Diminuir a fonteAumentar a fonte 13/11/2010
Razões para se falar e não se falar de ressurreição
por Cezar Andrade Marques de Azevedo

www.cezar.azevedo.nom.br

“Protestaram, pois, os judeus, perguntando-lhe:

Que sinal de autoridade nos mostras, uma vez que fazes isto?

Respondeu-lhes Jesus:

Derribai este santuário, e em três dias o levantarei.

Disseram, pois, os judeus:

Em quarenta e seis anos foi edificado este santuário, e tu o levantarás em três dias?

Mas ele falava do santuário do seu corpo. Quando, pois ressurgiu dentre os mortos, seus discípulos se lembraram de que dissera isto, e creram na Escritura, e na palavra que Jesus havia dito.” (Jo 3:18-22)

O Senhor entrara no templo em Jerusalém próximo as festividades da páscoa. Encontrando o templo cheio de cambistas e vendedores, o Senhor expulsou-os com um açoite de cordas presa em um cabo de pau, espalhando o dinheiro e virando a mesa. Jesus Cristo fez um protesto veemente por quererem transformar o templo em uma casa de negócio. Os judeus, em protesto, questionaram com que autoridade o Senhor expulsava os cambistas. Ao que Ele respondeu que o fazia com a autoridade de quem haveria de morrer e ressuscitar.

A ressurreição de Cristo é o centro da fé evangélica. Basicamente a essência da mensagem ministrada pelo apóstolo Paulo se resumia em apresentar a Cristo nos seguintes termos: “que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (I Co 15:3b,4), para concluir dizendo: “assim pregamos e assim crestes” (I Co 15:11). Aos que duvidavam de sua mensagem, Paulo contra argumentava dizendo: “E, se Cristo não foi ressuscitado, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé” (I Co 15:14) para, logo em seguida expressar toda a implicação do que representava não ter havido a ressurreição: “se Cristo não foi ressuscitado, é vã a vossa fé, e ainda estais nos vossos pecados. Logo, também os que dormiram em Cristo estão perdidos” (I Co 15:17,18). Em outro lugar, para salientar o quão crucial foi a ressurreição de Jesus Cristo, Paulo fez a seguinte declaração:

“acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne, e que com poder foi declarado Filho de Deus segundo o espírito de santidade, pela ressurreição dentre os mortos - Jesus Cristo nosso Senhor” (Rm 1:3,4)

Observe que a ressurreição de Jesus Cristo não só foi a autenticação da autoridade de Seu ministério terreno, como também foi a validação da afirmação que o Senhor fizera acerca de Si mesmo ser Ele próprio o Filho de Deus. Esta validação fora feita em decorrência da absoluta pureza do Senhor em todo o tempo que viveu na terra, porquanto se Ele próprio houvesse praticado um único pecado que fosse, perderia a qualificação para ser ressurreto. A palavra de Deus declara que Jesus Cristo vivera sem pecado (Hb 4:15), razão porque Ele se apresentou na cruz como “um cordeiro sem defeito e sem mancha” (I Pd 1:19). A situação em que o Senhor se colocou foi terrivelmente delicada, pois ao se apresentar para morrer pelos pecadores, ele só poderia ser ressurreto se durante toda Sua peregrinação na terra fosse totalmente obediente ao Seu Pai celestial, não permitindo em momento algum que tomasse atitudes por vontade própria, risco este que ele sofreu em todo o tempo, destacada as tentações no deserto feitas pelo próprio Satanás (Mt 4).

Se a ressurreição é o centro da mensagem evangélica, o sustentáculo da autoridade do Senhor por que ela é tão pouco pregada ou ensinada nos dias de hoje? Está implícito para todos quantos pregam a Jesus Cristo que Ele morreu e ressuscitou por nossos pecados. Por certo quando são convocados os descrentes para receberem a Jesus Cristo como Senhor e Salvador, é feito menção da morte e ressurreição do Senhor, portanto não é nestes termos que é feita a pergunta, mas no sentido de realmente a ensinar como parte integrante da mensagem evangélica e não somente como rápida menção em eventos que necessariamente esta afirmação deva ser feita.

Pouco se fala da ressurreição porque dentre todos os milagres da Bíblia, este é o único milagre que decididamente nenhuma evidência empírica permanece para dar sustentação a ele. Qualquer outro milagre tem certa credibilidade, visto que é possível alguém estar cego e ser curado, estar enfermo e sarar, estar paralítico e andar, estar endemoniado e ser liberto. Qualquer destes milagres tem certa credibilidade primeiro porque a própria medicina tenta reverter a situação, depois porque tais milagres não mudam a irrevogável sentença de morte que pesa sobre a humanidade. Quem passou a ver vai morrer, quem fui curado vai morrer, quem conseguiu andar vai morrer, quem ficou liberto vai morrer. A morte, como dizem alguns, é a única certeza neste mundo, sob a ótica do homem natural. Assim, estão dispostos a crerem num milagre que possa trazer qualquer benefício momentâneo, contudo ninguém espera que este milagre possa impedir o indivíduo de vir a morrer. Assim, se dá algum crédito a milagres como estes. Agora ressurreição é outro negócio. Paulo falava sobre o Deus Desconhecido em Atenas, todavia vamos ler o que aconteceu quando ele falou de ressurreição:

“porquanto determinou um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que para isso ordenou; e disso tem dado certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos.

Mas quando ouviram falar em ressurreição de mortos, uns escarneciam, e outros diziam:

Acerca disso te ouviremos ainda outra vez.

Assim Paulo saiu do meio deles. Todavia, alguns homens aderiram a ele, e creram, entre os quais Dionísio, o areopagita, e uma mulher por nome Dâmaris, e com eles outros.” (At 17:31-34)

Decididamente ressurreição não é um tema popular entre os homens. Falar única e exclusivamente nela é correr o risco de perder o auditório. Todavia a maior razão porque os líderes cristãos não ensinam acerca da ressurreição não é pelo temor de perder audiência, é por outra razão que toca de perto não só aos líderes, como também a todo e qualquer cristão enquanto testemunho de vida.

Ressuscitar significa voltar a viver após ter morrido. Jesus ressuscitou a Lazaro e o filho da viúva de Naúm, todavia ambos voltaram a morrer. Somente Jesus Cristo morreu, foi sepultado, onde permaneceu por três dias e, contra todas as probabilidades, contra todas as possibilidades, voltou a viver, ressuscitou. Sendo este o centro da mensagem do evangelho, nenhum cristão ousaria deixar de mencioná-la. O problema está aplicação do poder da ressurreição sobre nosso viver diário. O apóstolo Paulo faz menção desta possibilidade em sua carta aos filipenses nos seguintes termos:

“Mas o que para mim era lucro passei a considerá-lo como perda por amor de Cristo; sim, na verdade, tenho também como perda todas as coisas pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo, e seja achado nele, não tendo como minha justiça a que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé; para conhecê-lo, e o poder da sua ressurreição e a e a participação dos seus sofrimentos, conformando-me a ele na sua morte, para ver se de algum modo posso chegar à ressurreição dentre os mortos.” (Fl 3:7-11)

Observe que Paulo fala de ressurreição em dois sentidos: o primeiro, que na verdade é o seguindo, diz respeito acerca da promessa que nós vamos ressuscitar dos mortos na volta de nosso Senhor e salvador Jesus Cristo. Todos nós, filhos de Deus, temos esta esperança. Mas Paulo também fala sobre seu desejo em conhecer “o poder de Sua ressurreição”. Este sentido é bem menos apreciado pelos cristãos pela simples razão que só podemos conhecer o poder da ressurreição se em nós se cumprir o requisito básico para ela se manifestar, ou seja, se a morte operar em nós. Como não estamos falando da morte física, só resta a mortificação da carne, nos termos proposto por Paulo em suas cartas, em especial aos Colossenses:

“Exterminai, pois, as vossas inclinações carnais; a prostituição, a impureza, a paixão, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria; pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência; nas quais também em outro tempo andastes, quando vivíeis nelas; mas agora despojai-vos também de tudo isto: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca; não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do homem velho com os seus feitos, e vos vestistes do novo, que se renova para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl 3:5-10)

Há ainda outro sentido em que o poder da ressurreição deva se manifestar entre os cristãos, também associado à morte, diz respeito as tribulações que passamos. Normalmente repelimos qualquer tipo de sofrimento como proveniente de Satanás, todavia há provas que são necessárias para que nossa confiança seja tão somente no Senhor nosso Deus. Paulo faz menção de provas semelhantes a estas no seguinte testemunho pessoal:

“Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia, pois que fomos sobremaneira oprimidos acima das nossas forças, de modo tal que até da vida desesperamos; portanto já em nós mesmos tínhamos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos; o qual nos livrou de tão horrível morte, e livrará; em quem esperamos que também ainda nos livrará” (II Co 1:8-10)

Assim, há três razões pelas quais muitos pregadores e mestres da palavra de Deus possam deixar de falar da ressurreição: primeiro para não perder auditório (At 17:32), segundo porque não mortificam a si mesmo diante do Senhor para andarem na liderança do Espírito Santo (Gl 5:16) e, por fim, porque não associam as provas que vivenciam como prova vinda da parte de Deus para fortalecer a confiança no Senhor (II Co 1:8-10). Se houver o discernimento destas três condições, então haveremos não só de ministrarmos mais da ressurreição de Cristo, como nossa vida será condizente com o testemunho cristão que devemos dar e as provas que suportamos serão enaltecidas diante do Senhor como prova da manifestação poderosa da providência divina.

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“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

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