Diminuir a fonteAumentar a fonte 16/06/2014
Discernindo os ungidos
por Cezar Andrade Marques de Azevedo
www.cezarazevedo.com.br


E ele lhes respondeu: Vede que ninguém vos engane. (Mt 24.4)

Se tem um assunto que se constitui em mistério para muitos cristãos, este é acerca da volta de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Como se não tem a sequência dos acontecimentos dos últimos dias, há uma tendência dos interpretes de colocar todos os eventos em linha, como se acontecessem simultaneamente ou então indicar seu início para antes ou depois de sua verdadeira ocorrência. Com este tipo de interpretação, primeiro, torna os acontecimentos dos últimos dias uma colcha de retalho ou então base de texto para pretexto. É interessante que o Senhor Jesus inicia sua prédica exortando o crente para que este não seja enganado com as mais variadas interpretações que possam surgir. É por esta razão que logo na sequencia faz a seguinte advertência: “Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos” (Mt 24.5).

Primeiro precisamos fazer observar que o cumprimento deste vaticínio tem sido tão bizarro que é impossível o Senhor Jesus estar se referindo a ele. Por exemplo, o Portal Gospel Prime fez uma lista dos falsos messias dos últimos séculos. Nesta lista constam John Nichols Thom (1799-1838), Arnold Potter (1804-1872), Bahá’u’lláh (1817-1892), William W. Davies (1833-1906), Mirza Ghulam Ahmad, (1835-1908), Lou de Palingboer (1898-1968), Haile Selassie I (1892-1975), Ernest Norman (1904-1971), Krishna Venta (1911-1958), Ahn Sahng-Hong (1918-1985), Sun Myung Moon (1920-2012), Jim Jones (1931-1978), Marshall Applewhite (1931-1997), Wayne Bent (1941 -), Ariffin Mohammed (1943 -), Matayoshi Mitsuo (1944 -), José Luís de Jesús Miranda (1946 – 2013), Inri Cristo (1948 -), Shoko Asahara (1955 -), David Koresh (1959-1993), Marina Tsvigun (1960 -), Sergey Torop (1961 -), David Shayler (1965 -), Oscar Ramiro Ortega-Hernandez (1990 -) e Alan John Miller (1962 -). A lista está toda ela citada tão somente para os mais curiosos pesquisarem acerca daqueles que acharem por bem, mas uma coisa é certa, qualquer que seja a teologia ou doutrina propostas por estas falsos cristos, somente os de menor preparo na palavra de Deus se deixariam enganar por eles, porquanto suas propostas são predominantemente bizarras ou esquisitas, como o último da lista que se diz ser o Cristo enviado com o único e exclusivo propósito de matar o presidente Barack Obama, que seria o Anticristo.

Não creio que o Senhor esteja falando diretamente deste tipo de gente, se bem que eles também são incluídos no rol dos falsos cristos. Paulo nos dá uma pista de qual seria a verdadeira intenção do Senhor em nos alertar para não nos enganarmos com os falsos cristos. E, quando nos depararmos de como podemos realmente compreender esta exortação, deveríamos redobrar nossos cuidados, pois muito de nós podem estar sendo profundamente enganados por falsos cristos porque não os reconhece como tais, ainda que eles declarem por seus ensinos, pregações e estilos de vida, como um verdadeiro falso cristo. Só que antes de apresentar a pista dada pelo apóstolo, consideremos o que “Cristo” significa.

O termo Cristo, do grego transliterado “Khristós” e no hebraico “Māšîaḥ” significa “ungido”. O ungido era alguém que fora separado para cumprir uma missão especial após passar por uma cerimônia onde óleo era derramado sobre sua cabeça, como aconteceu com Arão em sua consagração para o sacerdócio (Ex 29.7).  Davi também foi ungido como rei de Israel com cerimônia similar (I Sm 10.1). Dizem que a unção era prática corrente entre os pastores que derramavam óleo na cabeça das ovelhas para imuniza-as contra piolhos e insetos que, por ficar escorregadia a lã, eles não conseguiam se fixar no corpo da ovelha, fazendo com que a unção se tornasse sinônimo de benção, proteção e capacitação . Há de se observar que os pastores e outros líderes da igreja nos dias atuais são ungidos com óleo para referendar a escolhas deles para os cargos que ocupam, razão porque ungido também significa escolhido. Neste sentido Jesus Cristo foi escolhido por Deus para uma missão específica conforme podemos ler: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres...” (Lc 4.18).

Voltemos aos termos em que o Senhor Jesus fez a advertência: “Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos” (Mt 24.5). Observe que o Senhor não disse que muitos viriam declarando ser pessoalmente serem “Jesus Cristo”, mas sim, “Eu sou o Cristo”, adicionando que fariam isso em nome de Jesus. Vamos substituir o termo Cristo por seu significado, muitos se anunciariam dizendo: “Eu sou o ungido que vim em nome de Jesus”. Se substituirmos o termo pelo cargo que recebeu a unção, este diria de si: “Eu sou o pastor ungido que vim em nome de Jesus”. Considerando esta significação, toda e qualquer pessoa que tenha sido escolhido para um cargo na igreja cristã e, para este cargo ele tenha passado pela unção com óleo, este poderia ser o falso Cristo a quem Jesus se refere. Com isso a lista dos potenciais candidatos para serem os falsos cristos os quais Jesus fez referência aumenta geometricamente. Assim os falsos cristos podem ser quaisquer apóstolos, evangelistas, profetas, pastores e apóstolos de qualquer igreja ou denominação evangélica que, no exercício do seu cargo feito sob a unção do óleo esteja pregando ou ensinando conteúdo que o caracterize como falso cristo ou falso ungido ou falso escolhido. Se Jesus era o ungido de Deus que veio para pregar o evangelho ao pobre, por inferência qualquer que esteja pregando um falso evangelho usando da unção que lhe foi concedido é um falso cristo, acerca dos quais Paulo escreveu:

Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. (Gl 1.6-8)

Tem um filme por nome: “dormindo com o inimigo” que, aplicado ao contexto que o Senhor Jesus está inserindo o falso cristo e, nos termos em que Paulo os apresenta, poderíamos dizer: “adorando a Deus com os falsos ungidos ou cristos”. Isto porque o objetivo da ministração sobre cada cristão é leva-lo a uma experiência de intimidade com Deus que faz com que Cristo seja formado em sua personalidade (Gl 4.19). Paulo experimentara estas transformações com tanta profundidade que deu o seguinte testemunho de como fora recepcionado pelos gálatas: “E, posto que a minha enfermidade na carne vos foi uma tentação, contudo, não me revelastes desprezo nem desgosto; antes, me recebestes como anjo de Deus, como o próprio Cristo Jesus” (Gl 4.14). Com isso Paulo estava nos fornecendo a mais importante pista para reconhecer um falso cristo, pois em oposição a seu testemunho, um falso cristo é todo aquele que se faz passar por ungido de Deus para o exercício dos cargos tais como apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres, contudo na verdade são falsos cristos ou falsos ungidos.

Se estudarmos com atenção a carta de Paulo aos gálatas, a proeminência e exatidão do evangelho recebia tão elevada importância que Paulo chegou a declarar que se ele próprio ensinasse outro evangelho daquele que primeiro ele comunicara a igreja, qualquer cristão estava devidamente autorizado a rejeitar seu ministério. Leia como Paulo colocou isso: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema” (Gl 1.8). Com isso Paulo nos ensina que ninguém será justificado por aceitar um falso cristo com a escusa que não avaliou o conteúdo de sua pregação, aceitando-o tão somente pelo que ele declarava ser: um ungido, um cristo.

Diante desta revelação surge a pergunta: como podemos identificar um falso cristo? Paulo nos ensina que eles são fundamentalmente inimigos da cruz de Cristo (Fl 3.18), complementando: “O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas” (Fl 3.19). Observe o final da instrução do apóstolos – eles só se preocupam com as coisas terrenas. Se atentarmos bem, veremos que a moderna teologia da prosperidade tem por foco a formação de riquezas materiais nesta dispensação. Praticamente todas as pregações dos que estão focados nesta teologia tem como ponto de convergência o momento da oferta expressa em dinheiro, cheque ou mesmo cartão de crédito, visando receber cem vezes mais pelo exercício de sua fé. Para eles o que o próprio Senhor Jesus declarou é de somenos importância: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam” (Mt 6.19). Também o ensino de Paulo é ultrapassado e impensável nos dias atuais: “Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes” (I Tm 6.8). Terminemos reapresentando a exortação do Senhor: “Vede que ninguém vos engane. Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos” (Mt 24.4,5).


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