Diminuir a fonteAumentar a fonte 09/01/2006
O Nome em Português: Um Estudo Comparativo
por Cezar Andrade Marques de Azevedo

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www.cezar.azevedo.nom.br

O homem, através dos tempos, seguindo as transformações ocorridas no campo da língua, preocupou-se em estudá-la, pois a tinha como meio ou acesso de domínio às leis de funcionamento da sociedade. Desta forma, cada época e cada civilização têm um pensar sobre a língua conforme a vê e em função do que a constitui.

Sabe-se que o estudo da língua e sua designação para os seres e objetos vêm desde a Antigüidade. Evidentemente que, para ter domínio da língua o homem precisou criar ciência para o estudo, pois esta tem multiplicidade de aspectos e funções. Assim, criaram-se ramos diversos de estudos que abrangem os diferentes aspectos da língua para fornecer um saber mais preciso do seu funcionamento. A língua é colocada como objeto de estudo para nos dar acesso, não apenas às leis do seu funcionamento interno, mas também suas manifestações significantes no vasto domínio humano.

O trabalho tem por finalidade apresentar um pequeno histórico da formação gramatical e um pequeno estudo comparativo entre a Gramática de João de Barros e a de Rocha Lima, não pretendemos abordar todos os aspectos das gramáticas, mas delimitamos nosso estudo a apresentação do nome, mais propriamente ao substantivo. Objetiva-se  através de um estudo teórico e comparativo constatar semelhanças e diferenças apresentadas por estas gramáticas, haja vista uma ser de 1540 e a outra de 1974.

Este estudo justifica-se pelas profundas transformações que a língua e seus estudos sofreram com o passar dos anos, em que se criaram ramos diversos de estudo que abrangem os diferentes aspectos da língua para fornecer um saber mais preciso do seu funcionamento.

Em um primeiro momento apresentaremos os estudos da língua até a formação das primeiras gramáticas de língua portuguesa, servindo como preâmbulo histórico, pois se tem por objetivo mostrar a evolução da Gramática desde a Antigüidade, até o século XX. Em um segundo momento, desenvolveremos o tema proposto apresentando um estudo comparativo das gramáticas já citadas, utilizando para este estudo a forma como tratam o nome (substantivo ) em português.

As descrições aqui feitas dado o caráter do trabalho serão apenas expositivas, não apresentaremos conclusões específicas dado o aspecto do trabalho e suas limitações.

Desde a Antigüidade o homem preocupou-se em estudar a sua língua; inicialmente, enquanto elaboração de sinais gráficos que correspondiam à expressão lingüística feita por listas de palavras.

Deve-se a Pânini a primeira análise de uma língua, o sânscrito, língua da antigüidade, falada pela civilização da Índia.

Pânini definiu os elementos significantes da língua como: palavras simples e compostas, em que se inicia o entendimento de que as palavras poderiam seguir regras de composição e derivação, que devem ser entendidas nos seus sentidos de maior ou menor associação.

Pânini fez desta língua um estudo de valor e emprego das palavras e descrições fonéticas e gramaticais da língua, definindo as palavras da língua em simples, aquelas que designam as “coisas” por si só, e compostas as que necessitam de outras para a designação, desta forma, as palavras poderiam seguir regras de composição ou derivação.

Os gregos “estudavam sua própria língua com grande atenção, mas só no plano estético, (os procedimentos de estilo) ou no plano filosófico (adequação da linguagem ao pensamento)” (LEROY, 1970:19)

Aristóteles é o primeiro a conciliar a ordenação das funções (partes do discurso) e a classificação dos conceitos. Ele, porém, não vê a palavra em termos de conteúdo e sim como “sinal de uma idéia”. Os nomes e os verbos, para ele, são semelhantes, não havendo composição ou derivação conforme Pânini havia afirmado, Aristóteles diz que, nada é por natureza um nome, só o é quando se torna um símbolo, mesmo quando sons articulados significam qualquer coisa, nenhum deles constitui um nome.

Para Aristóteles a palavra seleciona uma significação no pensamento que é verdadeira com os nomes, e com os verbos adicionam-se a tal determinação o valor temporal que permite a execução de um discurso. As palavras, então, exprimem os conceitos por convenção.

“- a distinção que fez entre as partes do discurso, a enumeração que propôs das categorias gramaticais, fazem de Aristóteles e dos aristotélicos os iniciadores de uma longa tradição.” (LEROY,1970:20)

Platão entende que a linguagem é descontínua, analisável em elementos, e feita de palavras.

Plotino apresenta as palavras como reflexos naturais das idéias, a fórmula verbal acompanha o pensamento que cabe ser recebido pela imaginação, e esta desenvolve a linguagem refletindo o pensamento.

Destas formas de pensamento filosófico, que remontam ao século V a.C., temos a criação da Gramática Tradicional, em que o termo gramática deriva de palavras que significam “a arte de escrever”.

Os latinos esforçaram-se “em adaptar servilmente o estudo de sua língua às regras formuladas pelos teóricos gregos, cujas idéias nada mais faziam senão retornar e propagar; é justo, entretanto, destacar o nome de Varrão, que fez grande esforço para definir a Gramática ao mesmo tempo como ciência e como arte, e que vislumbrou, com mais lucidez que os gregos, o valor da oposição de aspectos no sistema do verbo.” (LEROY,1970:21).

Percebemos assim, que a preocupação com a língua através da qual conscientizamos nosso saber sobre ela, tem suas raízes na Grécia Antiga e transfere-se aos Romanos pelas conquistas.

“Se é verdade que as coisas, as representações e as percepções devem à língua sua existência, e se é verdade que não podemos atingir o que está em nós ou fora de nós senão pelo revestimento da língua, então ela é, sem dúvida alguma, por um lado a condição indispensável de todo conhecimento.” ( MALMBERG,1972:261)

Desta preocupação com a língua, a Gramática surge com objetivo de formulação de leis e princípios da língua que descreve.

Na Antigüidade clássica a gramática era de natureza filosófica,  revelada pelos estudos que os pensadores gregos faziam acerca da linguagem. Seus interesses estavam voltados para a relação existente entre a palavra e a “coisa” e a essência e a origem da linguagem.

“A gramática foi entendida com base do  estudo filosófico que trata das leis do raciocínio. Tinham sua justificativa no estudo da língua em sua organização e funcionamento por esta refletir leis lógicas, e a lógica serviria para desenvolver a gramática.”( CÂMARA JUNIOR,1969:12).

Tendo sua base na lógica, os filósofos visavam formular regras e a distinguir as formas corretas das incorretas ( não mantendo aí um estudo científico ). Sendo o Latim a língua oficial do  Império Romano, devido às conquistas, os gramáticos se utilizaram dos ensinamentos sobre língua dos gregos e os aplicaram ao latim. Desta forma surgem as primeiras obras que podem ser consideradas como gramáticas.

Estas gramáticas latinas propostas são feitas sobre o latim padrão, e são “arte de escrever e falar corretamente e de compreender os poetas”. Têm um modelo estruturado na etimologia, que estabelece relação analógica entre palavras e as coisas, na morfologia, centrada nas distinções entre palavras variáveis e invariáveis e categorias secundárias para analisar as partes do discurso.

Durante a Idade Média se utilizaram as gramáticas latinas como manuais de ensino e  até parte do período medieval no século XVII.

“ A constituição de uma teorização sobre a língua que se corporifica no que se chama hoje de gramática tradicional, constata-se que, no período medieval, duas vertentes existem nos estudos sobre a linguagem: o prosseguimento do estudo da língua latina, que foi a “língua de cultura “ de toda Europa Medieval, seguindo a gramática greco-latina e o início da observação e estudo das línguas submetidas, as línguas nativas das populações dominadas por Roma primeiro, e depois pelo avanço do Catolicismo Romano, que tinha como língua instrumental também o latim.” (MATTOS E SILVA,1994:21).

Das populações dominadas e suas diferenciações lingüísticas associadas ao latim, desde o século XIII, já haviam grupos lingüísticos diferenciados em que o “português”, nosso objeto de estudo, tem sua instituição gramatical a partir do século XVI. É neste século que se elaboraram as primeiras gramáticas do português e destas a Gramática feita por João de Barros, em 1540, será aqui analisada em nosso estudo comparativo com uma gramática tradicional de 1974, a Gramática Normativa da Língua Portuguesa de Rocha Lima.

As Gramáticas Tradicionais da Língua Portuguesa seguiram o modelo da latina ao concentrar-se no estudo da língua  (palavra), em partes do discurso sub-categorizadas de acordo com caso, pessoa, número, gênero, modo e tempo. Para o latim, esses conceitos são informativos, porém noutra língua, tal como o português,  alguns são difíceis de serem justificados.

A Gramática de João de Barros ao tratar do nome assim o define: “ é aquele que se declina per casos sem tempo, significando sempre algua cousa que tenha corpo ou sem corpo ...   ... E cada um dos nomes tem estes acidentes : qualidade, espécia, figura, género, número, declinação per casos, aos quais acidentes vejamos particularmente.” 1

João de Barros apresenta o Nome próprio e comum: “assi que com razão diremos nome próprio ser aquele per que entendemos ua só cousa, e comum pelo qual entendemos muitas daquele género.”

A gramática de Rocha Lima mantém este tipo de substantivo apresentando-o por extensão diferente: “Os substantivos podem ser de extensão diferente; ora expressam a espécie, ora um indivíduo da espécie. Os primeiros chamam-se comuns; os outros, próprios.” Acrescenta ainda os substantivos coletivos que se sub-classificam em: indeterminados e determinados, dos quais a gramática de João de Barros não faz menção.

A gramática de João de Barros procura apresentar o Nome divido em duas partes: substantivo e adjetivo, o último, porém é definido em função do primeiro tal como vemos até hoje.

“Será também calidade em o nome a distinção per que apartamos o substantivo do ajetivo.

Nome substantivo chamamos àquele que per si pode estar e não recebe esta palavra cousa.

Nome ajetivo ao que não tem ser per si, mas que está encostado ao substantivo e pode receber em si esta palavra cousa, como quando digo: Oh! que fermoso cavalo! Que bravo touro!

Este nome fermoso e bravo são ajetivos, porque não podemos dizer fermoso e bravo sem lhe darmos nome substantivo a que se encostem.”

A gramática de Rocha Lima mantém esta definição do adjetivo em função do substantivo ao apresentar: “Adjetivo é a palvra que modifica o substantivo, exprimindo aparência, modo de ser, ou qualidade.”2

A gramática de João de Barros ao tratar da “espécia” do nome  distingue os primitivos e os derivados. “Primitivo Nome chamamos àquele que foi primeiro, sem haver i outro donde nascesse  ou se derivasse, assim como cidade, corte, casa.

Nome dirivado se chama cidadão, cortesão, caseiro, os quais se derivam dos três acima.

E destes nomes dirivados temos oito diferenças: patronímicos, possessivos, diminutivos, aumentativos, comparativos, denominativos, verbais, averbiais.”

Por nome patronímico entende  “o nome donde o nós formámos e derivámos”, este tipo de nome pode ser entendido hoje como o que temos por sobrenome e faz parte do nome próprio, sendo classificado como pertencente  ao grupo dos substantivos concretos que indicam pessoas, observando para esta classificação o que está disposto na gramática de Rocha Lima.

João de Barros apresenta o possessivo como  “aquele que se nomeia do possedor da cousa, como doutrina cristã, de Cristo, opinião luterana, de Lutero, e destes nomes é nossa linguagem prove.” Acrescenta que podem ser entendidos como gentílicos, “por serem da gente da província ou lugar de que se nomeiam”. 

Para o nome possessivo a gramática de Rocha Lima não faz menção.

Com relação ao diminutivo e aumentativo temos em João de Barros a apresentação  de  que o diminutivo: “é aquele que se tem algua diminuição de nome principal donde se derivou ... e acabam em diferentes terminações, mais por vontade do povo que por regra de boa Gramática.” E do aumentativo: “é contrária à de cima, porque ua diminui a cousa e outra acrescenta.” João de Barros explica que: “Destes nomes Gregos e Latinos não tratam em suas Gramáticas por os não terem e casi todos se terminam em am e az, como mulherão, cavalão, velhacaz, ladrabaz, e outros que sempre são ditos em desprezo e abatimento da pessoa ou cousa a que os atribuímos.”

Temos na gramática de Rocha Lima a apresentação da gradação, que se faz através do “aumentativo e diminutivo, que se podem expressar analítica e sinteticamente.”

O aumentativo analítico constrói-se com o adjetivo grande, ou outro de significação equivalente; o diminutivo analítico, com o adjetivo pequeno, ou outro de sentido equivalente.

Trata-se, conseqüentemente, de um processo de adjetivação.

O aumentativo sintético forma-se com os sufixos ázio, orra, ola, az e, principalmente, ão, que possui as variantes eirão, alhão, arão, arrão, zarrão.

Trata-se, conseqüentemente, de um processo de derivação.

O diminutivo sintético se expressa com os sufixos ito, ulo, culo, ote, ola, im, elho e, sobretudo, inho e zinho. Este último é obrigatório quando o substantivo terminar em vogal tônica, ou ditongo: café, pai—cafezinho, paizinho.

Rocha Lima faz  menção ao uso do aumentativo com idéia de desprezo ou intimidade, e do diminutivo com idéia de carinho, podendo também ter sentido pejorativo. Acrescenta ainda, a  citação de que alguns diminutivos e aumentativos são meramente formais, não encerram a idéia de aumento e diminuição, elencando alguns como exemplo: cartaz, cartilha, folhinha, portão.

Percebemos que em 1540, não havia a distinção entre os processos de derivação e sufixação, e só este último é que foi mencionado.

João de Barros apresenta o nome comparativo como “aquele que significa tanto como o seu positivo, com este avérbio mais.” E acrescenta que há distinção do Latim para o Português, pois os latinos “fazem comparativos de tôdolos seus nomes ajetivos que podem receber maior ou menor significação, e nós não temos mais comparativos que estes: maior ( que quer dizer mais grande), menor (por mais pequeno), milhor (por mais bom), e pior (por mais mau).”

É interessante observar que João de Barros apresentou apenas as formas comparativas dos adjetivos conhecidos por especiais e na sua forma de comparativo de superioridade, não apresentando o que temos em Rocha Lima com relação aos mesmos, na forma do superlativo absoluto e relativo.

A apresentação do nome por João de Barros encerra-se, não fala nada sobre o gênero e número do substantivo.

Rocha Lima  apresenta o gênero como classificação gramatical em dois grupos, masculino e feminino e pela terminação do adjetivo acompanhante. Sobre o número diz ser acidente gramatical “que indica se o ser nomeado é um ou mais de um.( singular e plural).

Notamos que mesmo sendo uma gramática do século XVI, a gramática de João de Barros se preocupa em anunciar que há diferenças entre o latim e português, mas em suas definições espelha-se na gramática greco-latina.

Entendemos que não podemos de forma alguma criticar o proceder dos gramáticos desta época, que a sua forma tem seu valor por ter o objetivo de preservação da língua clássica, julgada forma culta, até nossos dias. Todavia, vemos que o  Português não é o latim, e não pode entrar em seus moldes.

No entanto, vemos que a morfologia da língua portuguesa apesar da grande influência de outras línguas, mostra-se no sistema flexional muito conservadora e rica. Apresenta plural sigmático, e isso tem causa histórica: os substantivos e adjetivos da língua continuam, na sua quase totalidade o acusativo latino, que é o caso que sobreviveu na Península Ibérica. E como todo acusativo plural latino tem -s , com -s se fez o plural vernáculo. A flexão feminina é -a, porque a maior parte das palavras femininas procedem da primeira declinação latina, cujo acusativo era em -am ( e -a , no latim vulgar tardio) . Por isso, definida a fisionomia morfológica da língua esse -a do acusativo passou a valer como desinência ou sinal do feminino.

Daí vem que algumas palavras procedentes da terceira declinação, outrora desprovidas de formas especiais para o feminino, receberam uma flexão de gênero analógica, por acréscimo de -a.

A gramática de Rocha Lima mantém este tipo de definição ao falar sobre o gênero do substantivo “Masculino é o substantivo que se puder juntar à forma masculina de um adjetivo, ou ao artigo -o; feminino, o que se puder juntar à forma feminina de um adjetivo , ou ao artigo -a”.

Apresenta quanto à classificação: “Porque cada substantivo é classificado num ou noutro grupo; ao contrário, os adjetivos com sua dupla terminação, são classificadores.”

Neste ponto podemos salientar que as partes gramaticais como as têm hoje foram estabelecidas arbitrariamente e definidas assistematicamente. Não há um critério específico para a divisão e definição das classes de palavras. Quanto à definição, em especial, os critérios são mistos : alguns nocionais, outros funcionais.

E neste tipo de apresentação é que vemos que muitas regras se distanciam dos fatos. Da falta de observação, de experimentação e de aplicação de regras morfológicas, resultam normas que enunciam algumas fraquezas das gramáticas tradicionais.

A gramática de Rocha Lima parece consciente de que determinados fatos gramaticais relacionados à flexão do substantivo não são tão corretos e apresenta em meio a sua exposição o que já havia sido escrito por Mattoso Câmara em “Estrutura da Língua Portuguesa” 1970, quanto a confusão de flexão com derivação nos casos de substantivos primitivamente masculinos que se relacionam com outros, exclusivamente femininos.

Deste tipo de exposição podemos ver que por nome se entende o substantivo e o qualificativo ( adjetivo). Se em alguns aspectos como na função do qualificativo que é nitidamente diversa do substantivo, do ponto de vista mórfico eles se aproximam em vários aspectos. Assim, sua flexão é idêntica à flexão nominal; assim, freqüentemente um qualificativo exerce função de substantivo e vice-versa, sendo que em certas línguas a palavra é a mesma sempre, valendo como qualificativo ou como substantivo, conforme a posição na frase. Sabemos que em português qualquer qualificativo pode ser substantivo, do mesmo modo que o substantivo não raro desempenha papel de qualificativo. Podemos exemplificar o que apresentamos acima desta forma: ricos(adjetivo), os ricos (substantivo).

Através das gramáticas expostas percebemos que o estudo da língua, através de que meio seja, continua a ter importância fundamental na vida humana, por ser fato social, e sistema que possibilita a comunicação.

A gramática tem valor prático, destina-se a permitir a intercomunicação, e o estudo formalizado da língua por ela descrita ou normatizada. É um código que se deve respeitar, pois traz vantagens à sociedade. Se cada um de nós tivesse competência para alterar as normas gramaticais de nossa língua, dentro em breve seria impossível qualquer comunicação estruturada. Por interesse social guardamos as normas do bem dizer, e esforçamo-nos por mantê-las de certa forma íntegras. No entanto, não tem sentido dar imutável valor aos preceitos gramaticais.

Com a evolução dos estudos lingüísticos e a formação de novas gramáticas, não se entende mais que a gramática do século XX seja dogmática tal qual a gramática que teve seu apogeu no século XVIII.

A gramática do século XX, para sobreviver, tem de acompanhar os estudos lingüísticos, pois só assim será útil ao idioma.

A Gramática Tradicional já não tem o caráter dogmático de antes, porém mesmo com algumas modificações continua tendo suas partes divididas arbitrariamente e definidas assistematicamente. Entretanto, os estudos apresentados em outros livros têm função de dar subsídio quanto às falhas por ela deixadas, todavia, o valor desta gramática não pode ser desmerecido.

Ao se escrever a gramática de uma língua é contra-indicado partir-se da palavra isolada porque, deste modo, nos é impossível descobrir as estruturas, as conexões que unem os elementos da frase e que são também portadores de significação. Uma estrutura não se manifesta fora da frase, razão pela qual os gramáticos estruturais partem da frase e não da palavra ou morfema.

É, portanto, evidente que há necessidade de partir das maiores unidades possíveis para descobrir-se as modalidades de combinações dos sub-elementos, tais como; sintagma, palavras, morfemas.

O estudo aqui apresentado feito ao nível da palavra “isolada” constitui-se em uma pequena exposição, pois sabemos hoje que este tipo de estudo isolado não mais se sustenta frente aos estudos lingüísticos já conhecidos, no entanto assim o fizemos por acreditar que seria a forma mais simplificada de comparação sem entrar em choque com  as teorias lingüísticas atuais.

NOTAS

1- Seguimos a escrita tal qual a gramática de João de Barros
2-Por tratar-se de um estudo comparativo não indicaremos todas as citações, pois são da mesma gramática.

* Mestre em Língua Portuguesa e professora na UNEMAT – Universidade do Estado de Mato Grosso –  Tangará da Serra -  e ILEP – Instituto Luterano de Educação do Parecis.