Diminuir a fonteAumentar a fonte 25/10/2010
Imitar a Deus é dispor-se a perdoar
por Cezar Andrade Marques de Azevedo

www.cezar.azevedo.nom.br

“Sede pois imitadores de Deus, como filhos amados” (Ef 5:1)

O apóstolo Paulo conclama a que imitemos a Deus. Por certo muitos, ao se deparar com semelhante instrução, logo pensam que se igualar a Deus significa ser senhor do seu próprio destino; igualar a Deus seria criar circunstância, dispor da vida dos outros como bem entende, ser firme e determinado naquilo que faz, ser bem sucedido em todos os seus empreendimentos. Se igualar a Deus seria dominar nosso próprio ego, domar nossa natureza na busca da verdadeira iluminação. Há, inclusive, uma presunção que toda matéria é permeada de Deus, portanto nossa mente está conectada com o divino, assim, se o indivíduo conseguir manter-se unido com esta força, nada lhe será impossível. Outros entendem que Deus é uma energia cósmica universal que não só existe no universo como também habita dentro de cada pessoa, quem conseguir manter-se ligado a esta energia será provido de força inesgotável.

Não é sem razão que as pessoas têm os mais diversos conceitos de como podem imitar a Deus. Esta proposta não é nova, já fora dada pela serpente à mulher quando fora tentada a desobedecer ao mandamento divino. A serpente dissera: “Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal” (Gn 3:5). É deste conselho maligno que muitos cultivam a idéia que todo ser humano, indistintamente, é filho de Deus ou um pequeno Deus.

Todavia a Bíblia é clara em ensinar que o indivíduo se torna filho de Deus quando crê em Jesus Cristo como único Senhor e Salvador conforme está escrito: “a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus” (Jo 1:12). Nesta decisão nos tornamos filhos amados de Deus, porquanto nascemos de novo (Jo 3:3), nos tornamos em uma nova criatura (I Co 5:17), ocasião que é implantada em nós a natureza divina (II Pd 1:4). Só nestas circunstâncias é que podemos ser imitadores de Deus.

Paulo, contudo, não escreve: “sedes imitadores de Deus”, mas escreve: “sedes, POIS, imitadores de Deus”. A expressão “pois” nos remete àquilo que o apóstolo vinha dizendo antes. Vamos ler para entendermos em que contexto precisamos ser imitadores de Deus:

“Toda a amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmia sejam tiradas dentre vós, bem como toda a malícia. Antes sede bondosos uns para com os outros, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo. Sede pois imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como Cristo também vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave.” (Ef 4:31-5:2)

O apóstolo especifica em que condições devemos imitar a Deus – no exercício da compaixão uns pelos outros, perdoando-nos uns aos outros como o próprio Deus nos perdoou em Cristo. Se fossemos reconstruir a frase de Paulo com base no contexto ele estaria a nos dizer:

“perdoem uns aos outros porque assim vocês estarão imitando a Deus, isto é, procedendo do mesmo modo como Deus o fez na cruz ao sacrificar Seu Filho unigênito por nós, nos reconciliando consigo mesmo”.

Se lermos todo o texto perceberemos que o perdão atua em nosso coração em contraste com a amargura, cólera, ira, gritaria, blasfêmia e malícia.  O núcleo comum a todas estas expressões diz respeito ao relacionamento de uns para com os outros. Mal entendidos é frequentes entre as pessoas e muitas vezes deságuam em conflitos, que ferem o coração, nos fazendo padecer tristeza e angústia que vai causando sensação de amargura e desgosto. Ato contínuo nos revoltamos dentro de nós contra o outro que nos fere. Este sentimento de violenta oposição contra quem nos levantamos redunda em cólera, que é intensa raiva facilmente provocável.

A medida que a cólera vai aumentando, surge no coração um intenso sentimento de ódio contido, de rancor que se expressa em ira, que nada mais é que espasmos de fúria. Então o coração, por si só não consegue mais conter-se em silêncio, fazendo com que seja vomitado da boca expressões de rancor, cólera, indignação verbalizadas em sequencias de gritos, protestos veementes, reclamações, queixas. O grito nada mais é a tradução desta voz interior tomada por angústias, rancores, raivas e iras. As palavras verbalizadas se transformam em verdadeiras blasfêmias, porquanto para atingir o outro em nossas ofensas, começamos por insultá-lo sem o menor respeito, consideração ou senso de dignidade para com nosso semelhante.

O perdão atua também em contraste com a malícia, que é a aptidão para fazer o mal, prejudicar as pessoas por vias indiretas. Na malícia o que se busca é a dissimulação malfazeja, que traz prejuízo ao outro, aquela esperteza maligna que faz uma coisa para conseguir de forma bem dissimulada, que não seria digna de ser obtida e nem poderia ser proclamada inicialmente.

O perdão decididamente não compactua com o mal, seja ele dirigido como um ato de vingança, ou como um dissimulador para fins desonestos. Antes o perdão, ao atuar como um remidor de ofensas, um quitador de dívidas, um conferidor de indultos, um liberador de obrigações, impulsiona a bondade, a compaixão, a generosidade e a benevolência em nosso coração.

Quando nós redimimos alguém, estamos a considerar que a ofensa que nos foi dirigida procede, contudo não fazemos dela caso algum, antes liberamos a pessoa do ônus de reagirmos contra ela com a mesma medida, não nos deixando, assim, vencer do mal, mas vencemos o mal com o bem (Rm 12:21 – adaptado).

Ao quitar a dívida do outro para conosco, que foi contraída por meio de suas ofensas, injuria, agravo, ultraje ou afronta, estamos desobrigando-nos de agir com a mesma moeda. Antes nós podemos responder ao indivíduo de forma amável e cortês, assim como o Senhor age para conosco. O indulto que conferimos é o privilégio do indivíduo continuar circulando em nosso coração sem temer nenhum perigo de ser surpreendido por alguma mágoa, ira ou rancor.

O perdão nos confere a condição de imitarmos a Deus nos permitindo exercer o ministério que nos foi conferido, o ministério do novo pacto (II Co 3:6), que é também o ministério da reconciliação, “pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da reconciliação” (II Co 5:19).

Ao Deus reconciliar-se conosco, Ele restabeleceu a paz consigo mesmo para conosco por meio do sangue de Cristo derramado na cruz, ou seja, Ele nos perdoou. Ao nos aplicarmos na trilha do perdão estamos procedendo do mesmo modo como Deus fez para conosco e somos assistidos para adotar esta atitude, pois Ele próprio nos fez capazes de agirmos assim “E é por Cristo que temos tal confiança em Deus; não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus” (II Co 3:4,5). Nós podemos perdoar porque temos esta capacidade provida pelo próprio Deus em nós, porquanto temos a natureza divina implantada em nós (II Pd 1:4).

No exercício do perdão aprendemos a andar em amor. Ou seja, aprendemos a cultivar relacionamentos sadios não porque o outro age bem para conosco, mas porque nós nos dispomos a absorver qualquer atitude nefasta, que possa nos prejudicar, com a esponja do perdão. Neste sentido, perguntado ao Senhor quantas vezes devemos perdoar ao dia, se sete vezes seria de todo o suficiente, sua resposta foi incisiva: “Não te digo que até sete; mas até setenta vezes sete” (Mt 18:22).

Paulo, ao nos conclamar a imitarmos a Deus no exercício diário do perdão, ele encerra demonstrando que o perdoar não é algo que se faz sem sofrimento, antes é um exercício que se compara em similaridade ao sacrifício feito no antigo culto judaico, quando era ofertado a Deus um novilho sem defeito como oferta pelo pecado.

Naqueles dias, em se pecando contra o próximo ou contra Deus, este deveria oferecer a Deus um novilho. Antes ele haveria de impor a mão sobre a cabeça do novilho, transferindo assim, seu pecado a ele (Lv 4:4). Feito isso, na morte do novilho seu pecado seria perdoado, porquanto o novilho estaria morrendo em seu lugar (Lv 4:20). Do mesmo modo, quando alguém nos ofende, ao nos recusarmos a retribuir a ofensa com o mal, estamos nós mesmos aceitando que nos dispomos a morrer para nosso ego diante da ofensa, não retribuindo o mal com o mal, antes fazendo o bem a quem nos persegue. Deus vê esta atitude, nos diz Paulo, como “como oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave” (Ef 5:2). Foi assim que o Senhor aceitou o sacrifício de Cristo, é assim que Ele nos recebe, provendo-nos de força para exercer o perdão, nos fazendo andar em amor.

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“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

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