Diminuir a fonteAumentar a fonte 10/11/2010
É tempo de nos embriagar com o Espírito
por Cezar Andrade Marques de Azevedo

www.cezar.azevedo.nom.br

“Ora, no seu último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva.” (Jo 7:37,38)

Nos dias em que o Senhor proferiu estas palavras os judeus comemoravam a festa dos tabernáculos (Jo 7:2). Originalmente a festa dos tabernáculos era uma festa agrícola comemorada por uma semana, período no qual os judeus habitavam em tendas construídas com ramos, com a exigência de todo judeu peregrinarem ao templo, em Jerusalém. Esta festa fora instituída pelo Senhor através de Moisés (Lv 23:34) para ser comemorada por sete dias. A festa iniciava-se com uma santa convocação para que fossem cessado todo trabalho servil (Lv 23:35). A cada dia seriam oferecidas ofertas queimadas ao Senhor, encerrando com uma santa convocação no oitavo dia (Lv 23:36). Por toda a festa nenhum trabalho servil poderia ser feito. Somente após a dedicação dos primeiros frutos no templo é que os judeus podiam se alimentar da colheita.

A oferta queimada era uma oferta de cereais, feito de flor de farinha, o qual sobre ele era derramado o azeite e sobre a oferta deveria ser queimado o incenso (Lv 2:1). Esta oferta devia ser trazida aos filhos do sumo sacerdote, os quais deviam tomar parte da oferta e queimá-la no altar como um memorial ao Senhor. Assim a oferta era considerara por queimada, de cheiro suave ao Senhor (Lv 2:2). O que restava da oferta de cereais pertencia aos filhos do sumo sacerdote, sendo considerada coisa santíssima (Lv 2:3). A oferta de cereais podia ser assada no forno (Lv 2:4) ou cozida na frigideira (Lv 2:7). No forno podia ser acrescido à receita coscorões ázimos untados com azeite, de qualquer forma, seja no forno ou na frigideira, a flor de farinha precisava ser amassada com azeite, depois de pronta devia ser partida em pedaços para ser levada aos filhos do sumo sacerdote (Lv 2:6). Em se levando a oferta ao sumo sacerdote, na verdade ela estaria sendo apresentada ao próprio Senhor, sendo obrigação do sacerdote levá-la ao altar (Lv 2:8). Era proibido preparar a oferta de cereais com fermento ou mel (Lv 2:11).

É interessante apreender da festa dos tabernáculos pela ótica de um judeu. O rabino Henri Sobel, fazendo menção da necessidade do povo habitar em tendas neste período, associa esta prática à busca da proteção em Deus, tal como expressava o salmista Davi: “Pois no dia da adversidade me esconderá no seu pavilhão; no recôndito do seu tabernáculo me esconderá; sobre uma rocha me elevará” (Sl 27:5). É interessante que Davi proferira estas palavras logo após dizer que sua busca mais diligente era o de morar na casa do Senhor todos os dias de sua vida com o propósito de contemplar a formosura do Senhor e aprender de Sua bendita palavra (Sl 27;4). Mover-se para dentro das barracas, segundo o rabino, equivalia a mortificar a vaidade, desenvolver a humildade, estar consciente da efemeridade dos bens materiais e disposto a compartilhar do mesmo lugar com todos os desprivilegiados ao seu redor. Era um tempo em que o ambiente obrigava uns se aproximar do outro física e afetivamente. (www.netgospel.com.br)

A alegria durante a festa era manifesta diariamente mediante o mover dos ramos de árvores formosas e frondosas e salgueiros (Lv 23:40). O mover dos ramos era uma alusão a que a presença de Deus se fazia manifesta por todas as partes. Esta festa trazia a memória dos filhos de Israel sua libertação do Egito, lembrando-os que Deus era o Senhor (Lv 23:43). Durante a festas havia um momento diariamente em que os sacerdotes se dirigiam ao tanque de Siloé com vasilhas para buscarem água com o propósito de derramá-la no altar. A água derramada no altar lembrava a chuva serôdia e temporã que abençoava a colheita. A multidão se alinhava ao longo do trajeto em jubilo diante do Senhor, com louvor e ações de graça. Na oportunidade eles cantavam:

“Ó Senhor, salva, nós te pedimos; ó Senhor, nós te pedimos, envia-nos a prosperidade. Bendito aquele que vem em nome do Senhor; da casa do Senhor vos bendizemos.” (Sl 118:25,26)

No altar, ao longo da festa, eram oferecidos 70 novilhos, 14 carneiros, 98 cordeiros e 7 bodes  em holocaustos, por oferta pelo pecado para expiação, juntamente com as ofertas de cereais (Nm 29.7-34). No período noturno a multidão continuava os festejos com banquetes, cantando e caminhando pelas ruas com tochas acesas, demonstrando alegria pelas boas coisas da vida e pela companhia uns dos outros.

A festa dos tabernáculos é toda ela plena de lições. Sabemos que o Senhor se apresentara no último dia da festa. Até então todos estavam procurando por Ele com as mais diversas opiniões. Seus irmãos zombavam dos milagres que o Senhor realizava, não crendo ser Ele o Messias (Jo 7:3-5). Alguns judeus o tinham por um homem bom, outros, contudo asseveravam que Jesus enganava o povo (Jo 7:12), o certo é que todos estavam assaltados pelo medo de confessarem a fé em Jesus Cristo e serem perseguidos pelas autoridades do templo (Jo 7:13).

No meio da festa o Senhor Jesus subiu e se colocou a ensinar ao povo (Jo 7:14). Em Sua instrução o Senhor contrastava a obediência a Deus com a busca insana da glória dos homens (Jo 7:17,18), lançando em rosto dos judeus que estes queriam matá-lo (Jo 7:19). O ensino do Senhor aumentava o alvoroço em Jerusalém, obrigando o povo a se perguntar se Jesus seria ou não o Cristo, o Messias tão esperado. Foi em meio a este celeuma que o Senhor se levantou no último dia da festa e conclamou a quem tivesse sede que viesse até Ele para beber, porquanto quem cresse em Jesus segundo as escrituras, rios de água viva jorrariam do seu interior (Jo 7:37,38). O comentário do evangelista João clarifica que a fonte deste rio em nosso interior é decorrente da bendita presença do Espírito Santo (Jo 7:39).

Vamos refletir como o convite do Senhor se aplica a nós. Todo povo judeu era obrigado a se dirigir a Jerusalém nos dias da festa dos tabernáculos com o propósito de adorar a Deus. Jesus, Deus feito homem, estava no meio do povo, contudo não recebia a adoração que Lhe era devida. Do mesmo modo nós vamos ao culto para adorar a Deus, contudo pode ocorrer que ainda que corporalmente presente, nosso coração esteja distante de Deus.

O Senhor ensinava ao povo acerca dEle próprio, sendo Ele a palavra de Deus encarnada, contudo o povo ouvia e se dividia entre si. Eles não conseguiam compreender o que ouvia, portanto não obedeciam a voz do Senhor, antes entravam em contenda uns com os outros. Hoje vamos a casa do Senhor para aprender de Sua bendita palavra, contudo parece que muitos fazem ouvidos surdos, porque no dia seguinte já não se lembram mais do que ouviram, vivendo seu cotidiano em conformidade com os próprios ditames de suas consciência, não em obediência a voz de Deus.

Por fim, como o Senhor não recebia a atenção que lhe era devida, no último dia da festa fez um veemente convite: quem tivesse sede, que bebesse dEle, todavia a fé teria que ser em conformidade com a palavra de Deus, não suposições ou elucubrações de nossa própria mente. Neste convite o Senhor apresentou a mais preciosa promessa que podemos receber da parte de Deus, o de nos tornarmos a própria morada de Deus em Espírito, nos fazendo templo do Espírito Santo de Deus. As escrituras ensinavam que o povo judeu devia trabalhar com a firme determinação de trazer o fruto de seu labor ao Senhor anualmente. Este fruto devia ser acompanhado de holocaustos, sacrifícios pelo pecado e oferta de cereais. O holocausto faz referência ao bendito Cordeiro de Deus que a Si mesmo se entregou por nós; o sacrifício pelo pecado ao Cordeiro de Deus que se fez pecado por nós nos perdoando e nos reconciliando com Deus, a oferta de cereais, o bendito Cordeiro que se deixa moer por nós para nos enviar, em alusão ao azeite, o bendito Espírito Santo. Assim, quem crer no sacrifício completo do Senhor, em Sua morte por nossos pecados e Sua ressurreição para nossa justificação recebe o bendito Espírito Santo, selando-o para a salvação.

Agora, e isto é importante, assim como a oferta de flor de farinha era voluntária, para que possamos fazer jorrar de nosso interior rios de água viva, precisamos ter sede de Deus. Não basta tão somente ser salvo, mas desejar se colocar na presença de Deus para compartilhar da vida com Deus. A sede reflete nossa necessidade contínua e diária. Não é buscar ser cheio do Espírito Santo um dia ou outro, mas várias vezes no dia, assim como nosso organismo exige, no mínimo, dois litros de água por dia. Esta é a razão porque Paulo nos exorta nos seguintes termos: “não vos embriagueis com vinho, no qual há devassidão, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5:18). Ele equipara sermos cheios do Espírito Santo ao alcoólatra porque este sabe que se tomar um único gole, virá o próximo e o próximo e o próximo até perder completamente o controle de seu corpo. Assim também devemos ser nós, termos sede de Deus para nos embriagar com o Espírito Santo por sorver vez após vez ao longo do dia.

Se realmente nos propormos a nos encher do Espírito Santo, vamos experimentar o jorrar de vida em nosso coração, isto porque o coração é a força motriz do ser humano. Interage com o coração nossa vontade, consciência, emoções e pensamentos. Nos estaremos realmente cheios do Espírito Santo quando submetermos cada um destes aspectos do ser ao Senhor, fazendo com que nossa vontade, consciência, emoções e pensamentos se rendam aos pés do Senhor em nosso coração para que o Senhor realmente se entronize em nós, assumindo plenamente o Senhorio de nossas vidas. Assim, em um movimento inverso, nossa vontade, consciência, emoções e pensamentos não mais serão guiados por nossa carne, mas pela bendita presença do Espírito Santo em nosso interior. Então não mais cumpriremos os desejos intensos da carne, mas andaremos na liderança do bendito Espírito Santo (Gl 5:16).

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“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

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