Diminuir a fonteAumentar a fonte 25/06/2014
A noiva para o noivo
por Cezar Andrade Marques de Azevedo
www.cezarazevedo.com.br

“Então, ouvi uma como voz de numerosa multidão, como de muitas águas e como de fortes trovões, dizendo: Aleluia! Pois reina o Senhor, nosso Deus, o Todo-Poderoso. Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos. Então, me falou o anjo: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E acrescentou: São estas as verdadeiras palavras de Deus.)” (Ap 19.6-9)

Geralmente procuramos compreender as coisas do começo para o fim. Aplicado à salvação, visualizamos o processo com os seguintes procedimentos: a pregação do evangelho, a rendição a Cristo, o discipulado, o batismo nas águas, a ceia do Senhor, o testemunho cristão. Findo o ciclo, se começa tudo de novo, alcançando outras almas. A este processo poder-se-ia acrescentar disciplinas espirituais: culto cristão, escola bíblica, dízimo, oração, jejum, dentre outros. Depois de um tempo a vida se restringe casa – trabalho – igreja, tendo em algumas ocasiões retiros espirituais. O evangelismo fica cada vez mais difícil porque o relacionamento com os incrédulos acabam por se tornar formal e superficial, exigindo ações intencionais, como visitas de casa em casa, pregação em praça pública ou outros meios de contatos alternativos. Cada uma destas atividades tem um propósito em si mesmo e, por meio delas, vai se adquirindo experiências com Deus, desenvolvendo a fé, crescendo em maturidade. Se considerarmos que elas vão se reforçando mutualmente e que, por meio delas, Deus está atuando objetivamente no sentido de completar a obra que foi iniciada na regeneração (Fl 1.6), então podemos concluir que ao final da história de vida de cada um de nós, estaremos no ponto de maturidade cristão que o Senhor objetivou para cada um de nós. 

Consideremos a obra divina da redenção. Ouvimos o evangelho (Mt 4.7), nos arrependemos e cremos em Jesus, nos tornando filhos de Deus (Jo 1.12). Com isso todo o processo de salvação se consumou instantaneamente, como está escrito: “E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm 8.30), por isso podemos testemunhar: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus” (Fl 1.6). Com a redenção o Senhor “... nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (Cl 1.13). Por este ato, nós, que estávamos conectados em Adão como homens naturais, fomos enxertados em Cristo Jesus (I Co 15.22), nos tornando agora nova criatura (II Co 5.17). Nós fomos libertos do pecado e transformados em servos de Deus (Rm 6.22), como também libertos da lei por meio do corpo de Cristo para que frutifiquemos a Deus (Rm 7.4), razão porque “somos feitura dele [de Deus], criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). Tudo o que aqui escrevemos decorre do agir divino em nós, independente de qualquer obra que tenhamos realizados porquanto a salvação é pela graça mediante a fé, não por obra para que ninguém se glorie (Ef 2.8,9). E nenhuma obra que fizermos no Senhor será inútil, antes todas elas terão sua justa recompensa (I Co 15.58).

Geralmente olhamos a obra de Deus tão somente pelo lado positivo, pela benção que decorre do agir divino em nós, contudo, do ponto de vista humano, nem tudo é tão simples como parece. Como agora somos filhos de Deus, somos devidamente corrigidos por nosso Pai celestial quando necessário (Hb 12.7). E quando estamos sob disciplina, nada parece ser agradável, pois “toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça” (Hb 12.11). Muitas vezes a disciplina do Senhor nos parece trágica, porquanto, como dito mensamente em cada ceia do Senhor, muitos ficam fracos, doentes e não poucos morrem na disciplina do Senhor (I Co 11.30) “porque a ocasião de começar o juízo pela casa de Deus é chegada...” (I Pd 4.17) e Deus assim age para que não sejamos condenados com o mundo (I Co 11.32). Pode ocorrer que nesta disciplina algum seja “entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor [Jesus]” (I Co 5.5), mas “... esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo” (I Co 3.15), razão porque podemos afirmar que todo crente que tenha passado pela morte, já foi consumado nele a obra que Deus tinha de realizar por meio dele, estando apto para a ressurreição.

Em relação aos vivos, principalmente a última geração da igreja, aquela que há de experimentar o arrebatamento, razão porque os que serão arrebatados são chamados no livro do Apocalipse de “filho varão que há de reger todas as nações com cetro de ferro” (Ap 12.5). Estes precisam estar devidamente equipados para a obra para os quais estão designados. Estes têm da parte de Deus as seguintes promessas: alimentar-se-á da árvore da vida (Ap 2.7), não sofrerá o dano da segunda morte (Ap 2.11), receberá um novo nome (Ap 2.17), terá autoridade sobre as nações (Ap 2.26), será vestido de vestiduras brancas (Ap 3.5), se tornará coluna do santuário de Deus (Ap 3.12) e sentará com Deus em Seu trono (Ap 3.21). Observe que todas as promessas que estão reservadas ao que vencer, foram também alcançadas pelos que morreram em Cristo, porquanto Deus mesmo cuidou para que todos alcançasse o objetivo para o qual foram criados (Fl 1.6). A diferença é que estes sairão da terra antes da grande tribulação que há de vir porquanto já lavaram suas vestiduras, os que ficaram também farão isso, como está escrito  deles: “São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro” (Ap 7.14). A diferença, se diferença houver, é que o primeiro grupo voluntariamente deixou-se transformar pelo poder de Deus (II Co 3.18), enquanto que o outro, demorou um pouco mais para concluir esta obra.

Alguém pode se perguntar, porque haveria distinção entre um grupo e outro? Já tínhamos respondido antes, todos nós, que nos tornamos filhos de Deus (Jo 1.12), fomos transformados em servos de Deus (Rm 6.22). Assim, por sermos servos iremos vivenciar tudo quanto para nós for preparado por Deus e o próprio Senhor irá conduzir este processo (Ef 2.10). Alguém pode ainda perguntar: mas o homem não pode fazer nada em relação a escolha entre ser arrebatado ou purificado na grande tribulação? Por certo que sim, ainda que a explicação pode fazer alguém entender que podemos fazer algo por nós mesmo. O que Deus deseja de nós é que voluntariamente nos deixemos transformar pelo poder de Deus (Rm 12.1,2). João escreveu acerca desta verdade nos seguintes termos” Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é. E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro. (I Jo 3.2,3). E por que alguém haveria de buscar desenvolver esta esperança? Porque ele quer, acima de tudo, ser a noiva das bodas do Cordeiro, ele busca se ataviar (Ap 19.7). E como ele se atavia para as bodas do Cordeiro? Deixemos a própria palavra responder: “... porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos. (Ap 19.7,8). Por ataviar entenda-se: colocar ornamentos, vestir-se de maneira apropriada e o fazemos quando executamos obras de justiças. Acerca destas obras, o Senhor já houvera dito: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda” (Jo 15.16).

Já vimos que fazem parte da primeira ressurreição os que morreram e foram ressuscitados, os que foram arrebatados e os que vieram da grande tribulação após o arrebatamento, bem como do dia do Senhor (Ap 20.4). Todos eles estão sendo preparados para as bodas do Cordeiro. O Apóstolo Paulo, que tinha esta visão com clareza, declarou acerca de seu zelo para com a igreja, o corpo de Cristo: “Porque zelo por vós com zelo de Deus; visto que vos tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é Cristo” (II Co 11.2). Paulo trabalhava objetivamente para preparar a igreja para o noivo, por isso ele dissera: “Segundo a graça de Deus que me foi dada, lancei o fundamento como prudente construtor; e outro edifica sobre ele. Porém cada um veja como edifica” (I Co 3.10). O desejo de Paulo era que a obra de todo cristão fosse ouro, prata, pedras preciosas, contudo ainda que produzissem madeira, feno, palha (I Co 3.12), ainda assim seriam salvo como que pelo fogo (I Co 3.15), contudo o melhor seria que a obra permanecesse para que recebessem galardão (I Co 3.14). Podemos dizer que, nestes últimos dias a obra divina será intensificada, se é que podemos declarar nestes termos, no sentido de preparar a noiva para o Cordeiro. Se falamos de noiva, de bodas do Cordeiro, então o fator fundamental para nos habilitar será o amor com que respondemos àquele que nos remiu. Jesus mesmo declarou: “perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama” (Lc 7.47), como está escrito: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor” (I Co 13.13).