Diminuir a fonteAumentar a fonte 11/01/2014
Conectando-se com Deus por meio da meditação
por Cezar Andrade Marques de Azevedo
www.cezarazevedo.com.br

Bem-aventurado o varão que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite. (Sl 1.1,2)

A primeira das criações de Deus foi a luz, antes as trevas pairavam sobre a face do abismo com o Espírito de Deus movendo sobre as águas (Gn 1.2,3). Este quadro retrata as condicionantes do nosso relacionamento com Deus. Primeiro nós somos como o abismo cheio de trevas, bastando tão somente constatar o seguinte: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação” (Tg 1.17). Por contraposição não existe absolutamente nada bom em si mesmo dentro de nós, somos totalmente dependes da graciosa bondade divina. Paulo afirma isso de modo categórico ao escrever: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e, com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem” (Rm 7.18). Se Deus é quem nos provê a luz e se o que existe em nós são trevas, então podemos dizer que todo conhecimento adquirido naturalmente não nos faz conhecer a luz que procede de Deus. Por conclusão temos de entender que nosso conhecimento natural, diante de Deus nada mais é que um amontoado de trevas que não nos leva a mudar a estrutura de nosso comportamento. Paulo, fazendo distinção entre os dois conhecimentos escreve:

Mas, se tendes amarga inveja e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica. Porque, onde há inveja e espírito faccioso, aí há perturbação e toda obra perversa. Mas a sabedoria que vem do alto é, primeiramente, pura, depois, pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem hipocrisia. Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz. (Tg 3.14-18)

Há de se observar que a sabedoria acadêmica nos faz adquirir conhecimentos que realizam proezas em relação as coisas concernentes a este mundo, seja na poesia, na literatura, na ciência, no lazer ou em qualquer outra esfera da atividade humana. Todavia, mesmo diante de todas estas realizações, o diagnóstico das escrituras são contundentes: “o povo que estava assentado em trevas viu uma grande luz; e aos que estavam assentados na região e sombra da morte a luz raiou” (Mt 4.16). Observe que, não importa as realizações que este povo referido tenha feito, qualquer que fosse, pairava sobre ela a terrível sombra da morte, o fim último das realizações humanas, barreira que ninguém jamais foi capaz de superar, senão Jesus Cristo. Assim, para nós saímos deste estado de coisa, o mais importante a adquirir é o conhecimento de Deus, que subjaz na própria definição do que seja vida eterna: “E a vida eterna é esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3).

Por conhecer entenda-se a capacidade que temos de perceber algo e incorporar à memória, tomando consciência de seu significado. Dentre todas as modalidades de conhecimento, a primeira e mais importante delas é a verdade, razão porque ao associá-la ao conhecimento, o Senhor declarou que ela tem o poder de nos libertar. Leiamos: “e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8.32). A verdade, por si só, não é suficiente para nos fazer entender algo se não for devidamente explicada. Tomemos um exemplo: Jesus morreu crucificado entre dois ladrões. Poderíamos contar esta história de modo diferente: um ladrão morreu crucificado ao lado de dois outros homens. Poderíamos mudar um pouco o enredo: um ladrão morreu ao lado de dois outros homens, um deles injustiçado. Assim a história da cruz poderia ter sido contada pelo ângulo da vida de qualquer deles e ainda assim seria uma história Contudo só quando colocamos como pano de fundo a palavra profética vinda desde quatro mil anos antes deste evento, o tabernáculo e templo com seus rituais por meio dos quais se sacrificavam o cordeiro, a vida, obra e palavras de Jesus Cristo, juntamente com a explicação de todos os livros do Novo Testamento é que compreendemos que a morte de Jesus Cristo na cruz teve significado espiritual.

Não nos basta, portanto, conhecer de forma factual, tão somente observando o evento, precisamos mais do que isso, é necessário conhecer o ensino acerca do fato. Assim, para conhecermos com propriedade precisamos meditar, isto é, considerar o fato, o evento, a doutrina, o conhecimento de Deus, de forma reflexiva. Temos de pensar longamente acerca, precisamos adentrar com profundidade nos meandros do objeto do conhecimento. No hebraico o termo meditar é transliterado por hägâ, significando de imaginar, meditar, chorar, resmungar, rugir ou soltar urros até doer, falar, estudar, conversar (Strong). Meditar tem o sentido ainda de considerar de forma apreciativa, ponderando atentamente no objeto do conhecimento. Na essência da meditação está a apreensão do sentido ao ponto de poder comunicar a outro com a devida propriedade como está escrito: “Meditarei também em todas as tuas obras e falarei dos teus feitos” (Sl 77.12). O salmista declara que a meditação deve nos envolver de tal modo que nos trata satisfação e prazer, mesmo porque a palavra de Deus é comparada ao próprio pão, portanto precisa ser degustada (Mt 4.4). 

A meditação, quando entendida no contexto das escrituras, quando feita com o devido esmero, quando produz conhecimento de Deus, nos leva necessariamente ao culto em forma de adoração e louvor ao próprio Deus. Não há como conhecer Deus sem ficar profundamente impactado por tudo quando Ele é e faz. Paulo, depois de conhecer Jesus Cristo no caminho de Damasco, não mais teve paz em seu espírito se não buscasse conhecer profundamente ao Senhor que se manifestara a ele. Mais tarde Paulo demonstrou sua disposição no quanto estava disposto a pagar o preço por este conhecimento nos seguintes termos: 

“Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo (Fl 3.7,8)

E, tendo adquirido este conhecimento sua conclusão não poderia ser outro senão um genuíno ato de adoração em culto prestado a Deus:

Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Porque quem compreendeu o intento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém! (Rm 11.33-36)

Adorar a Deus é declarar quem Deus é e louvá-lo significa reconhece-lo em Seus feitos. Todo conhecimento adquirido na palavra de Deus deveria fazer curvar nosso coração neste culto prestado ao Senhor, adorando-o e o louvando. Era esta a atitude do salmista: “Grande é o SENHOR e muito digno de louvor; e a sua grandeza, inescrutável” (Sl 145.3). Em outro lugar: “Grande é o nosso SENHOR e de grande poder; o seu entendimento é infinito” (Sl 147.5). E ainda: “Que louvem o nome do SENHOR, pois só o seu nome é exaltado; a sua glória está sobre a terra e o céu” (Sl 148.13). O salmista não poderia fazer outra coisa, diante de tudo quanto meditou no Senhor senão adorá-lo e conclamar a todos que façam igualmente: “Louvai ao SENHOR! Cantai ao SENHOR um cântico novo e o seu louvor, na congregação dos santos” (Sl 149.1).

Por adquirirmos conhecimento de Deus, permitindo nosso coração ser totalmente tocado e quebrantado por este conhecimento, não podemos fazer outra coisa além de cultuá-lo senão o demonstrar nossa total dependência dEle. E o fazemos por meio da oração. Orar é suplicar a Deus, é invoca-lo buscando suprir todas as nossas necessidades porque entendemos ser Deus a fonte de toda bem aventurança, de todo prazer e de todo bem. O próprio Jesus fez questão de ressaltar esta realidade ao nos exortar: “Se, vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem?” (Mt 7.11). Deus se agrada em nos conceder boas dádivas, razão porque se o conhecemos e o cultuamos, temos ampla liberdade de apresentar a Ele tudo quanto precisamos. Paulo escreveu em um lugar acerca da ampla provisão divina para conosco: “O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus” (Fl 4.19) e em outro, para demonstrar o quão longe Deus está disposto a ir em atendimento às nossas petições, declarou:

Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, a esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém! (Ef 3.20-21)

Paulo demonstra que Deus quer fazer muito mais além do que pedimos ou pensamos. Ele faz uma ressalva: “segundo o poder que em nós opera” (Ef 3.20). isto porque não há como orarmos a Deus sem conhecemos a vontade de Deus, como está escrito:

“E esta é a confiança que temos nele: que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos. (I Jo 5.14,15)

Por conclusão podemos dizer que a meditação nos leva a refletir acerca do conhecimento de Deus. Em compreendendo com a devida propriedade quem Deus é e o que faz, não podemos fazer outra coisa senão nos inclinar diante dele em culto, adorando-o e louvando-o por quem Ele é e por aquilo que Ele faz. É com base neste conhecimento que temos confiança para chegar diante dele em oração, sabendo que estamos fazendo nossos pedidos em conformidade com a vontade de Deus para conosco, portanto temos convicção que recebemos de Deus o que pedimos de forma tão abundante que virá sempre muito mais além do que pedimos ou pensamos segundo o poder de Deus que em nós opera (Ef 3.20).