Diminuir a fonteAumentar a fonte 22/10/2012
Andar em Espírito
por Cezar Andrade Marques de Azevedo

www.cezarazevedo.com.br

para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo e para que, pela fé, nós recebamos a promessa do Espírito. (Gl 3.14)


Um dos grandes objetivos da morte do Senhor na cruz foi nos fazer alcançar a benção dada a Abraão, isto é, a promessa do Espírito. Este texto é profundamente intrigante, porquanto não lemos em parte alguma da história de Abraão no livro de Gênesis acerca do Espírito Santo. Vamos então encontrar em que momento a promessa do Espírito foi feita para que possamos entender como ela se aplica a nós. Abraão foi chamado por Deus em Ur dos Caldeus. Ele se moveu em direção a Canaã, vindo a ficar por um tempo em Harã. Ao chegar em Canaã, Deus lhe fez ver que estava na terra da promessa conforme podemos ler: “À tua semente darei esta terra. E edificou ali um altar ao SENHOR, que lhe aparecera” (Gn 12.7). Em todo o tempo que Abraão viveu nesta terra, permaneceu como peregrino nela (Hb 11.9), sem ter adquirido nenhuma possessão senão o suficiente para servir de túmulo para sua esposa (Gn 23.19) e, depois, para si mesmo (Gn 25.9).


Dentre as promessas recebidas inicialmente por Abraão, além do fato de ser confirmado a ele que haveria de ser uma grande nação, ter seu nome engrandecido e ser referencial de benção para toda a humanidade, como também de juízo para os que viesse a amaldiçoá-lo, uma, em especial, se destaca: “... e em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). Mais tarde esta promessa recebeu uma extensão notável: “E estabelecerei o meu concerto entre mim e ti e a tua semente depois de ti em suas gerações, por concerto perpétuo, para te ser a ti por Deus e à tua semente depois de ti” (Gn 17.7). Se a primeira promessa dizia que Abraão seria a fonte da benção para todas as famílias, agora fica acrescentado que ele não faria isso sozinho, antes haveria alguém, sua semente, juntamente com ele, provendo toda a humanidade. Neste caso poderíamos fazer uma analogia entre a figura do pai, Abraão, e do filho, sua semente, em trabalho articulado em conjunto, visando toda a humanidade. Ao declarar a quem se refere, quando a semente é acrescida à promessa de Abraão, Paulo escreve: “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua posteridade. Não diz: E às posteridades, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua posteridade, que é Cristo” (Gl 3.16), assim, a promessa foi feita a Abraão e a sua semente, isto é ele e Cristo Jesus.

O fato de Cristo Jesus ser reconhecido como a posteridade de Abraão, não há como declarar ser Ele a própria promessa do Espírito, porquanto Ele próprio dissera acerca do Espírito Santo: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” (Jo 14.16). A promessa do Espírito, nas palavras do Senhor, está intimamente associada com Sua bendita presença em nós, fazendo em nós morada (Jo 14.17). O apóstolo Paulo faz questão de enfatizar esta verdade, ao declarar aos coríntios: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (I Co 3.16). A obra do Senhor na cruz foi vital para que esta promessa nos fosse dada, porquanto jamais poderíamos ser habitação do próprio Deus se não tivéssemos sidos reconciliados com Deus pelo sangue do Senhor derramado na cruz conforme está escrito: “... Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados, e pôs em nós a palavra da reconciliação” (II Co 5.19)


O que se destaca na promessa do Espírito é o anelo divino de habitar conosco. Se o homem não tivesse caído no éden, haveria de ter experimentado esta bendita aventurança, porquanto no final do dia Deus vinha visitar Adão (Gn 3.8), ainda que, em que pese o fato de se fazer presente no Éden, que fora criado pelo próprio Deus, Deus não fora convidado por Adão para que habitasse com ele. Já em relação a Abraão, Deus manifestara o desejo de estar de contínuo em companhia do patriarca ao conclamar a ele nos seguintes termos: “... Eu sou o Deus Todo-poderoso; anda em minha presença e sê perfeito” (Gn 17.1).  Abraão fora conclamado a andar na presença de Deus, nós somos chamados a andar com Deus conforme está escrito: “Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne” (Gl 5.16). Seja Deus falando com Abraão e Jesus conosco, de ambos temos a mesma promessa, promessa esta que fora dado a Abraão. Vamos analisar o ambiente histórico em que esta promessa foi feita.

Abraão viera para sua terra e ali peregrinou. Em certo tempo Ló, seu sobrinho, se afastou dele, vindo a morar em Sodoma, cidade que viera a ser destruída anos mais tarde. Houve uma grande guerra naquela região, sendo feito prisioneiro o rei de Sodoma e seus aliados, juntamente com Ló. Abraão, tomando conhecimento do fato, reuniu um pequeno exército com o propósito de libertar seu sobrinho. Sendo bem sucedido na batalha, Abraão não só libertou Ló, como também o próprio rei de Sodoma. Logo em seguida Abraão é visitado pelo rei Melquisedeque. Por esta época Abraão já era conhecido por sua prosperidade como está escrito: “E ia Abrão muito rico em gado, em prata e em ouro” (Gn 13.2). Podemos fazer um paralelo com nossa época, quando muitos cristãos, graças a sua fidelidade aos dízimos e ofertas, alcançaram grande prosperidade material. Foi neste contexto que surgiu Melquisedeque, figura de Cristo, conforme está escrito: “sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas, sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre” (Hb 7.3). Abraão, reconhecendo a grandeza do rei e sacerdote Melquisedeque, deu a ele o dízimo de tudo quanto tinha por reconhecer estar debaixo de sua autoridade porquanto este rei, “por interpretação, rei de justiça e depois também rei de Salém, que é rei de paz” (Hb 7.2).

Logo após o encontro com rei Melquisedeque, com quem Abraão comungou o pão e o vinho (Gn 14.8), Abraão teve um encontro com o rei de Sodoma. Este, apesar de ter sido vencido na batalha contra Quedorlaomer e seus aliados, ousou fazer a seguinte proposta a Abraão: “Dá-me a mim as almas e a fazenda toma para ti” (Gn 14.21). O rei de Sodoma faz aqui o papel do deus deste século (II Co 4.4) que teve a petulância de fazer a mesma proposta a posteridade de Abraão, isto é, Jesus Cristo: “Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares” (Mt 4.9). Abraão, assim como o Senhor, rejeitaram terminantemente esta proposta, Abraão dizendo: “Levantei minha mão ao SENHOR, o Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra, e juro que, desde um fio até à correia dum sapato, não tomarei coisa alguma de tudo o que é teu; para que não digas: Eu enriqueci a Abrão...” (Gn 14.22,23a). O Senhor foi ainda mais incisivo: “... Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele servirás” (Mt 4.10). Foi neste contexto que surgiu a promessa de Deus feita a Abraão. O Senhor, vendo a postura de Abraão e o temor que assaltou seu coração por manter sua fidelidade em terra inimiga, disse-lhe: “... Não temas, Abrão, eu sou o teu escudo, o teu grandíssimo galardão” (Gn 15.1). O teor da promessa é impressionante, porquanto após Abraão ter recusado as riquezas deste mundo o Senhor declarou ser o próprio Deus o grandioso galardão de Abraão, em outras palavras, o Senhor lhe dizia: “estou dando de mim mesmo a você”.


É com a compreensão da promessa feita por Deus a Abraão de dar de Si mesmo a ele (Gn 15.1) que podemos compreender a proposta de vida feita por Deus à Abraão: “Eu sou o Deus Todo-poderoso; anda em minha presença e sê perfeito” (Gn 17.1). A ideia básica não é simplesmente andar na presença de Deus, mas andar com o próprio Deus, isto é, andar em Espírito. O apóstolo Paulo expõe este andar nos seguintes termos: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim" (Gl 2.20).  E o salmista chegou na conclusão que este andar em Espírito nos leva a total dependência de Deus ao ponto de podermos dizer: “Clamarei ao Deus Altíssimo, ao Deus que por mim tudo executa” (Sl 57.2). Então entenderemos o que o Senhor falou aos seus discípulos: “Eu sou a videira, vós, as varas; quem está em mim, e eu nele, este dá muito fruto, porque sem mim nada podereis fazer” (Jo 15.5). Quando realmente andarmos em total dependência de Deus, veremos que tudo quanto fazemos nada mais é que o poder de Deus operando em nós e através de nós e poderemos testemunhar como Paulo: “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus, que está comigo” (I Co 15.10).

Clique e comente este texto

“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

Clique para o Plano de salvação por pergunta

Clique para o Estudo para novo convertido - 01/10

Clique para o Estudo para batismo 01/10

Clique para o texto Ministração para libertação interior e perdão

Clique e de seu testemunho de aceitar a Cristo como Senhor e Salvador pessoal