Diminuir a fonteAumentar a fonte 17/10/2010
O desafio da tradição
por Cezar Andrade Marques de Azevedo

www.cezar.azevedo.nom.br

“Então ela, inclinando-se e prostrando-se com o rosto em terra, perguntou-lhe:

Por que achei eu graça aos teus olhos, para que faças caso de mim, sendo eu estrangeira?

Ao que lhe respondeu Boaz:

Bem se me contou tudo quanto tens feito para com tua sogra depois da morte de teu marido; como deixaste a teu pai e a tua mãe, e a terra onde nasceste, e vieste para um povo que dantes não conhecias. O Senhor recompense o que fizeste, e te seja concedido pleno galardão da parte do Senhor Deus de Israel, sob cujas asas te vieste abrigar.

E disse ela:

Ache eu graça aos teus olhos, senhor meu, pois me consolaste, e falaste bondosamente a tua serva, não sendo eu nem mesmo como uma das tuas criadas.” (Rt 2:10-13)

Creio que muitos já ouviram esta frase: nasci nesta religião, vou morrer nela, jamais mudarei a tradição de minha família. Talvez não exista nenhuma barreira maior ao evangelho que esta frase. Quem a considera pode sentir uma pitada de sabedoria nesta frase, basta ler a frase do contrário: se eu sair de minha religião para outra que me salve, eu tenho que convir que toda minha família se perdeu na religião que professava. Então por um ato de solidariedade insensata, o indivíduo permanece na mesma religião de seus pais.

Não há nada de novo neste comportamento, pois a família é um bem tão precioso que se alguém tiver de decidir, nem precisa perguntar, a opção do indivíduo é por sua família. Não são poucas as mães que esbravejam como uma leoa dizendo: podem fazer tudo comigo, mas não toquem nos meus filhos.

De certo modo o problema todo da humanidade é decorrente desta escolha pela família. Nós, os cristãos, condenamos rapidamente alguém que declara não se converter por causa de sua tradição, mas não consideramos que quando Adão teve a oportunidade de escolher, ele também ficou com sua família. Só havia Adão e sua esposa. Ela fora criada por Deus a partir da costela dele e lhe dada por companhia. Só havia uma proibição no jardim do Éden: não comer do fruto proibido. A mulher se deixou enganar pela serpente e comeu. Veio até Adão e deu a ele. Adão poderia ter obedecido a Deus e deixado sua esposa entregue ao juízo divino. Todavia ele fez a opção de comer junto com ela (Gn 3:6). Naquele momento prevaleceu a tradição à palavra de Deus: se ela comeu, ele também iria comer, e seus filhos depois dele e assim a morte entrou no mundo pelo pecado de um único homem (Rm 5:12).

A suma do que estou dizendo é que a tradição é tão importante ao ser humano que se tiver a oportunidade de escolher entre a palavra de Deus e a tradição, ficará com a tradição. O próprio Senhor tratou desta questão com os fariseus:

“Então chegaram a Jesus uns fariseus e escribas vindos de Jerusalém, e lhe perguntaram:

Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? pois não lavam as mãos, quando comem.

Ele, porém, respondendo, disse-lhes:

E vós, por que transgredis o mandamento de Deus por causa da vossa tradição? Pois Deus ordenou: Honra a teu pai e a tua mãe; e, Quem maldisser a seu pai ou a sua mãe, certamente morrerá.

Mas vós dizeis: Qualquer que disser a seu pai ou a sua mãe: O que poderias aproveitar de mim é oferta ao Senhor; esse de modo algum terá de honrar a seu pai. E assim por causa da vossa tradição invalidastes a palavra de Deus.” (Mt 15:1-6)

Se a tradição é tão importante ao ponto de fazer as pessoas optarem por ela em detrimento da palavra de Deus, como fazer para que a opção seja pela palavra de Deus, não pela tradição? A história de Rute e Mara ilustra as bases por meio das quais a palavra de Deus prevalece à tradição.

Por causa da fome em Canaã a família de Mara, antes conhecida por Noêmi, se mudaram para o país de Moabe. Os filhos de Noêmi se casaram com mulheres moabitas e assim permaneceram até que ambos seus filhos viessem a morrer. Noêmi então teve de escolher entre permanecer em Moabe ou voltar para Canaã. Optou por retornar à sua terra, comunicando este fato às suas noras, agora viúvas. Orfa achou por bem permanecer em seu país, Rute escolheu ir com sua sogra. Instada por Noêmi a ficar também, ela pronunciou a célebre frase:

“Não me instes a que te abandone e deixe de seguir-te. Porque aonde quer que tu fores, irei eu; e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo será o meu povo, o teu Deus será o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu, e ali serei sepultada. Assim me faça o Senhor, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti.” (Rt 1:16, 17)

Tanto Orfa quanto Rute conviveram com os seus maridos, filhos de Noêmi. Por certo que elas testemunharam atos de fé e adoração ao Deus de Israel, contudo só Rute optou por converter-se ao Deus vivo. Aqui temos um certo grau de possibilidade: entre escolher a tradição e a palavra de Deus a chance está em 50%. O problema não reside na escolha em si, mas no que foi necessário para chegar ao momento da escolha.

A decisão a que Orfa e Rute foram submetidas veio após um longo tempo de convivência, tempo este que oportunizou o compartilhamento da fé no Deus vivo. Quando Rute procurou saber de Boaz o que chamara atenção acerca de sua pessoa, Boaz respondeu que fora o modo recíproco como Rute compartilhou a vida com Noêmi, o amor demonstrado no tratamento para com sua sogra. Podemos dizer que o que quebrou os laços da tradição foi uma mutua convivência amorosa entre ambas, o que demonstra que o modo de Deus tratar com os homens não muda, a estratégia é uma só, citada pelo profeta Oséias: “Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor” (Os 11:4). Se você quer quebrar laços de tradição, só pode fazer com laços de amor – é o tal do ditado, é preciso comer um saco de sal juntos.

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