Diminuir a fonteAumentar a fonte 23/09/2006
Aprendendo a trabalhar, trabalhando
por Cezar Andrade Marques de Azevedo

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cezar: Oi.

isabel: Oi Cezar. Tudo bem?

cezar: Sim e você?

isabel: Também, graças a Deus.

isabel: Eu nunca vou falar com você porque eu não sei o que converso, ehehe
.
cezar: Como assim?

isabel: É que quando eu falo com você, acabo só pedindo conselhos, é chato agir assim, ademais eu não sei o que falar.

cezar: Que nada. Um pedido de conselho pode reverter numa agradável conversa e num motivo para conversarmos.

isabel: É verdade. Como passou o final de semana?

cezar: Foi bem, tive um grande jantar na sexta, dei aula na EBD no domingo e a noite fui ao culto. No resto me deixei levar pelas ondas, ou seja, fiquei navegando na net. E o seu fim de semana?

isabel: Eu gosto tanto de ficar na net! O meu foi tranqüilo. Eu quase não faço nada, mas essa semana eu busquei muito as coisas de Deus. Ahh, deixa eu te contar.

cezar: Sim.

isabel: Lembra que eu falei que fui assistir ao culto na Assembléia de Deus? Neste culto havia um pastor que trabalha com libertação.

cezar: Sim, me disse.

isabel: Então, eu fui conversar com meu pastor para saber se ele deixa eu ir para as vigílias da Assembléia de Deus, quando este pastor se faz presente. Ele não deixou. Disse que este pastor tem um passado muito ruim e só trabalha sozinho. Este pastor já freqüentou a comunidade que congrego e não quis se submeter ao pastor. Acerca do comentário deste pastor a meu respeito, dizendo que eu iria receber o dom de libertação, meu pastor me disse que palavras deste tipo mexe muito com a parte emocional da pessoa que ouve.

cezar: Sim, seu pastor fez bem. Você não poderia ir com ele numa vigília, mesmo tendo outras pessoas junto.

isabel: Eu ando meio desesperada atrás de solução para certas coisas, por isso eu fui falar com este pastor da Assembléia de Deus. Falei também com umas irmãs daquela igreja.

cezar: Poderia me citar uma destas coisas que lhe incomoda?

isabel: Ahh, eu sinto muita preguiça, muito medo, as coisas que já te falei e as pessoas falam para eu ter atitude, eu acho lindo isso, mas não consigo porque eu nem sei o que quero.

cezar: Em que sentido sente preguiça?

isabel: Ahhh, falta de vontade de fazer as coisas, desânimo.

cezar: Você está estudando?

isabel: Eu só faço curso de inglês e informática, mas o de inglês ainda está em férias.

cezar: Quantos anos você tem mesmo?

isabel: 22.

cezar: Você tem curso universitário?

isabel: Sim.

cezar: Você tem como conseguir um emprego na área de sua profissão?

isabel: Aqui é meio difícil, mas tem sim. Eu não sei se gosto de minha profissão.

cezar: Se formou nesta profissão, não foi?

isabel: Sim.

cezar: Vamos começar deste ponto.

isabel: É que os empregos que eu tive antes foi um tédio, eu não agüentava, muito chato.

cezar: Era na área de sua profissão?

isabel: Eu trabalhei em alguns serviços que estavam dentro da área de minha profissão.

cezar: Eu disse: vamos começar na área de sua profissão. É nesse ramo que você vai procurar emprego e em nenhum mais.

isabel: Sim. Tudo bem.

cezar: Me diga uma coisa: onde você está agora tem uma porta?

isabel: Tem sim.

cezar: Está aberta ou fechada?

isabel: Aberta.

cezar: Poderia fechar por um instante?

isabel: Fecho.

cezar: Fechou?

isabel: Sim.

cezar: A porta está fechada?

isabel: Está.

cezar: Você tem certeza que está?

isabel: Tenho.

cezar: Tem mais gente em sua casa?

isabel: Tem sim, aqui onde eu estou minha avó está perto, mas estão também meus pais e minha irmã.

cezar: Se você gritar para sua irmã, sem sair do computador, ela tem como entrar no quarto?

isabel: Acho que ela não vai ouvir, está um pouquinho longe.

cezar: Se ela ouvir, gritando bem alto?

isabel: Tem, porque eu não tranquei a porta. Ehehe.

cezar: Então a porta não está fechada. Percebe?

cezar: O único modo de saber se esta porta está fechada é torcer o trinco.

isabel: Ahh, verdade.

cezar: Logo, sua porta não está fechada, alguém vindo de fora pode abrir ela agora, girando a maçaneta.

isabel: Está, mas posso deixar fechada?

cezar: Sim. Note: a porta que Deus abre, ninguém fecha, a porta que Deus fecha, ninguém abre. Agora me diz: você vai procurar um emprego na área de sua profissão?

isabel: Vou, mesmo sem saber se gosto, mas tenho que tentar.

cezar: E como você vai saber que tem uma porta aberta para você?

isabel: Procurando.

cezar: Exato, portanto, quando entrar em um lugar para pedir o emprego, não lamente, não  baixe a cabeça, não diga que precisa do emprego. Apenas diga: quero trabalhar neste lugar, pois posso ser útil para sua empresa, o que tem para mim?

isabel: Entendi. Eu sei que Deus vai me dar um emprego.

cezar: Agora quero que você faça outra coisa. observe sempre a formiga onde quer que você veja uma. Gaste tempo fazendo isso. Pode fazer?

isabel: Posso sim. Uma vez você falou sobre isso.

cezar: Qual o segredo da formiga?

isabel: Que a formiga não para um minuto, é isso? Ela está sempre trabalhando, sempre se movimentando.

cezar: Exato. Você tem de entrar em movimento, por isso observe a formiga. Você tem de se encher de serviço para sentir o gosto de trabalhar.

isabel: Sabe o que acontecia comigo?

cezar: Diz.

isabel: Às vezes eu estava cheia de coisas mas sentia falta dos momentos que eu ficava pensando no meu quarto, ouvindo música, quieta. Eu sinto muita falta disso. Será que é gostar de sofrer?

cezar: Não, o seu drama é esse: você tem muitos conflitos dentro de você que você quer resolver, por isso precisa se isolar, para dar tempo para se equacionar. Mas tem um jeito mais rápido de fazer isso.

isabel: Como?

cezar: Fazendo o que você não gosta de fazer. Sabe o que?

isabel: Trabalhando?

cezar: Não, me incomodando. Rsrs.

isabel: Ehehehe.

cezar: Assim, de pouco a pouco, vamos colocando as coisas na perspectiva da palavra de Deus e você vai se equacionando dentro de você.

isabel: É, eu preciso, eu vou dar jeito nisso, com a sua ajuda, em nome de Jesus!!!

cezar: Posso contar um segredo?

isabel: Sim.

cezar: E era exatamente como você, preguiçoso. Não gostava de trabalhar até aprender com as formigas.

isabel: E como você fez? Só ficou observando?

cezar: Primeiro o que lhe falei, observei para descobrir o segredo. Também orei a Deus para me ensinar a trabalhar. Então apliquei um principio bíblico em tudo: o que vier a sua mão, faça-o bem.

isabel: Amém.

cezar: Assim sempre procurei aprender a ciência do que eu fazia vendo os outros fazendo e lendo a respeito do assunto. Sabe qual foi meu primeiro alvo?

isabel: Qual?

cezar: Bater o cartão de ponto. Ou seja, entrar e sair nas horas certas. Esta atitude já era diferente de tudo o que eu fazia antes. Concorda?

isabel: Concordo. Pontualidade é fundamental.

cezar: Depois que vi que me tornei pontual, sabe qual foi meu segundo alvo?

isabel: Qual?

cezar: Preencher meu tempo, ou seja, ser produtivo. Se você vai todo o dia para o trabalho, entra 7 e sai as 11, entra as 13, sai as 17, no mínimo tem de fazer alguma coisa. Concorda?

isabel: Claro.

cezar: Então veja. Quando eu tinha por alvo ser pontual, sabe o que eu fazia na maior parte do tempo no trabalho?

isabel: O que?

cezar: Vou lhe contar, mas se você for contar para o meu empregador, eu esgano você. Posso contar?

isabel: Ehehe.

cezar: Eu não fazia quase nada. Não conte para meu empregador, se não ele vai pedir o dinheiro de volta.

isabel: Ehehe. Pode ficar sossegado.

cezar: Ufaaa, rsrs. Foram meses assim. Mas uma coisa eu fazia com certeza, batia o ponto nas horas certas, de entrada e saída. Agora, no trabalho minha produtividade era muito pouco. Na verdade eu pegava carona no serviço dos outros. Agora, me diz: eu alcancei meu alvo?

isabel: Mais ou menos.

cezar: Não, mais, eu alcancei. Qual era meu alvo?

isabel: Você conseguiu ser pontual.

cezar: Isso. Notou? Eu não conseguia ser um bom trabalhador, mas pelo menos não era mau, rsrs, era pontual.

isabel: Ehehe.

cezar: Disso ninguém podia reclamar.

isabel: Alguma coisa muda para melhor.

cezar: Claro. Quando eu sai desse emprego, ser pontual não era mais problema. Então fui para meu segundo alvo, ser produtivo. Neste caso nem precisei fazer força para ser produtivo, o emprego que consegui me deixou numa ocupação que ou eu fazia ou eu fazia, ninguém podia fazer por mim. Também, mesmo que eu quisesse, não dava para pedir ajuda para ninguém. Nesse emprego consegui dois alvos: continuei pontual e me tornei produtivo.

cezar: No terceiro emprego que tive veio a terceira lição. Sabe qual?

isabel: Qual?

cezar: Ser chefe. Eu passei a ter 21 pessoas no meu comando. Veja, no primeiro emprego, para aprender ser pontual, levei uns dois anos; para aprender ser produtivo, levei uns três anos; para aprender a ser chefe, levei uns três anos. Hoje, mais de 20 anos depois, estou aprendendo a delegar serviço e trabalhar em equipe.

cezar: Percebe? Não paro de aprender nunca.

isabel: Com certeza.

cezar: Então tenha esperança, assim não seja dura com você mesma. Vá passo a passo como eu fiz e quando você estiver no exercício de sua profissão, me conte.

isabel: Óóó, que Deus te ouça. Então pontual eu sou, Cezar, mas eu passei por uns empregos que não fiz questão de ser, era muito chato. Eu pedi para sair deste emprego, mas não vou desistir de trabalhar. Eu quero direcionamento de Deus para encontrar uma coisa que eu consiga ter ânimo.

cezar: Tenha fé.

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