Em dado momento dizemos para nós mesmo: - tenho certeza: é disso que gosto. Logo em seguida os pensamentos voltam a ficar na dúvida: - gosto disso, não gosto disso, gosto disso, não gosto disso. Aquele instante do pensamento em que se determinou: - tenho certeza, gosto disso, neste exato instante se estabeleceu uma convicção e a mensagem ficou gravada no inconsciente. Deste momento em diante, mesmo que eu haja um processo mental de dúvida, para o inconsciente ficou definido de uma vez por toda que a verdade é que o indivíduo gosta daquilo que decidiu naquele instante.

Como pudemos verificar, tanto a instância da mente quanto do coração carrega em si uma carga de dificuldade terrível para ser equacionada. Nós pensamos, mas não temos governabilidade sobre o que é gravado no inconsciente. Nosso coração processa informações, mas não temos capacidade de discernir a resultante gerada por ele. Por outro lado não somos refém deste estado caótico de nosso ser. Deus criou um mecanismo que, se aprendermos a operar em cooperação com Ele, temos condição de direcionar a resultante da mente e do coração para experimentarmos a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Rm 12.2), no pleno exercício da fé (Hb 11.1). Se operarmos neste nível, podemos ver nossa fé aprovada como foi a do cego que encontrou-se com Jesus. Leiamos a cena deste evento:

Perguntou-lhe Jesus: Que queres que eu te faça? Respondeu o cego: Mestre, que eu torne a ver. Então, Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E imediatamente tornou a ver e seguia a Jesus estrada fora. (Mc 10.51,52)

Esta cena não parece ter nenhum nível de dificuldade, senão a representação do óbvio. Jesus pergunta ao cego o que ele quer, ele responde que quer ver. Nada mais lógico. Ocorre que, ao efetuar a cura, o Senhor Jesus declarou que fé daquele cego o havia salvo. Se considerarmos que o exercício da fé exige certeza e convicção, então temos de deduzir que o cego teve certeza que Jesus Cristo tinha poder para curá-lo porque seu coração estava alinhado com o Espírito de Deus e sua mente com a palavra de Deus. Para ele ter alcançado este nível de aprovação, por certo ele executou uma única e simples tarefa que desencadeou toda a operação divina. Primeiro ele renovou sua mente em um processo cíclico que gerou as intenções de verdade reprogramando o inconsciente dele, fazendo com que sua crença operasse neste nível. Quando o volume de crença no agir de Deus atinge o limite necessário, Deus desencadeia uma limpeza no coração por meio da transformação. Esta transformação ocorre porque a mente direcionou o coração por suas crenças profundas a voltar-se para o espírito humano e, por consequência, contemplar o Espírito de Deus que ali habita (II Co 3.18). Então o Espírito Santo executa as operações necessárias para produzir a transformação, isto é, o completo realinhamento da essência de nosso ser para com o próprio Deus. Então o que pedimos está em absoluta consonância com a vontade de Deus, tanto no nível da mente, como do coração, a fé entrou em operação. 

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