Diminuir a fonteAumentar a fonte 10/10/2008
As cores da crise
por Fernando Canzian

www.cezar.azevedo.nom.br

WASHINGTON - O dia foi de novo caos nos EUA, e as perdas agora começam a migrar com mais força do mercado bancário para a economia não-financeira.

As ações da General Motors caíram 31% na quinta, a maior baixa em 58 anos. O índice da Bolsa de Nova York que mede com mais precisão a economia como um todo, o S&P 500, apresentou nos últimos sete pregões a maior perda desde 1937.

Vale a pena repetir o mantra sobre a gravidade dessa crise.

Ela é uma crise de crédito, do fim da farra do crédito que tirou os EUA rapidamente da recessão de 2000 e que levou o mundo, no últimos cinco anos, ao seu período mais exuberante em três décadas.

Um crescimento bancado por um sistema furado, em que um único dólar em créditos a receber nos bancos lastreava até outros US$ 13 em empréstimos. O sistema girava no vazio, que agora suga grandes bancos, mutuários e consumidores para a falência.

Mais de três quartos do PIB dos EUA vêm do consumo, que é movido a crédito. E ele agora secou até para empresas que faturam bilhões.

Mesmo que os trilhões anunciados pelos governos centrais comecem finalmente a irrigar o mercado, os consumidores norte-americanos e os bancos que os financiam estão endividados até o pescoço. Aliás, nunca deveram tanto em suas vidas.

Isso vai levar muito tempo para ser resolvido, especialmente dentro de um quadro recessivo.

É isso que começa a ser completamente entendido.

Fernando Canzian, 42, é repórter especial da Folha. Foi secretário de Redação, editor de Brasil e do Painel e correspondente em Washington e Nova York. Ganhou um Prêmio Esso em 2006. Escreve às segundas-feiras

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