Diminuir a fonteAumentar a fonte 27/06/2014
O batismo de João Batista
por Cezar Andrade Marques de Azevedo
www.cezarazevedo.com.br

“Eu vos tenho batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo.” (Mc 1.8)

Nós vivemos na dimensão do espaço e do tempo. Ainda na escola aprendemos que a vida reside em nascer, crescer, desenvolver e morrer e assim tem sido desde que há homem sobre a face da terra. Ocupando espaço, agindo no tempo, temos no mais íntimo do nosso ser o profundo desejo da vida eterna, superando a barreira da morte (Ec 3.11). É por esta razão que a mensagem de João Batista nos chama atenção. Ele pregava de forma incisiva: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mt 3.2). Por reino se entende o pleno domínio do soberano sobre seu povo, em sendo dos céus este reino, uma vez instaurado, jamais terá fim, porquanto o soberano, que é Deus, Ele próprio é “... o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo...” (Is 57.15). Como Ele é santo, Seu súdito é “o que vive com integridade, e pratica a justiça, e, de coração, fala a verdade” (Sl 15.2).

Observando os requisitos do súdito do reino de Deus se observa que nenhum ser humano tem em si mesmo tais requisitos, porquanto um dia ou outro todo indivíduo faltou com a verdade, cometeu injustiça, agiu com insensatez. É por esta razão que o Senhor Jesus, em conversa com Nicodemos, um líder religioso que foi procura-lo de noite para compreender melhor dos sinais que se manifestavam no Seu ministério, a ele Jesus declarou: “Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3). Com estas palavras o Senhor Jesus fez saber àquele líder religioso que toda a humanidade está fora da esfera do reino de Deus. Paulo colocou esta condição humana nos seguintes termos: “... Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Rm 3.10-12). É porque todos nós, nascido de mulher, nos encontrar nesta condição miserável que a pregação de João Batista se mostra de vital importância. Ela responde ao modo como podemos experimentar o novo nascimento mencionado por Jesus como condição essencial para entrar no reino de Deus.

A proclamação de João Batista nas margens do rio Jordão alcançou resultados extraordinários, porquanto tocou no coração de almas sedentas por algo que mudasse radicalmente suas condicionantes existenciais. No relato do Evangelho de Marcos nos é dito que “saíam a ter com ele toda a província da Judéia e todos os habitantes de Jerusalém; e, confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão” (Mc 1.5). É preciso destacar que a confissão era o antecedente fundamental e necessário para que o batismo nas águas pudesse ser realizado. A confissão dos pecados era a consequência imediata da exortação ao arrependimento feita por João Batista, isto porque no contexto do Antigo Testamento o arrependimento implicava em uma completa mudança de mentalidade que fazia a pessoa voltar-se do pecado para Deus. Em várias passagens do Antigo Testamento encontramos este tipo de exortação, como aquela feita pelo profeta Isaías: “Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar” (Is 55.7). Segundo o teólogo George Eldon Ladd, a palavra arrependimento “sugere primariamente tristeza pelo pecado: metanonia sugere uma mudança de mentalidade; a concepção hebraica implica na volta completa do homem completo para Deus”.

 Os judeus, que ouviam João Batista, não consideravam em si mesmo como tendo necessidade de arrepender-se de qualquer coisa que fosse. Paulo, por exemplo, falando de seu testemunho anterior à sua conversão descreveu a si mesmo com as seguintes palavras: “circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu, quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível” (Fl 3.5,6). Ao declarar-se da linhagem de Israel, Paulo entendia que ser descendente de Abraão já o qualificava como cidadão do reino de Deus, isto porque os israelitas se consideravam depositários da adoção e também da glória, das alianças, da legislação, do culto e das promessas do reino de Deus. (Rm 9.4). No entendimento de Paulo, como de resto do judeu mediano, só o fato de ter nascido judeu já bastava para ser súdito do reino. Assim como os judeus entendiam, muitos hoje consideram que todo nascido de mulher já são em si mesmo filhos de Deus. Nesta concepção entendem que Deus é bom e amoroso e jamais condenaria alguém, portanto o nascimento natural já habilita o indivíduo a pertencer ao reino de Deus. João Batista, contestando este entendimento, certa feita declarou: “e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão” (Mt 3.9).

Ainda que Paulo entendesse ser seu nascimento suficiente para lhe habilitar ser súdito do reino de Deus, por via das dúvidas, ele agregava a este entendimento sua justiça própria. Isto porque ele dizia ser irrepreensível, portanto apto e fiel cumpridor de todos os mandamentos de Deus expresso nos dez mandamentos. Esta era mentalidade corrente entre os fariseus. Certo jovem chegou a Jesus e perguntou o que era necessário ser feito para ter a vida eterna, em ouvindo que seria preciso obedecer a lei, perguntou quais mandamentos. Ao ouvir disse: "Tudo isso tenho observado; que me falta ainda?” (Mt 19.20). João, ao colocar o dedo na ferida, expondo a insuficiência da justiça própria, declarou: “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” (Mt 3.8). Como vimos na definição do termo “arrependimento”, João estava declarando, na verdade, que o homem completo precisava voltar-se completamente a Deus e esta conversão refletiria nas suas obras pela mudança completa de sua perspectiva. Ladd enfatiza que esta exigência colocaria o converso “em conflito com as estruturas econômicas e sociais às quais pertenciam”. Se consideramos as obras que se evidenciam de muitos que se declaram cristãos, haveremos de perceber que nunca passaram por este nível de conversão, demonstrando um arrependimento pífio, que não convence nenhum de seus semelhantes. Por conclusão passar pelo formalismo do batismo nas águas não traz eficácia alguma se este batismo não decorreu desta profunda transformação de mentalidade. 

O batismo de João feito nas águas era a representação metafórica da mudança de mentalidade do crente. Neste ato o batizando estava declarando romper com sua maneira primitiva de viver, dedicando-se a nova vida proposta pela pregação do reino de Deus. Podemos ilustrar esta diferença do antes e depois com o endemoniado que Jesus libertou. Antes ele viva preso em grilhões e cadeias, vivendo em sepulcros (Mc 5.3,4), depois de ter passado por esta “metanoia”, esta libertação que muda completamente a forma de perceber a vida, foi encontrado assentado, vestido, em perfeito juízo (Mc 5.15). Veja o contrate, antes incapaz de ter domínio próprio e conviver com o próximo, agora se mostrava íntegro e ajustado, apto a conviver consigo mesmo e com seus semelhantes. Observe que os habitantes daquele lugar, por sofrerem prejuízo financeiro por conta da mudança operada naquele rapaz, não querendo perder sua arraigada forma de pensar, expulsaram Jesus daquela região. O rapaz, por sua vez, mostrou-se disposto a seguir a Jesus, ao que foi orientado a voltar para sua casa e dar testemunho da mudança que fora operada nele, agindo com a mesma compaixão com que fora tratado pelo Senhor Jesus (Mc 5.19). Lucas retratou também este nível de mudança no livro de Atos dos Apóstolos como podemos ler:

“Muitos dos que creram vieram confessando e denunciando publicamente as suas próprias obras. Também muitos dos que haviam praticado artes mágicas, reunindo os seus livros, os queimaram diante de todos. Calculados os seus preços, achou-se que montavam a cinquenta mil denários. Assim, a palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente.” (At 19.18-20)

A pregação de João Batista e a consequente demonstração de arrependimento como requisito necessário para o batismo nas águas deve nos fazer refletir sobre como nos temos conduzido hoje diante da pregação e do batismo nas águas. O modo com muitos cristãos têm respondido aos cuidados da vida e as tentações das riquezas fazem-nos perguntar se realmente se processou algum tipo de arrependimento em sua conversão, isto porque tem sido muito pouco a diferença entre as atitudes de um cristão e um incrédulo nos meios sociais em que se encontram. Jesus nos fez uma advertência que se aplica a esta situação e que devemos ler com atenção:

Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo. Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade. (Mt 7.17-23)



“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

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