Diminuir a fonteAumentar a fonte 22/06/2014
Ficando apercebidos
por Cezar Andrade Marques de Azevedo
www.cezarazevedo.com.br

“Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá. Quem é, pois, o servo fiel e prudente, a quem o senhor confiou os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo? Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo assim. Em verdade vos digo que lhe confiará todos os seus bens.” (Mt 24.44-47)

O Senhor Jesus nos exorta a sermos vigilantes, pois o Filho do Homem virá. Para compreendermos o significado desta exortação, precisamos considerar as profecias de Jeremias, cumprida nos dias de Daniel e as profecias do próprio Daniel. A Babilônia assumiu a hegemonia da região de sua área de influência no ano de 609 a.C., tendo Jeremias advertido que estas nações, inclusive Israel, deveriam se submeter a ela, caso contrário seriam desoladas (Jr 27.6-8). Jeremias profetizou que este domínio perduraria por 70 anos (Jr 25.11). No ano de 598 a.C. Jerusalém foi sitiada e o rei Joaquim rendeu-se voluntariamente, ocorrendo a primeira deportação de judeus para a Babilônia (II Rs 24.10-12). Em 587 a.C. Jerusalém e seu templo foram destruídos pelos babilônicos, sendo feito prisioneiro e deportado o rei Zedequias e todos os judeus de posse, permanecendo apenas os pobres na terra (II Rs 25.1-12). Dentre os que foram deportados estavam Daniel, Hananias, Misael e Azarias (Dn 1.6). Daniel, compreendeu, ao estudar as profecias de Jeremias, que o cativeiro finalizaria no ano de 539 a.C., quando se completaria 70 anos do domínio da Babilônia (Dn 9.1,2), o que de fato ocorreu (Dn 5.30,31).

Daniel, experimentado no cumprimento de profecias, teve a oportunidade de interpretar o sonho do rei Nabucodonosor. Este viu uma grande estátua formada por diversos materiais. Na interpretação Daniel revelou que cada um deles representava um reino diferente, o primeiro deles o próprio império babilônico representado pela cabeça de ouro (Dn 2.38). O estudos dos outros reinos demonstram a seguinte sequência: Império Medo-Persa, Grego e Romano. O império Romano recebe destaque especial, porque depois de sua primeira fase, ele aparece novamente como sendo o último império mundial sob a forma de um reino formado por dez nações, sendo três delas subjugada pelas demais. O fato relevante desta visão diz respeito ao modo como todos os reinos foram destruídos, descreve Daniel: “nos dias destes reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído; este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos estes reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre” (Dn 2.44). Mais tarde o próprio Daniel teve a visão destes mesmos reinos em forma de animais, o último deles completamente diferente dos demais por ter dez chifres e, no meio destes, um pequeno chifre com “olhos, como os de homem, e uma boca que falava com insolência” (Dn 7.8). Após este quadro aterrador, Daniel viu algo ainda mais impressionante, conforme o testemunho que ele mesmo deu: “Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído.” (Dn 7.13,14). Este reino eterno, representando pela pequena pedra na primeira visão e como o Filho do Homem, nesta, demonstra a supremacia final do reino de Deus sobre todos os governos humanos. Quando o Senhor Jesus advertiu acerca da vinda do Filho do Homem, estava fazendo referência ao cumprimento desta visão de Daniel.

Nós estamos nos referindo a eventos que ocorreram a 2.500 anos atrás e apontando para eventos futuros que hão de ser cumpridos adiante de nós em um número indefinidos de anos. Nossa mente não consegue trabalhar com este tipo de horizonte temporal, visto muitos de nós sermos incapazes de planejar o que virá acontecer nos próximos cinco ou dez anos. Este ano, em especial, teremos eleições presidenciais e governamentais. As plataformas políticas apresentadas visam nos dar esperança de dias melhores e podemos facilmente ficar encantados com este mundo utópico que os candidatos pretendem construir. Olhando para o horizonte temporal de 4 anos, bem como avaliando nosso próprio tempo de vida, que para muitos podem chegar a setenta ou oitenta anos, os mais aquinhoados muito mais que isso, temos a tendência de querer assegurar que o ideal é o candidato que possa nos dar “vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito” (I Tm 2.2). Neste cenário não estamos a considerar que antes deste prazo terminar, o Filho do Homem pode voltar. Pedro fala de um tipo de gente que pensa nos seguintes termos: “Onde está a promessa da sua vinda? Porque, desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação” (II Pd 3.4). Para estes estudar as profecias não é mais do que pura perda de tempo.

Como podemos interagir com a expectativa profética da vinda do Filho do Homem. A primeira coisa que temos de levar em conta é que o povo de Israel já está devidamente posicionado em sua terra, o que implica dizer que o dia e hora do arrebatamento podem acontecer a qualquer momento. Devemos levar em conta também que as nações estão se articulando nervosamente para adquirir a configuração das dez nações profetizada por Daniel. Estas dez nações provavelmente assumirão forma de blocos de nações, como é o caso do Nafta, Mercosul e a União Europeia. Compreendendo isso, temos de levar em conta que o impedimento para que a configuração assuma a posição final é a vinda do anticristo, o problema é que para ele surgir é necessário que ocorra o arrebatamento da igreja, visto ser ela, como também o Espírito Santo nela, impedimento para ele se manifestar (II Ts 2.7). Assim, seja por Israel estar em sua terra, seja pelas alianças entre as nações, tudo isso evidencia a proximidade do arrebatamento da igreja. Então nos perguntamos de novo, como devemos agir nestes dias? Jesus nos dá a seguinte instrução:

Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize. Ouvistes que eu vos disse: vou e volto para junto de vós. Se me amásseis, alegrar-vos-íeis de que eu vá para o Pai, pois o Pai é maior do que eu. (Jo 14.27,28)

Aprendamos com o Senhor. Primeiro Ele nos garante que já nos deu a paz. Ela decorre do fato de termos sido declarados justos diante de Deus por causa da obra realizada pelo Senhor Jesus enquanto Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29 – Rm 5.1). Por termos esta paz que excede todo entendimento (Fl 4.7), Paulo nos exorta nos seguintes termos: “Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos” (Cl 3.15), com isso Paulo nos ensina que a paz é condição para resolver problemas, o que nos faz manter o domínio próprio em todo o tempo.

Somos exortados também pelo Senhor a reconhecer que esta paz vinda da parte de Deus é completamente diferente da existente neste mundo, o que reforça o ensino que não podemos nos deixar abalar pelos contextos de trabalhos ou situações de crises que enfrentamos. Isto porque a paz deste mundo depende que todas as variáveis externas estejam devidamente equacionadas, se uma delas sai do controle, os que não se firmam na paz de Deus perdem completamente o equilibro emocional. Assim, o Senhor nos ensina a não ficarmos aflitos, impacientes, muito menos colocar medo em nossos pensamentos. Geralmente 80% dos temores que temos diante de algum acontecimento simplesmente não acontecem, o que nos faz concluir que muitos de nós tem tornado o medo seus conselheiros permanentes. Jesus nos ensina a não fazer do medo nossos conselheiros, antes firmados na paz, buscarmos discernimento e sabedoria vinda de Deus para lidar com os embates da vida.

Por fim o Senhor nos dá o segredo final que nos permite manter a paz de Deus. Ele declara que vai para o Pai e voltará para nós. O que isso significa? Digamos que neste exato momento você tem algo para resolver. Seu problema é muito grande, você praticamente não consegue encontrar uma solução. Então você vai dormir preocupado com esta questão, quase que desesperado por causa das implicações que resultará se não resolver. Mas exatamente a meia noite a trombeta toca e você é chamado a encontrar-se com o Senhor nos ares. Quem vai resolver o problema? Aquele que ficar, você estará na glória com o Senhor. Paulo colocou esta postura em outros termos, vale a pena ler: 

Isto, porém, vos digo, irmãos: o tempo se abrevia; o que resta é que não só os casados sejam como se o não fossem; mas também os que choram, como se não chorassem; e os que se alegram, como se não se alegrassem; e os que compram, como se nada possuíssem; e os que se utilizam do mundo, como se dele não usassem; porque a aparência deste mundo passa. (I Co 7.29-31)