Diminuir a fonteAumentar a fonte 01/07/2014
A batalha travada no arrebatamento
por Cezar Andrade Marques de Azevedo
www.cezarazevedo.com.br

Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai. (Mt 24.36)

A sua cauda arrastava a terça parte das estrelas do céu, as quais lançou para a terra; e o dragão se deteve em frente da mulher que estava para dar à luz, a fim de lhe devorar o filho quando nascesse. Nasceu-lhe, pois, um filho varão, que há de reger todas as nações com cetro de ferro. E o seu filho foi arrebatado para Deus até ao seu trono. (Ap 12.4,5)

O retorno de Israel à sua terra é um dos mais importantes marcos proféticos ocorridos depois do derramamento do Espírito Santo. A presença de Israel em sua terra mudou completamente a perspectiva deste mundo. Antes a igreja era o único referencial divino ativo na terra, agora a igreja está em contagem regressiva para se encontrar com o Senhor Jesus nos ares (I Ts 4.17), então Israel assumirá sua posição como testemunho ativo de Deus em lugar da igreja (Ap 7.4). Esta transição se explica em razão de Israel ter rejeitado o Messias (Jo 1.11), desde então a salvação que pertencia aos judeus (Jo 4.22) passou para os gentios (At 28.28), assim permanecendo até o final da dispensação dos gentios (Rm 11.25), então a salvação voltará aos judeus (Rm 11.26), perdurando deste modo até a volta física e visível do Senhor Jesus Cristo (Ap 19.11).

Com o retorno de Israel à sua terra, vivemos tempos conturbados, pois este evento nos colocou dentro do tempo profético denominado “dias de Noé” (Mt 24.32-37). Nós podemos discernir a similaridade desta época com os dias de Noé por duas características principais, a primeira inferida da caracterização do próprio Senhor quando disse: “Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca” (Mt 24.38). Do comer e beber se infere o materialismo e do casar-se e dar-se em casamento o secularismo, isto porque estes traços comportamentais têm por escopo a perpetuação da vida, sem preocupar-se com a vida eterna. Também podemos fazer um comparativo com a descrição do contexto existencial dos dias de Noé, onde lemos:

“vendo os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, tomaram para si mulheres, as que, entre todas, mais lhes agradaram ... Ora, naquele tempo havia gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos; estes foram valentes, varões de renome, na antiguidade.” (Gn 6.2,4). 

Em um tempo extremamente corrupto (Gn 6.12) temos neste quadro descritivo a relação entre duas gerações: os pais cujo foco está no relacionamento conjugal, e os filhos, que se tornaram valentes afamados. Por esta época “... a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração” (Gn 6.5). Fazendo a analogia com os dias atuais, Israel se tornou nação em 1948. Em 1960 tivemos o movimento da liberação sexual em escala mundial, que condiz com o dito do Senhor que os homens passariam a casar-se, divorciar e casar-se novamente. A geração fruto deste movimento atingiu sua maturidade na década de 90, conhecida pelo aumento da violência também em escala global. Podemos ler nos jornais ou assistir nos noticiários o reflexo da escolha existencial feita na década de 60, resultando uma sociedade cada vez mais corrupta, com seus habitantes manifestando traços de maldade orquestrados cada vez mais coletivamente. Paulo discerniu este tempo como extremamente difícil (II Tm 3.1), primeiro porque “o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios” (I Tm 4.1), depois porque:

“... os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder” (II Tm 3.2-4).

Podemos dizer que o vertiginoso aumento do espiritualismo é a manifestação visível a ação destes espíritos enganadores e ensinos de demônios (I Tm 4.1), concluímos também que o caráter dos homens a quem Paulo se refere é resultante direta da influência destes espíritos malignos sobre uma sociedade cada vez mais cética. Alguém pode se perguntar: porque nestes últimos dias está ocorrendo este incremento de ações malignas? Já demonstramos que o fato de Israel voltar para sua terra, este fato por si só, já seria suficiente para acirrar a batalha nos lugares celestiais (Ef 6.12). Por outro lado temos de considerar também a intenção maligna de Satanás que está agindo com o propósito de impedir o arrebatamento da igreja. Como sabemos disso? Leiamos: “A sua cauda arrastava a terça parte das estrelas do céu, as quais lançou para a terra; e o dragão se deteve em frente da mulher que estava para dar à luz, a fim de lhe devorar o filho quando nascesse” (Ap 12.4). Muitos entendem que esta terça parte dos anjos diz respeito a quantidade de anjos que se rebelaram no céu, mas não é disso que trata o texto. Consideremos o seguinte: Satanás tem acesso ao trono de Deus. Sabemos disso pela história de Jó (Jó 1.6), o que nos dá segurança por saber que ele não pode agir contra um filho de Deus se não pedir a devida autorização e quando a recebe, é limitado em sua ação (Jo 1.12). Satanás também comanda suas hostes malignas a partir dos lugares celestiais, território que é também seu habitat atual (Ef 6.12), antes de ser lançado no mar de fogo e enxofre (Ap 20.10).

Com a multiplicação da iniquidade na terra e consequente esfriamento do amor no arraial dos santos (Mt 24.12), também decresce o número de intercessores, o que permite Satanás deslocar um terço de seus anjos dos lugares celestiais diretamente para a esfera da terra (Ap 12.4). É por conta desta intensificação da invasão maligna neste planeta que propicia o aumento vertiginoso do espiritualismo, com maior manifestação de espíritos enganadores e ensinos de demônios (I Tm 4.1). A palavra de Deus revela que Satanás quer, por meio desta invasão, destruir todo filho da mulher que será arrebatado, isto é, impedir que a última geração da igreja se prepare para o evento do arrebatamento. Como já demonstramos, estas atividades malignas ganharam proporções epidêmicas depois de Israel tornar-se nação (Mt 24.32), razão porque vivemos em dias similares ao de Noé (Mt 24.37),

O arrebatamento é a terceira maior operação de guerra do universo (Ap 12.7). A segunda é a batalha de Armagedom (Ap 16.16) e a primeira a batalha final contra Gogue e Magogue no final do milênio (Ap 20.8). No relato da batalha pelo arrebatamento as escrituras revelam que Miguel e seus anjos farão o enfrentamento contra as forças de Satanás (Ap 12.7). Sabemos que Satanás é o mais poderoso anjo do universo por ser o primeiro a ser criado e ter servido de protótipo para todos os anjos (Ez 28.12). Em uma das oportunidades que Miguel o enfrentou, quando recebera ordem para levar o corpo de Moisés para lugar desconhecido, Miguel não ousou travar armas contra Satanás, antes fez menção a autoridade o qual estava revestido para aquela missão, como podemos ler: “O Senhor te repreenda!” (Jd 1.9), contudo agora vemos Miguel fazendo o enfrentamento. Como ele não tem poderio militar suficiente para ter supremacia sobre Satanás, ainda que seja anjo vindo da parte de Deus, como esta batalha se dará?

Note uma coisa, toda a autoridade dos céus e da terra foi dada a Jesus Cristo (Mt 28.18). Esta autoridade dada a Jesus foi também delegada à igreja, corpo de Cristo, como podemos ler: “segundo a eficácia da força do seu poder... E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu [o seu poder] à igreja” (Ef 1.19,22). Miguel sabe desta verdade, pois a igreja é vista como revestida desta autoridade, como podemos ler: “Viu-se grande sinal no céu, a saber, uma mulher vestida do sol com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça” (Ap 12.1). Se esta mulher, que a igreja, vier a ser arrebatada, os santos terão seus corpos revestidos de imortalidade e estarão com Jesus, nos céus. Com isso os “pés” da igreja ficarão nos céus fazendo cumprir a seguinte promessa: “E o Deus da paz, em breve, esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás. ...” (Rm 16.20). O que Miguel precisa fazer no enfrentamento com Satanás para poder trazer este colossal poder para os céus, derrubando Satanás na terra? Miguel precisa abrir uma janela de um único segundo, ou seja, ele precisa distrair Satanás por um único segundo e é o que basta, pois é o tempo necessário para o arrebatamento, como podemos ler: “num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” (I Co 15.52). Com isso entendemos porque o dia e hora do arrebatamento ninguém sabe senão o próprio Deus porque esta janela de um segundo necessário para o arrebatamento pegará Satanás de surpresa, pois jamais em todos os bilhões de história, Satanás fora enfrentado diretamente por qualquer anjo que fosse, mesmo Miguel. Com a abertura desta janela de um segundo o arrebatamento acontece, os santos com corpos incorruptíveis tomam posição nos céus e então lemos a consequência: “E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos” (Ap 12.9). Amados, a janela de um segundo está por ser aberta, preparemo-nos para esta hora, o Senhor espera por nós.