Diminuir a fonteAumentar a fonte 10/10/2008
US$ 4 trilhões desapareceram das Bolsas esta semana
por Miriam Leitão

www.cezar.azevedo.nom.br

A gente se animava com algumas horas de alívio, mas durou pouco. Está virando desespero novamente. O alívio durou pouco porque toda hora aparece um novo fantasma voando. Por exemplo, muitos investidores que compraram papéis do Lehman Brothers tinham se garantido e comprado também um seguro contra esse papel. Quem vendeu o seguro agora vai ter que pagar. Portanto, o Lehman Brothers quebrou há quase um mês, no dia 15 de setembro, mas ainda está provocando medo e prejuízo.

A Islândia, que é um país muito pequeno, possui depósitos nos bancos que são dez vezes o seu PIB. E na quinta-feira, o governo avisou que os bancos estão quebrados e que ele só vai garantir depósito dos islandeses. Com isso, há muito dinheiro inglês que agora está congelado na terra do gelo. Em resposta, a Inglaterra reagiu usando uma lei antiterror dizendo que também está congelando dinheiro islandês no país.

Só nesta semana, US$ 4 trilhões desapareceram das Bolsas de Valores. São quase R$ 9 trilhões. Três Brasis desapareceram. Este dinheiro, na verdade, é um dinheiro um pouco virtual, porque as pessoas só o teriam na mão se vendessem as ações. O prejuízo só vira realidade se você vende ação, tornando-o real.

O novo plano do secretário de Tesouro americano, Henry Paulson, de ser sócio dos bancos e ter ações dos bancos representa o fim do capitalismo. Nos Estados Unidos, o Tesouro vai ser banqueiro, dono dos bancos, significa também que aquele plano de US$ 700 bilhões tão falado, tão comentado e tão discutido, fracassou, porque já estão passando para um plano B, que é virar donos dos bancos.

As perdas milionárias não se resumem às Bolsas. A crise fez novas vítimas no setor produtivo. No Brasil, a queda das ações tem outra razão, que é só nossa: os prejuízos das empresas brasileiras com o dólar alto.

Sadia e Aracruz já anunciaram seus prejuízos. A Votorantim, uma das maiores empresas brasileiras, disse que perdeu dinheiro também. Não anunciou quanto, mas tranqüilizou o mercado: já encerrou todos os negócios no futuro de dólar, aquelas apostas de que o dólar não subiria e que estão prejudicando as empresas, provocando prejuízos.

Na quinta-feira, foi a Cosan, empresa de açúcar e álcool, a anunciar que o dólar alto vai aumentar suas receitas, mas também a sua dívida. Empresas imobiliárias também estão caindo na Bolsa por medo de que o setor tenha que adiar planos e investimentos.

O Banco Central está se preparando para dias piores. A regulamentação dessa última medida provisória mostrou que ele pode ir muito além da ação tradicional do BC.

O que é normal? Emprestar pelo redesconto, esta espécie de “cheque especial” para os bancos, por prazo curto. Nesses casos, o Banco Central recebe como garantia título público. Isso sempre foi feito. Agora, o BC poderá aceitar como garantia empréstimo consignado, crédito para compra de veículo, financiamento imobiliário – o que os bancos tiverem em carteira.

O BC pode emprestar por um ano para os bancos, mas interfere na administração: limita os salários dos executivos e os dividendos dos acionistas. Isto é uma cópia do que foi feito nos Estados Unidos.

Mas o Brasil não tem uma situação como a dos americanos, sempre é bom frisar isso. O Banco Central está apenas querendo ter agilidade caso essa crise de crédito externo traga algum problema para bancos brasileiros. A venda de reservas melhorou o clima no mercado de câmbio, mas talvez ele tenha que fazer novas vendas de reserva. Tem gente que critica, mas as reservas eram para enfrentar dias chuvosos e está chovendo um bocado.

FONTE: http://oglobo.globo.com/economia/miriam/

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