Diminuir a fonteAumentar a fonte 24/06/2014
Tendo certeza do azeite
por Cezar Andrade Marques de Azevedo
www.cezarazevedo.com.br

“Então, o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram a encontrar-se com o noivo... As néscias, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo; no entanto, as prudentes, além das lâmpadas, levaram azeite nas vasilhas. E, tardando o noivo, foram todas tomadas de sono e adormeceram. Mas, à meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí ao seu encontro!” (Mt 25.1,3-6)

Temos demonstrado que desde 1948, data que Israel voltou para a sua terra (Mt 24.32), o relógio profético começou a correr com mais celeridade. Este evento nos fez adentrar nos “dias de Noé” (Mt 24.37), colocando-nos ainda mais próximo do arrebatamento da igreja. Temos também demonstrado que a parábola das dez virgens ilustra a seletividade do arrebatamento da igreja. É-nos impossível determinar o dia e hora do arrebatamento porque o instante de sua ocorrência é da competência exclusiva de Deus, o Pai (Mt 24.36). Antes de entrar no mérito da seletividade do arrebatamento precisamos fazer uma declaração: não ser arrebatado não significa perder a salvação, pois depois dele haverá ainda uma grande colheita de almas (Ap 7.9). Para reforçar este entendimento, vamos conhecer os grupos de santos que fazem parte da primeira ressurreição.

Paulo nos ensina que ao ressoar da trombeta, após o ecoar da voz do arcanjo, o próprio Senhor Jesus descerá do céu (I Ts 4.16) e em um instante, em um abrir e fechar de olhos, os mortos ressuscitarão e os santos, que estiverem vivos, serão transformados (I Co 15.52) e ambos hão de encontrar com o Senhor Jesus nos ares, desde então estarão para sempre com Ele (I Ts 4.17). A maioria dos cristãos entende que, com isso, se encerra esta etapa da ressurreição, mas não é assim. Primeiro porque o derramamento do Espírito que iniciou-se no dia do Pentecostes perdurará até o dia em que o sol se torne negro e a lua vermelha (At 2.16-21), evento este que se dará com a abertura do sexto selo (Ap 6.12), três anos e meio após o arrebatamento (Ap 12.6). Como resultado deste derramamento do Espírito Santo após o arrebatamento e consequente pregação do evangelho do reino (Mt 24.14), teremos uma grande colheita de almas, como podemos ler: “Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos” (Ap 7.9). Vamos procurar conhecer um pouco mais deste grupo de salvos durante a grande tribulação. Leiamos: 

“Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quais foi dada autoridade de julgar. Vi ainda as almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus, bem como por causa da palavra de Deus, tantos quantos não adoraram a besta, nem tampouco a sua imagem, e não receberam a marca na fronte e na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos. Os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele os mil anos. (Ap 20.4-6)

Nesta cena encontramos os que estão assentados nos tronos. Estes são os mesmos que ocupam os 24 tronos conforme vemos no capítulo 4 de Apocalipse. Neste capítulo somos conduzidos ao cenário que irão se deparar todos os que foram ressuscitados e arrebatados. Os 24 tronos representam os santos do Antigo e Novo Testamento, levando em conta que as 12 tribos de Israel representam os santos do Antigo Testamento e os 12 apóstolos os do Novo Testamento (Ap 4.4). Compreendemos que são os santos ocupando os tronos porque a eles foi-lhes dado a seguinte promessa: “Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono” (Ap 3.21).

Somos levados a considerar outro grupo nesta cena, estes são os que vieram da grande tribulação. São os mesmos citados na abertura do quinto selo, estando debaixo do altar esperando que seja completado o número dos remidos para que possam ser ressuscitados (Ap 6.11) e os vemos depois ressurretos como sendo uma grande multidão de povos, raças e línguas (Ap 7.9). Note que o grupo ainda pode ser maior do que estes, pois a marca da besta será aplicada depois da abertura do sétimo selo e o número dos remidos há de se completar com a abertura deste mesmo selo. Outra coisa a considerar é que este grupo faz parte da primeira ressurreição, portanto inclui nelas os que foram mortos e ressurretos, os que foram arrebatados, os que morreram durante a grande tribulação e os que morreram depois desta, no dia do Senhor.

Agora que compreendemos que se alguém não for arrebatado ainda terá oportunidade de dar testemunho de sua fé, ainda que em uma situação de grande perseguição e tribulação, fica a pergunta: por que critério se dará a seletividade do arrebatamento? A primeira coisa que temos de estabelecer é que o critério é único: a fé em Cristo Jesus, isto porque sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11.6), portanto está descartado qualquer critério que se apoie em obra ou esforço humano (Ef 2.9). Ninguém poderá se preparar para o arrebatamento por usar de força de vontade para testemunhar de Cristo, ou aplicar a si disciplinas espirituais tais como oração, jejum, culto, leitura da palavra, dízimo ou realizar boas obras tais como visitar as viúvas e os órfãos, evangelizar, pastorear, ensinar, atender os santos em suas necessidades ou quaisquer outras coisas similares a estas. Paulo coloca estas atividades sob a régua do amor, se ele não estiver presentes, estas boas obras ou disciplinas espirituais nada mais são que mero esforço humano na tentativa de agradar a Deus. Leiamos o que Paulo escreveu: “Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará” (I Co 13.2,3). Se o critério não é outro senão a fé em Cristo Jesus, então como pode por este critério alguém estar apto ao arrebatamento, outro não?

Antes de dizer como a fé em Cristo Jesus é um critério de seletividade no arrebatamento, precisamos afirmar outra coisa. Quem define a escolha é o próprio Deus, portanto não temos como, pelo critério definido, dizer que alguém será escolhido, outro não. Foi o que Deus disse a Samuel: “Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei; porque o SENHOR não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o SENHOR, o coração” (I Sm 16.7). Ademais no livro do Apocalipse, Jesus Cristo é visto como aquele que tem “os olhos, como chama de fogo” (Ap 1.14). Com isso queremos dizer que “... não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas” (Hb 4.13). Assim o critério da fé que estamos expondo serve como diretriz para estarmos vigilantes e nos prepararmos para o arrebatamento, mas não como critério para julgamos nosso irmão em sua experiência com Deus. É por ser uma escolha exclusiva da parte de Deus que o arrebatamento trará muitas surpresas.

Nós podemos extrair o critério da fé em Jesus Cristo da resposta que é dada na parábola as virgens néscias. Disse o Senhor a elas: “Em verdade vos digo que não vos conheço” (Mt 25.12). Note que nada mais é acrescentado a esta fala, visto que ele poderia ter dito depois: “... Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade” (Mt 7.23), contudo o Senhor não fez este acréscimo porque não era o caso em relação as virgens néscias, porque, embora sejam néscias, isto é, sem conhecimento ou coerência, ignorante ou incoerente, seu problema consiste em que receberam Jesus pela fé (por isso eram virgens), contudo não desenvolveram com Ele um relacionamento íntimo de permanência, como Ele próprio havia exigido: “permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim” (Jo 15.4). Co isso concluímos que o critério da seletividade no arrebatamento decorre do exercício da fé em dois níveis, no primeiro o crente é justificado em Cristo Jesus, no segundo, ele demonstra sua fé por suas obras (fruto do exercício de sua fé salvítica), sendo santificado pela palavra de Deus, como está escrito: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17). Os que de fato são santificados na palavra de Deus são transformados pelo poder de Deus (II Co 3.18), portanto estão aptos a serem selecionados para o arrebatamento, que é a primeira fase da primeira ressureição. Se não forem arrebatados terão oportunidade de desenvolver sua fé depois, como está escrito: “uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo” (I Pd 1.7). Então será dado deles o testemunho: “São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro”(Ap 7.14).