Diminuir a fonteAumentar a fonte 06/02/2012
Somos contados entre os remanescentes?
por Cezar Andrade Marques de Azevedo

www.cezarazevedo.com.br

Naqueles dias, não havia rei em Israel, porém cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos. (Jz 21.25)

Nenhum outro texto descreve melhor a situação do cristianismo contemporâneo que estas palavras registradas no livro de Juízes. Isto porque se há uma verdade a ser afirmada é que não existe mais consenso no meio do povo de Deus, cada um advoga sua própria tese, percebe a realidade de um jeito, defende postura distinta e, principalmente, vive como acha conveniente.

Esta postura relativista em relação a vida cristã não se formou do dia para a noite. Creio que foi na década de 60 que surgiu a tese por meio da qual todos os cristãos deviam se unir sob a bandeira do amor, derrubando as doutrinas que os dividiam. Na época os grandes evangelistas, dentre eles Billy Graham, propunha a unidade das igrejas para dar sustentabilidade às grandes cruzadas. O que se propunha era que as mais diferentes denominações se unissem no esforço comum de ganhar almas para Cristo, depois cada uma delas seriam responsáveis pelo doutrinamento dos novos convertidos que viessem a buscar suas igrejas. A tese não era de todo errada, visto que o que faz a união entre o povo de Deus é a morte e ressurreição de Jesus Cristo, promovendo nos salvos a justificação e a regeneração, condição fundamental para que cada membro do corpo de Cristo possa ser habitação do Espírito de Deus. E é o fato de sermos participantes de um mesmo Espírito que nos faz sermos membros de uma mesma família divina.

O problema maior é que as denominações foram abrindo mão de suas doutrinas fundamentais, tentando uma se nivelar a outra, ao ponto de produzir uma percepção entre os cristãos que não há mais nenhuma doutrina a ser observada. Cada um pode desenvolver sua fé como bem entende, ir a igreja que melhor adapta a sua visão de cristianismo e, se em alguma denominação ele sentir que as exigências estão sendo demasiadas, simplesmente muda de igreja sem aviso prévio. Isso tudo faz caracterizar esta época a semelhança dos dias dos juízes, quando, por não haver rei, cada um fazia o que bem parecia reto a seus olhos (Jz 21.25).

Uma coisa é certa, a índole do cristão regenerado é a mesma desde os tempos antigos, retratada pelo apóstolo João: “Amado, procedes fielmente em tudo o que fazes para com os irmãos e para com os estranhos” (III Jo 1.5). Aliás, o apóstolo João nos fornece um teste complicadíssimo para determinar quem é quem no meio do povo de Deus, ele estipulou o seguinte critério:

Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus ouve-nos; aquele que não é de Deus não nos ouve. Nisto conhecemos nós o espírito da verdade e o espírito do erro. (I Jo 4.6)

Pela palavra do apóstolo João compreendemos que Deus fala no meio do Seu povo por intermédio dos seus ministros. E quando falamos pelo Espírito Santo, o resultado é que somos ouvidos por alguns, ignorados por outros, sendo este o critério para sabermos quem de fato conhece a Deus como nós O conhecemos.

Alguém pode se perguntar: mas como dentro da igreja, daqueles que foram batizados nas águas, que presumidamente nasceram de novo, pode existir pessoas incapazes de ouvir a palavra de Deus por meio daqueles que ministram em conformidade com a sã doutrina? A parábola do grão de mostarda pode nos ajudar a compreender este mistério:

Outra parábola lhes propôs, dizendo: O Reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem, pegando dele, semeou no seu campo; o qual é realmente a menor de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior das plantas e faz-se uma árvore, de sorte que vêm as aves do céu e se aninham nos seus ramos. (Mt 13.31,32)

Jesus, ao contar as 7 parábolas que estão registradas em Mateus 13, profeticamente sinalizou como seria o crescimento do reino de Deus. Temos neste texto a parábola da semente, a do joio e do trigo, a do grão de mostarda, a do fermento, a do tesouro escondido, a das boas pérolas e a da rede lançada ao mar. A primeira parábola retrata a igreja em seu nascedouro, todavia pela segunda parábola, logo em seguida se percebe a infiltração dos falsos apóstolos, pastores e mestres no seio da igreja, representados pelo joio no meio do trigo. O resultado é que com o crescimento da igreja, muitos vieram a buscar nela abrigo como os pássaros buscam a sombra das árvores. Estes são os que se alimentam do que procede do trigo e do joio, sem discernir a diferença entre um e outro.

Assim, a moderna igreja cristã é composto de um misto de gente, membros da mesma comunidade, todavia mesclados por joio e trigo. Os verdadeiros cristãos precisam exercitar o discernimento para ouvir, dentre as muitas vozes que se levantam no seio da igreja, àquela que procede da parte do Senhor. Com isso, infelizmente, temos de introduzir a doutrina do remanescente fiel. O apóstolo Paulo já fizera menção deste remanescente ao afirmar acerca da circuncisão: “Porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne.” (Rm 2.28). O mesmo se aplica à igreja, não é cristão o que apenas por ser membro nominal de uma igreja evangélica, antes esta membrezia tem de ser acompanhada por elementos que testifiquem uma verdadeira mudança de conduta por conta da obra de regeneração advinda do novo nascimento. Portanto, ao remanescente fiel, que verdadeiramente entende que há uma sã doutrina a ser seguida, fica o consolo advindo da palavra de Deus:

Digo, pois: porventura, rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum! Porque também eu sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. Deus não rejeitou o seu povo, que antes conheceu. Ou não sabeis o que a Escritura diz de Elias, como fala a Deus contra Israel, dizendo: Senhor, mataram os teus profetas e derribaram os teus altares; e só eu fiquei, e buscam a minha alma? Mas que lhe diz a resposta divina? Reservei para mim sete mil varões, que não dobraram os joelhos diante de Baal. Assim, pois, também agora neste tempo ficou um resto, segundo a eleição da graça. (Rm 11.1-5)

O remanescente fiel é um fato no seio do povo de Deus, resta cada um de nós a pergunta feita a si mesmo: somos contados entre os remanescentes?


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